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Projeto de ferrovia no Ceará prevê ligação entre usina de Itataia e a Transnordestina

Investimento estimado é de R$ 1,5 bilhão.

Escrito por
Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
Foto que contém trilho ferroviário novo, ao fundo com luz no fim do túnel.
Legenda: Novo trecho ferroviário escoaria produção de fertilizantes e de urânio de Itataia com destino ao Pecém.
Foto: Cid Barbosa/Agência Diário.

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) propõe que o Ceará ganhe uma terceira ferrovia de cargas. O novo ramal ligaria os municípios de Santa Quitéria e Maranguape e seria destinado a escoar a produção de fosfato e urânio da usina de Itataia, conectando-se com a Transnordestina na Grande Fortaleza.

Essa interligação consta no Panorama da Infraestrutura – Edição Nordeste, elaborado e apresentado pela CNI na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) em 2024, conforme noticiado pelo Diário do Nordeste.

Por enquanto, no entanto, a ideia não tem projetos ou tratativas formais em andamento, já que a TLSA (empresa responsável pela obra da Transnordestina) e o Ministério dos Transportes ponderaram que não há estudos em curso.

Segundo o estudo da CNI, o ponto final do ramal seria em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. A expectativa é de que a descarga das mercadorias aconteça nas proximidades do terminal logístico da empresa Transnordestina Logística S.A. (TLSA), em um dos pontos de interseção com a Ferrovia Transnordestina. 

O coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Fiec, Heitor Studart, comenta o estudo, apontando que fica a cargo da concessionária, no caso a TLSA, a construção do ramal.

"A Transnordestina tem a projeção de interligação com Itataia. Vai chegando até Maranguape, com previsão de terminal. Tem várias possibilidades de interligar as duas ferrovias", explica.

Por que construir uma nova ferrovia no Ceará?

A solicitação da nova ferrovia por parte da Fiec envolve escoar a produção, sobretudo de fosfato da usina de Itataia, em Santa Quitéria, para exportação via Porto do Pecém.

Maranguape será uma das cidades que receberá terminais intermodais da Transnordestina, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MIDR).

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A tendência é de que a TLSA faça no município um polo privado, já chamado anteriormente por Heitor Studart de "joia da coroa" pelo potencial de crescimento.

Com custo médio de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões por quilômetro, a ferrovia pode chegar a custar R$ 1,5 bilhão para ser construída. A previsão é de que o ramal tenha aproximadamente 100 quilômetros (km) de extensão.

Nova ferrovia depende de licenciamento ambiental para usina, diz Consórcio Santa Quitéria

No mapa rodoviário da Superintendência de Obras Públicas do Estado do Ceará (SOP-CE) de 2026, constam ferrovias existentes e a Transnordestina, ainda em construção. 

Não há, no entanto, nenhuma ferrovia, seja em planejamento, em construção ou já existente, saindo da região de Itataia rumo a Maranguape.

O Consórcio Santa Quitéria, parceria entre Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e Galvani - Fosnor Fertilizantes Fosfatados do Norte-Nordeste SA, descarta que esteja atualmente realizando estudos para construir uma ferrovia entre Santa Quitéria e Maranguape.

O transporte de urânio da usina, por se tratar de uma carga radioativa e sensível, segue processo legal de transporte, e o modal a ser adotado deve ser o rodoviário, de Itataia ao Porto do Pecém, com escolta da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Foto que contém portão de entrada para jazida da futura usina de Itataia, em Santa Quitéria. Na foto, há um morro com um portão branco vazado, onde há sinalização de material radioativo.
Legenda: Usina de Itataia pode ganhar ferrovia própria para escoamento da produção de fosfato e urânio.
Foto: Kid Júnior.

Quando a licença prévia da usina for liberada, no entanto, o Consórcio destaca que "poderá reavaliar as alternativas logísticas disponíveis", o que inclui o ramal entre Santa Quitéria e Maranguape.

Segundo a parceria, o fosfato para representa mais de 90% do minério encontrado na jazida de Itataia, e todas as estruturas logísticas são vistas como "oportunidades importantes para apoiar a operação futura do projeto".

Nova ferrovia no "meio" do Ceará pode aproveitar malha não operacional

O Estado tem, atualmente, duas ferrovias de cargas em operação. A primeira delas é a Ferrovia Fortaleza-São Luís, operada pela Ferrovia Transnordestina Logística (FTL). 

A segunda, ainda em fase de testes, é a Ferrovia Transnordestina, na região Centro-Sul do Estado. Quando for concluída, ela chegará ao Porto do Pecém. 

Heitor Studart reforça que, caso a ferrovia entre Santa Quitéria e Maranguape saia do papel, o transporte prioritário dela será de cargas e com potencial de concessão para a iniciativa privada.

Para isso, poderá utilizar trechos da malha não operacional da antiga Ferrovia Fortaleza-Crato, sob concessão da FTL e desativada integralmente, de forma oficial, desde 2013

Foto que contém trilhos com vegetação crescendo por cima.
Legenda: Ceará tem cerca de 600 km abandonados de ferrovia que podem ser aproveitados para outro ramal.
Foto: Honório Barbosa/Agência Diário.

Já tem a malha implantada. Os custos principais para implantação de ferrovias envolvem desapropriação de área e licenciamento ambiental. Os trechos da antiga malha estão já desapropriados e precisam só de pequenas adequações ambientais, pois já operavam".
Heitor Studart
Coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Fiec

"Constrói aproveitando o que puder, sai de Itataia direto para se interligar ao terminal que a TLSA está construindo para ser o intermodal dela em Maranguape", observa..

Maranguape reúne facilidades logísticas

Questionado sobre o melhor local para conectar por ferrovia à usina em Santa Quitéria, Heitor Studart definiu que a escolha por Maranguape é mais acertada, mantendo a ligação com a Transnordestina.

"É mais perto do Pecém para exportação, e tem mais ligações rodoviárias, principalmente no 4º Anel Viário. Maranguape vai ser um polo muito importante. Maior parte do polo industrial da Grande Fortaleza está ali do lado (em Maracanaú)", observa.

Em resposta aos questionamentos da reportagem, a TLSA e o Ministério dos Transportes afirmam que não há estudos ou tratativas em curso para a construção de ferrovias entre os municípios.

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