Magis estuda investir na área de hotelaria
Mesmo em um ano de crise, como foi 2015, a empresa alcançou R$ 169 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) e comercializou 392 unidades habitacionais
Há nove anos à frente da Magis Incorporações, o diretor presidente da empresa, Deda Studart, que possui formação em Administração de Empresas, trabalhou nos setores de defensivos agrícolas, financiamentos para micro e pequenas empresas, desenvolvimento de produtos, entre outros, até se interessar pelo mercado imobiliário e se tornar sócio-investidor e, posteriormente, fundar sua própria construtora. Apesar de se mostrar cauteloso diante de uma economia nacional incerta e um mercado que se diferencia mais pelo atendimento do que pelo produto, Deda estuda a possibilidade de investir no ramo de hotelaria na Praia do Cumbuco, mas "sem pressa", segundo ele.
Como foi o seu ingresso no ramo imobiliário?
Em 1993, fui trabalhar com meu pai (Beto Studart) na Agripec (empresa agrícola) e passei por vários setores. Em 1999, fiz um curso sobre negócios internacionais na Califórnia (EUA), e quando voltei assumi a diretoria de desenvolvimento de produtos. Depois de seis anos, com a saída do meu pai, vendemos uma participação da empresa para um grupo australiano e, assim, eu assumi a diretoria executiva por dois anos até a venda total do negócio. Já em 2005, comecei a investir no mercado imobiliário por meio de Sociedades em Cota de Participação (SCP) e, em 2007, quando a gente vendeu o restante do negócio, foi criada a Magis. Nós tínhamos um empreendimento popular e voltado para um segmento que achávamos que estava sendo pouco atendido em Fortaleza. Fomos atrás do maior expert em produtos populares, a MRV, e firmamos uma parceria com eles para fazermos lançamento dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida e também produtos médio e alto padrão.
A que você credita o sucesso de vendas em 2015, mesmo com a crise econômica?
Ele se deve a uma boa integração com o setor. Hoje, a Magis tem coordenadores de produtos trabalhando fortemente com as grandes e as pequenas imobiliárias e com os corretores autônomos para facilitar as vendas. Acreditamos que isso é um diferencial. Além disso, temos duas coordenações que cuidam da nossa equipe própria de corretores que são exclusivos, em torno de 20, entre outras ações. Também estamos trabalhando fortemente na venda online. A Magis possui produtos que vão de A a Z, e a gente garante a qualidade, como se fosse de altíssimo padrão, mas conseguimos atender a uma pessoa que está na classe C, subindo para classe B. Isso é um grande diferencial.
Como estão os estoques hoje?
Hoje temos dez empreendimentos em comercialização. Nossa venda média deles chega a 80%, o que é muito bom. Nosso estoque por produto não é muito grande e está saudável neste momento. Mas como a gente lançou muito, estes 20% em valor são significativos.
Qual a expectativa de zerar o estoque neste semestre?
Estamos entregando um produto no Cumbuco (Wai Wai) que foi lançado visando à segunda moradia, mas como aquela região está crescendo muito em função do Complexo Industrial do Pecém (CIPP) e do Porto, várias concessões serão dadas para investimento naquela região. A Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) ficando pronta são milhares de empregos, incluindo executivos, que não vão querer morar em Fortaleza por conta da distância e vão morar ali por perto. Acreditamos que o Cumbuco seria uma destas localizações indicadas.
Quanto já foi vendido?
Hoje ele deve estar com algo em torno de 60% de comercializado. Devem restar cerca de 90 unidades para vender. Não é um volume muito grande. E escolas particulares estão indo se instalar na regional, como a bilingue Sandbox.
Prevê novos investimentos lá?
Nós tínhamos um sócio espanhol no Wai Wai e fizemos um acordo. A Magis é detentora de 100%. Este sócio ainda tem uma área muito grande lá, que podemos tentar lançar um empreendimento residencial ou trazer algum produto voltado para a hotelaria.
Ainda este ano?
Começar a pensar este ano, mas para lentamente desenvolver. Depois que o financiamento estiver garantido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou Banco do Nordeste (BNB) e a cara do produto estiver desenvolvida. Tudo com calma, nada de pressa. Mas acho que tanto hotelaria como residencial primeira moradia para aquela região será muito bem-vinda. Seria o primeiro em hotelaria.
Como analisa o mercado imobiliário nacional? E o local?
Economicamente, o País está precisando firmar os ajustes necessários e determinar o caminho que quer seguir. Fora isso, acho que tivemos a sorte de termos tido uma entrada menos forte dos grandes players, como Cyrela, Gafisa, Rossi e PDG. Eles vinham com muitos recursos financeiros. No momento que a gente não teve uma grande oferta (destes players), a nossa oferta e demanda ficou controlada. Por isso, não tivemos um declínio e uma deflação tão grande dos preços, prejudicial para saúde de todo o setor. As empresas aqui acabam sendo locais e familiares e todas elas resolveram diminuir o volume de lançamentos para este estoque chegar em um tamanho considerado saudável e os preços ficarem mais equilibrados.
Qual a perspectiva para o mercado em 2016?
Os lançamentos da construção que estão em obra hoje aconteceram ano passado ou há três e quatro anos quando a economia estava mais pujante. Este ano, pode acontecer um pequeno declínio no nível de emprego, porém eu acredito que o governo federal, nos próximos meses, apresente algum plano econômico para dar esta sustentabilidade ao setor. Se não houver um incentivo, pode ser que o desemprego possa aumentar este ano.
E para os negócios?
Vai ser um ano que a gente não consegue ver a cara, mas as empresas fazendo o seu dever de casa, as alocações de investimentos e de pessoal, cuidando do seu cliente, do mercado e do produto, trabalhando neste tripé, todas elas têm condições de chegar a 2017 com sucesso.
Qual a estratégia da Magis para o próximo ano?
Vamos continuar dando este foco especial nos nossos corretores e no mercado. Existem muitos produtos similares, e quando as imobiliárias e os profissionais sabem que na Magis vão receber um bom atendimento, e praticamente é só levar o cliente para dentro do estande que de lá assumimos a venda.
Mais cautela em 2016?
Exatamente, num país como o nosso que está passando por uma grande transformação. Foram mais de 10, 15 anos nessa pujança, e agora vimos que os investimentos que deveriam ter sido feitos não foram. Isso faz com que o mercado retraia e não é só o imobiliário, mas o de consumo. Neste momento, temos que estar mais como observador do que como pioneiro. Não quero puxar nenhuma ' carruagem' de desenvolvimento fazendo grandes menções de desenvolvimento e lançamento. A gente está mais como observador, fazendo este dever de casa para poder construir bem nossas obras e comercializar o estoque que está dentro de casa. E para os novos lançamentos estarem prontos para quando chegar o momento oportuno.
Existem lançamentos programados para este ano?
Dois produtos residenciais que estão com alvará de construção e registro de incorporação saindo nos próximos seis meses. Um na Jacarecanga e outro em Damas. Vamos deixar eles prontos para lançar, porém vai depender de como estiver o mercado. Todas as empresas estão sendo muito coerentes, tanto com o mercado, que não pode ser super ofertado, como com seu caixa e esperando que o sistema financeiro garanta financiamento para estes empreendimentos.
Qual a média de valores dos imóveis da Magis?
A média do preço dos nossos empreendimentos está em torno de R$ 400 mil. Em alguns produtos, chega a um valor próximo de R$ 1 milhão, e em outros, de R$ 250 mil.
*Deda Studart é Diretor Presidente da Magis