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Marco é a cidade cearense com o maior valor médio do Bolsa Família; veja ranking

Indicador ajuda a mapear onde estão as famílias mais vulneráveis, uma vez que o valor dos benefícios variam conforme a composição familiar.

Escrito por
Gabriela Custódio gabriela.custodio@svm.com.br
Mulher segurando cartão do bolsa família.
Legenda: Mais de 1,3 milhão de famílias cearenses foram contempladas com o Bolsa Família em março, com um investimento de mais de R$ 901,6 milhões.
Foto: Thiago Gadelha.

Marco, localizada na microrregião do Litoral de Camocim e Acaraú, a 198,22 km de Fortaleza, foi o município cearense com maior valor médio repassado pelo Governo Federal por meio do Bolsa Família. Ao todo, 5,3 mil famílias beneficiárias receberam, em média, R$ 712,52 neste mês de março.

Próximo dali, em Morrinhos, mais de 3,5 mil famílias foram contempladas com R$ 710,02, deixando a cidade em segundo lugar na lista.

Completam os cinco primeiros postos desse ranking as cidades de Ibiapina (R$ 707,24), São Benedito (R$ 704,69), Guaraciaba do Norte (R$ 700,37) — todas localizadas na microrregião da Ibiapaba, no noroeste cearense.

Em seguida, integrando os 10 primeiros lugares, aparecem Tianguá (R$ 698,3), Amontada (R$ 695,9), Itarema (R$ 695,7), Itapipoca (R$ 693,1) e Ibaretama (R$ 691,6).

O valor médio do benefício não indica a incidênciada da pobreza nos municípios, mas a intensidade dela, explica Vitor Hugo Miro, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador FGV IBRE.

“A incidência de pobreza estaria sendo refletida na cobertura, com uma maior proporção de famílias dependentes do programa. Por sua vez, o valor médio do benefício funciona como um indicador indireto do perfil socioeconômico das famílias pobres nestes municípios”, detalha.

Isso ocorre porque o Programa combina um benefício base por família com benefícios adicionais que variam conforme a composição demográfica (veja abaixo). 

  • Benefício de Renda de Cidadania (BRC): R$ 142 por integrante da família, destinado a todas as famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família;
  • Benefício Complementar (BCO): valor destinado à família atendida pelo Programa que não alcança o valor mínimo de R$ 600, somando todos os BRCs;
  • Benefício Primeira Infância (BPI): destinado às famílias em situação de pobreza atendidas pelo Programa com crianças com até 7 anos incompletos. Cada criança recebe valor adicional de R$ R$ 150;
  • Benefício Variável Familiar (BVF): destinado às famílias em situação de pobreza atendidas pelo Programa que tem gestante, nutriz (criança de 0 a 6 meses), criança e adolescentes de 7 a 18 anos incompletos. Cada pessoa que atenda a algum desses critérios recebe valor adicional de R$ 50.

“O valor depende do número de membros na família, da composição etária e da renda declarada per capita, que revela o grau de privação monetária do domicílio, ou seja, sua situação de pobreza. Domicílios mais vulneráveis tendem a receber mais benefícios”, afirma o professor.

Com isso, é possível mapear onde estão as famílias cearenses mais vulneráveis, informação importante para o aprimoramento de políticas de combate à pobreza.

Famílias atendidas pelo Bolsa Família no Ceará

Segundo dados do Governo Federal, mais de 1,3 milhão de famílias foram contempladas com o Bolsa Família neste mês, em todo o Estado, com um investimento de mais de R$ 901,6 milhões.

Entre os diferentes benefícios do Programa, 498,1 mil crianças de zero a seis anos recebem o Benefício Primeira Infância no Ceará, com repasse total de R$ 71,1 milhões.

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Já o Benefício Variável Familiar chegou a 41,6 mil gestantes, 22,4 mil nutrizes e 877 mil crianças e adolescentes de sete a 18 anos no Estado. Para esses pagamentos, o investimento passou de R$ 44,3 milhões.

Além disso, o Governo Federal divulgou que, em março, o Programa chegou, em seu grupo prioritário e específico, ao seguinte público:

  • 11,5 mil famílias com pessoas em situação de rua;
  • 8,4 mil com pessoas indígenas;
  • 5,3 mil com quilombolas;
  • 102 com crianças em situação de trabalho infantil;
  • 3,3 mil com pessoas resgatadas de trabalho análogo ao escravo;
  • 30,3 mil com catadores de material reciclável.

O Bolsa Família como “estabilizador econômico local”

Nas cidades com maiores médias do Bolsa Família, Vitor Hugo Miro aponta que os benefícios do Programa não funcionam apenas como complemento de renda das famílias, mas como um estabilizador econômico local.

Essas cidades, segundo o docente, possuem mercados de trabalho caracterizados por baixa geração de empregos formais, resultado em maior informalidade, rendimentos mais baixos e dependência de atividades com fortes limitações produtivas, como a agricultura.

“É claro que o ideal seria que a economia destes municípios estivesse sendo sustentada por atividades produtivas, como reflexos sobre a dinâmica do mercado de trabalho. Mas pode revelar que, sem os benefícios do programa, a economia desses municípios poderia ser ainda mais vulnerável”, avalia.

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