Eixão opera com 10% de sua capacidade total
Com o novo canal, a Região Metropolitana de Fortaleza está livre de desabastecimento por 30 anos
Inaugurada na última quarta-feira, pela presidente Dilma Rousseff e pelo governador, Cid Gomes, mas ainda em fase de testes, a quinta e última etapa do Eixão das Águas, começou a abastecer o reservatório apoiado do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), com uma vazão de 500 litros, ou 0,5 metro cúbico por segundo (m³/seg.) e a Estação de Tratamento Oeste (ETA-Oeste), que abastece a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), com 800 litros ou 0,8 m³/seg. Esse volume corresponde a pouco mais de 10%, dos 9 m³/seg., que são captados a cerca de 250 quilômetros, no Açude Castanhão - hoje a principal fonte de abastecimento de água bruta da capital cearense.
A nova fonte de recursos hídricos, que quando estiver operando a plena carga irá lançar 3,5 m³/seg, no Cipp, chega para auxiliar no abastecimento do Pecém, atualmente alimentado pelo sistema Sítios Novos, com uma vazão da ordem de 1.000 litros, ou 1 m³/seg., totalizando agora 1,5 m³/seg.
Livre do risco de desabastecimento em decorrência da seca que assola o Estado, e com uma demanda da ordem de 12 m³/seg., Fortaleza está sendo abastecida com carga da 11 m³/seg. São 8,5 m³/seg., provenientes do Castanhão, via Eixão das Águas, e mais 3,5 m³/seg. Do Canal do Trabalhador. Ambos deságuam no sistema de bacias Pacoti-Riachão e chegam ao riacho Gavião, por meio de túneis interligados, e a partir daí, seguem, por bombeamento, à estação de tratamento da Cagece.
Fase de testes
Os números da vazão de águas foram informados ontem pelo diretor de Operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), José Ricardo Dias Adeodato. Segundo ele, a prioridade das águas que fluem do Castanhão pelo Eixão é abastecer o Pecém (Complexo Industrial) e a RMF.
Adeodato explica que a diferença do volume captado no Castanhão (9m³/seg), para o que chega atualmente no Pecém (0,8m³/seg) e (0,5m³/seg) na ETA Oeste, por meio do Eixão, deve-se a dois fatores: o primeiro são os usos difusos, para abastecimento de comunidades e perímetros irrigados, ao longo dos 250 quilômetros do canal. O segundo é o fato da 5ª etapa ainda se encontrar em testes de capacidade de vazão das tubulações, de válvulas e de descargas de fundo (parte baixa) e das ventosas (parte elevada) do sistema.
"Os testes ainda estão em fases preliminares, depois faremos os testes operacionais e em seguida, os de performances. Somente então, daremos carga máxima", explicou Adeodato. De acordo com ele, a previsão é que, somente a partir de abril, o Cipp esteja recebendo os 3,5m³/seg., previstos no projeto do Eixão.
Nesse primeira fase dos testes, duas bombas estão sendo utilizadas no sistema. Para se ter acesso água bruta que chega ao Cipp e demais áreas do Estado, acrescenta Ricardo Adeodato, as empresas devem buscar a Cogerh para contratar os serviços de fornecimento e pagar por ela.
O preço, explica, varia de acordo com o tipo de uso, seja industrial, comercial, para agricultura etc; e com o volume demandado e contratado.
Outorgas
"A liberação da água é feito por meio de outorgas, concedidas pela Cogerh, que é quem faz as análises do pedido, do uso e dá a outorga", explica o diretor de Operações. De acordo com a Cogerh, os preços da água bruta estão em conformidade com o decreto Estadual nº 30.629, de 19 de agosto de 2011. Pelo decreto, o setor industrial, por exemplo, paga R$ 1.484,60, por cada 1.000 m³ de água com captação e adução completa por parte da Cogerh e R$ 431,65, pelo mesmo volume, se a captação for feita pelo próprio usuário, no caso, uma indústria.
Esse valores valem para todos os tipos de mananciais - açudes, rios, lagoas, aquíferos ou canais. Para o usuário comum, a captação em mananciais da RMF, por meio de adução por gravidade, sem bombeamento, custa ao usuário R$ 99,24, por cada 1.000 m³; enquanto a que exigir bombeamento por parte da Cogerh, não sai por menos de R$ 300,00, os mesmos 1.000 m³.
Carlos Eugênio
Repórter