Dólar chega a R$ 3,66 nas casas de câmbio de Fortaleza

Valor comercializado nos estabelecimentos da Capital cearense acompanharam a alta no mercado financeiro

Legenda: Moeda americana ainda gera impacto sobre outras divisas de peso na economia internacional, como euro e libra, que foram encontradas nas casas de câmbio da Capital por até R$ 4,48 e R$ 5,20, respectivamente
Foto: Foto: Agência Reuters

Fortaleza/São Paulo. Com a alta do dólar norte-americano de 1,19% na última segunda-feira (23), as casas de câmbio de Fortaleza passaram a vender a moeda a partir de R$ 3,59 podendo chegar a R$ 3,66, uma variação de 1,95%. Pesquisa realizada ontem (24), diretamente nos estabelecimentos, constatou que o dólar estava sendo vendido a R$ 3,66 na Confidence (maior valor), R$ 3,59 na La Moneta (menor valor) e R$ 3,60 na Sadoc, Monde Câmbio e TourStar (valor intermediário).

De acordo com o economista Alex Araújo, três fatores principais são fundamentais para explicar a elevação da moeda norte-americana. "O primeiro é a possibilidade de aceleração da taxa de juros dos Estados Unidos. Há uma tendência de novos aumentos. O segundo fator está relacionado ao nervosismo do mercado às declarações do presidente Donald Trump sobre a guerra comercial com a China. O terceiro ponto é o aumento do preço do petróleo, havendo neste caso uma saída de recursos do Brasil", explica.

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Nova alta de 0,661%

No pregão de ontem (24), o dólar voltou a crescer em relação ao real, pelo quarto pregão consecutivo - embora não tenha repetido o mesmo comportamento em relação a outras moedas emergentes. O real não está tendo folga, afirmam especialistas, por conta do estreitamento do diferencial entre os juros brasileiros na comparação com os americanos, que estimulam operações de hedge por aqui.

Nas últimas semanas, o mercado tem observado que está muito vantajoso para o estrangeiro comprar ativos no Brasil e fazer "hedge na moeda", por conta do patamar mais baixo dos juros no Brasil e mais alto das taxas americanas e da libor, que interferem no cupom cambial. Como exemplo, além de comprar uma ação ou outro ativo qualquer, esse investidor compra também dólares e garante um retorno ao redor dos 3,5% nessa operação - sem contar o que obtiver com a valorização das ações e os dividendos que poderá receber.

De acordo com um gestor, essas operações estão criando uma demanda por hedge mais alta do que o normal e que, paradoxalmente, indica confiança no Brasil, uma vez que não há movimento de proteção baseada na venda de ativos, mas, sim, de compra de ativos buscando a proteção via câmbio.

O dólar à vista fechou em alta de 0,61%, cotado a R$ 3,4706, e movimentou US$ 1,3 bilhão. O dólar para maio, às 17h10, subia 0,45%, para R$ 3,47 e girava US$ 23,5 bilhões - o volume alto, na proximidade de vencimento de mês, já tende a começar a interferir nas cotações. No mês, a moeda acumula alta de 5%. O fechamento de segunda-feira continua sendo ao maior valor desde 2 de dezembro de 2016.

Euro e libra

O economista Alex Araújo diz ainda que a elevação no valor do petróleo no exterior é o fator mais preocupante porque afeta, além do dólar, outras moedas de peso na economia internacional, como o euro e a libra. "Dependendo do fator que seja predominante você tem ou não a valorização dessas moedas e este movimento está muito interligado", aponta.

Duas moedas fortes na Europa, principalmente para os turistas brasileiros, o euro e a libra variaram 1,81% e 1,36% de valor, respectivamente, nas casas de câmbio da Capital. O menor valor encontrado para o euro foi de R$ 4,40 na Sadoc, TourStar, La Moneta e Monde Câmbio. Mais uma vez, a Confidence está comercializando o maior valor da moeda europeia, a R$ 4,48.

Já a libra esterlina possui o maior valor de venda entre as três moedas pesquisadas pela reportagem. De acordo com o levantamento, a libra custa entre R$ 5,13 e R$ 5,20.

Efeitos do câmbio

A valorização das moedas estrangeiras, principalmente o dólar norte-americano, muito usado pelos brasileiros no exterior, é ruim para alguns setores e benéfico para outros. Para os turistas brasileiros, importadores, indústria que importa máquinas, comércio de produtos importados e endividados em dólar a valorização é ruim.

"Essas instabilidades do mercado de câmbio trazem mais prejuízos do que benefícios para os setores da atividade econômica. Prejuízos envolvendo o aumento do custo das viagens, como passagens e serviços que o viajante vai utilizar lá fora. Para o turista que a gente recebe aqui, ele não é tão sensível. A moeda dele aumenta o poder de compra. O nosso viajante perde lá fora e nós aqui não ganhamos mais turistas estrangeiros porque a gente concorre com outros destinos", acrescenta Araújo.

Já para turistas estrangeiros de passagem pelo Brasil, exportadores, indústria e comércio de produtos similares aos importados, e para quem tem dólar na carteira, a alta da moeda americana é benéfica.

Segundo o economista, os benefícios podem ser aproveitados principalmente pela indústria exportadora. "Traz oportunidades para esta indústria à medida que mais divisas entram no Brasil. A gente importa pouco, com exceção do petróleo, então, neste caso, o aumento da moeda norte-americana é mais benéfica que maléfica. É um ganho para acelerar a retomada da economia", reforça Araújo.

Tendências

O economista ainda afirma que o mercado já está comentando que o dólar vai estacionar entre R$ 3,30 e R$ 3,40, mas reforça que os viajantes e consumidores se programem para absorver o custo. "O cenário externo parece estar mais conturbado neste ano e há uma forte tendência da moeda estabilizar nesta faixa. É importante ainda que investidores e turistas estejam atentos a estes eventos de instabilidade e que se antecipem para já fazer a reserva do dólar para não estourar o orçamento", considera.

Além disso, Araújo diz que o ambiento político brasileiro ainda continua instável. "Ainda mais com a proximidade das eleições para presidente, é preciso ter cautela e ficar atento a estes movimentos porque ainda tem muita coisa indefinida", aconselha sobre o cenário nacional.

Para especialistas do mercado financeiro, o dólar manterá esse comportamento de valorização durante toda esta semana, em função das expectativas para a divulgação, na próxima sexta-feira (27), da inflação ao consumidor pelo PCE - meta do governo norte-americano -, que acompanha o dado preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. Além disso, nesta semana sairão dados de balanços de 180 companhias norte-americanas.

Confirmado o aquecimento da economia por lá, deverá se solidificar no mercado a expectativa de que o Federal Reserve (Banco Central norte-americano) possa elevar os juros mais rapidamente.

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