Cerveja a R$ 1 e picanha a R$ 10,90: relembre o preço dos produtos no início do Plano Real

Em 1994 o salário mínimo era apenas R$ 64,79 e até mesmo uma cerveja de R$ 1 acabava fazendo a diferença nas contas do fim do mês

Já imaginou ir em um restaurante comer picanha importada para duas pessoas, cinco cervejas e sobremesa por apenas R$ 15,90? Pois saiba que em meados da década de 90, no início do Plano Real, esse era o preço encontrado em vários restaurantes da Capital. Apesar de parecer estranho, a diferença dos preços acontece devido a diferentes fatores econômicos.
 
Ao analisar anúncios de restaurantes da década de 90 é possível encontrar filé à parmegiana para duas pessoas por R$ 8,90 e uma caipirinha por R$ 0,55. Era comum para a população sair de casa para comer e encontrar coração de frango por R$ 1,90, costela de porco por R$ 2,60, carne de sol com baião por R$ 9,90 e filé com fritas por R$ 8,90.
 
Para quem não gosta de carne vermelha, os preços também eram reduzidos. Filé de peixe podia sair por R$ 9,45, camarão ao molho por R$ 16,90 e até lagosta por R$ 19,69. As bebidas seduziam ainda mais: uma dose de whisky 12 anos era R$ 3,25 e uma caipiroska com vodka R$ 0,70.
 
Nos supermercados, a diferença também é facilmente percebida. Um quilo de peru podia sair por R$ 3,90 e uma garrafa de whisky por R$ 13,90. Biscoito cream cracker era R$ 0,75 e o açúcar R$ 0,39. A conta do final do caixa era muito mais leve com margarina por R$ 0,99 e amaciante por R$ 0,69.
 
Confira alguns anúncios da década de 90
 

Fotos: Arquivo do Diário do Nordeste

20 anos de Plano Real
 
Segundo o economista José Maria Pinto, o Plano Real, que começou em 1994, ajudou a controlar a inflação que antes chegava a 1000% em média por ano, mas ainda assim os preços continuaram a subir.
 
"Os aumentos são naturais no mercado. Um fator que influenciou foram os efeitos sazonais e do próprio clima do País. Nos últimos três anos houveram mudanças climáticas que foram muito grandes. O nordeste, por exemplo, passou por secas muito fortes e isso também impactou no preço dos alimentos. Nós também não somos autosuficientes na própria alimentação, Fortaleza principalmente precisa importar bastante", afirma.
 
Na avaliação do economista Henrique Marinho, o Plano Real conseguiu cumprir com planejado que era estabilizar e reduzir a inflação. "Como houve melhora na economia brasileira, também houve melhora no trabalho, o que gerou melhores salários e renda", explica.
 
Aumento do salário
 
Mesmo que os preços de antigamente assustem e façam as pessoas sentirem desejo de voltar no tempo, quem vivia naquela época também sentia no bolso o alto preço dos produtos. Isso porque, em 1994 o salário mínimo era apenas R$ 64,79 e até mesmo uma cerveja de R$ 1 acabava fazendo a diferença nas contas do fim do mês.
 
O economista José Maria explica que, com a elevação do salário mínimo, o poder de compra dos consumidores também aumentou. "Nos próprios supermercados, até mesmos os populares, podemos ver alimentos que antes não faziam parte do cotidiano de compra. As gôndolas dos supermercados se adaptaram ao novo perfil do consumidor, que agora mudou os seus hábitos alimentares e também sai pra comer fora até mesmo durante a semana", conta.
 
Os novos consumidores, que antes não tinham acesso a alimentos como iogurte, margarina e presunto, por exemplo, agora conseguem ampliar a sua cesta de compras. "O crescimento na demanda e procura de alimentos nesses últimos anos aumentou muito. A produção também cresceu, mas não acompanhou os novos hábitos dos consumidores da classe C, o que também causa o aumento de preço", afirma Henrique Marinho.
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