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CE deve retomar conversas com Irã até o fim do ano

Segundo o secretário Balhmann, a Niordc é a empresa iraniana com maior potencial de negócios para o Estado

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Estado discute também com chineses a possibilidade de uma refinaria. Terreno que seria para usina da Petrobras pode ser aproveitado
Foto: FOTO: LUCAS DE MENEZES

De volta após viagem ao Irã, o secretário de Assuntos Internacionais do Estado do Ceará, Antônio Balhmann, afirmou que as negociações para viabilizar uma nova refinaria seguirão durante todo o ano, mas que uma conversa mais detalhada é esperada apenas para o fim de 2018, entre os meses de novembro e dezembro. Das três companhias do país do Oriente Médio que receberam um relatório do Governo sobre o empreendimento de refino de petróleo, a que teria o maior potencial e maior interesse do Ceará é a National Iranian Oil Refining and Distribution Company (Niordc).

Além do secretário, que levou uma comitiva do Governo, a negociação contou com a presença do ministro de petróleo do Irã, representantes de três empresas interessadas - a Niordc, a National Iranian Oil Company (Nioc), e a National Petrochemical Company (NPC) - , e membros da com diretoria da chinesa Qingdao Xinyutian Petrochemical, também envolvida no projeto.

"As nossas conversas deverão acontecer durante o ano inteiro, com o Estado fazendo, agora, um trabalho de fornecer informações às empresas, sobre a legislação brasileira, políticas de meio ambiente e detalhes sobre possíveis investimentos. A expectativa é que uma conversa mais detalhada aconteça até o fim do ano, entre novembro e dezembro. Nesse momento, as empresas do Irã estão analisando todas as informações", disse.

O secretário ainda destacou que a comitiva chinesa deverá ser um ponto de apoio para conseguir atrair parceiros do país do Oriente Médio, pois, segundo ele, as relações entre chineses e iranianos têm sido constantes, apesar das várias sanções do Ocidente destinadas ao Irã.

"A China sempre teve uma boa relação com o Irã, sempre negociando óleo, então eles são parceiros de longa data e ajuda, com certeza deverá nos ajudar com as negociações, mas isso também dependerá de vários outros fatores", analisou.

Governo federal

Uma das questões que poderá influenciar as negociações para a viabilização da refinaria no Estado é a nova política de refino do governo federal, que deverá ser publicada até o fim do primeiro semestre deste ano, entre os meses de julho e agosto, pelo Ministério de Minas e Energia (MME). No último dia 24 de janeiro, o secretário de Assuntos Internacionais do Estado esteve em Brasília para discutir os novos projetos que deverão receber apoio Federal.

Balhmann afirmou que há a expectativa de que a refinaria seja contemplada pela nova política de refino, agora conduzida pelo MME e não pela Petrobras. O secretário ainda reforçou que o Estado pediu ao Governo Federal que se reafirme a intenção de firmar parceria com a China em nível nacional, o que poderá facilitar as negociações pela refinaria com o Banco de Desenvolvimento Chinês e as empresas chinesas, como a Qingdao.

"O Ministério de Minas e Energia deverá promover uma nova política de refino e tivemos essa reunião em Brasília para apresentar detalhes sobre a refinaria, juntamente com outros estados, que discutiram projetos próprios, e já há um grupo de trabalho para executar esse documento. Além disso, nós reforçamos o pedido para que o Governo Federal reafirme o interesse de fechar parcerias com a China, o que deve nos ajudar nas negociações", afirmou Balhmann.

A reunião, que durou cerca de três horas, contou com a presença de representantes dos governo do Maranhão, Rio de Janeiro, além do Ceará, e membros do MME. O encontro aconteceu em consonância com os trabalhos em curso no Comitê Técnico Integrado para o Desenvolvimento do Mercado de Combustíveis, demais Derivados de Petróleo e Biocombustíveis (CT-CB).

Anacé

Hoje (6), às 8h30, o governador Camilo Santana entregará a nova Reserva Indígena dos Anacé. A área, localizada em Caucaia, a 13 quilômetros de Fortaleza, possui 543 hectares e irá abrigar as quatro comunidades indígenas que ocupavam a área onde deverá ser instalada a refinaria, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). O terreno foi adquirido pelo Governo, que investiu R$ 14.292.308,85 em obras, de responsabilidade da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra). O local receberá as aldeias Baixa das Carnaúbas, Currupião, Matões e Bolso.

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