Blockchain: o que é e como funciona a tecnologia

Conhecida por validar as transações referente ao Bitcoin, uma das cripto moedas mais conhecidas do mundo, o blockchain é uma tecnologia de armazenamento de informação

Legenda: Blockchain pode ser usado em várias funcionalidades, segundo o sócio fundado da Blockchain One
Foto: Shutterstock

O blockchain está sendo apontado por especialistas com uma das grandes tecnologias para revolucionar as relações sociais nos próximos anos, com potencial de ter um impacto ainda maior do que a própria internet. Mas do que se trata esse sistema, que pode ser integrado em conceitos de moedas digitais até o rastreamento de produtos? 

Conhecida por ser usada para validar as transações referente ao Bitcoin, uma das criptomoedas mais conhecidas do mundo, o blockchain é, resumidamente, uma tecnologia de armazenamento de informação, de acordo com Jerffeson Teixeira, sócio fundador da Blockchain One

Ele explica que o blockchain é uma tecnologia usada para armazenar e validar informações que foi criada para eliminar a necessidade de um agente intermediário. Se uma pessoa quer transferir recursos para outra, por exemplo, atualmente, é necessário utilizar um banco ou instituição financeira para validar essa movimentação. 

Como funciona? 

Contudo, Teixeira afirma que, com o blockchain, essa necessidade de uma instituição formal deixa de existir uma vez que o sistema passa a necessitar apenas da participação de outros agentes individuais para validar a operação. No Bitcoin, por exemplo, o fluxo de transações é registrado pelos próprios usuários da criptomoeda, fazendo com que as operações sejam acompanhadas por toda a comunidade. 

Como o fluxo é substancial, com várias pessoas confirmando a mesma informação em uma sequência de blocos de informação, a operação acaba sendo validada pela própria comunidade. E a cada etapa subsequente é responsável por dar ainda mais garantia às anteriores. 

Se uma pessoa tenta fraudar, por exemplo, esse fluxo, a própria comunidade acaba sendo responsável por desbancar essa tentativa, já que haverá diversas outras entradas que confirmam os procedimentos.

Temos várias formas de explicar (o blockchain), mas a mais simples é que é uma solução de armazenamento de informação. É um banco de dados com informação peculiares, com ótimo nível de segurança. Em uma transação financeira a tecnologia blockchain consegue eliminar um intermediário, um banco, que você precisaria para dar segurança àquele informação, mas isso pode ser usado para qualquer informação que se precise de um intermediário, desde um banco até um governo
Jerffeson Teixeira
Sócio fundador da Blockchain One

"No bitcoin, por exemplo, em vez de ter um banco, eu tenho a confiança dada pela participação de todo mundo que participa daquele sistema", completou. 

Segurança do sistema 

Apesar da necessidade da interação individual dos usuários, Jerffeson Teixeira garante que o blockchain é uma tecnologia extremamente segura, por ter sido desenvolvida a partir de sistemas sólidos. Todas as informações são criptografadas – protegidas por um sistema de códigos específicos. Além disso, pela complexidade das redes de informação, o sócio da Blockchain One pondera que seria quase impossível hackear um sistema de informações baseado em blockchain. 

"Nos casos das criptomoedas pequenas a gente tem o 'ataque dos 51%', que é quando você tem controle de 51% das atividades da criptomoeda você pode controlar as ações e o fluxo de validação, mas o custos disso são muito maiores do que o benefício que ele pode trazer, então são sistemas muito seguros por serem complexos. O Bitcoin já tem 12 anos e não teve nenhuma falha, e não há perspectiva de ter", explicou.

Porém, Teixeira afirma que a tecnologia de blockchain deverá alterar as relações pessoais sobre recursos financeiros. Como as operações passarão a ter menos necessidade de um intermediário, a responsabilidade pela gestão de um recurso estará cada vez mais ligada ao usuário. 

Se, hoje, você perde sua senha do banco onde tem uma conta ou se nota uma operação fraudada no seu cartão, basta contestar o processo com a instituição financeira. Mas essa relação poderá mudar com o blockchain. 

"As vulnerabilidades sociais são uma preocupação, porque se aparece uma transação no seu cartão de crédito que você não reconhece você liga e pode ter o dinheiro recuperado pelo banco. No caso, nas aplicações de blockchain, você é dono do recurso através do token e ou senha de acesso. Se alguém te engana e você passa a sua senha ou perde seu token, você perde seu dinheiro, porque você vai ser o único responsável por essa gestão", explicou. 

Possíveis utilizações 

Ainda de acordo com o sócio da Blockchain One, essa tecnologia já está sendo implementada em várias funcionalidades, além da transação de criptomoedas. Teixeira explica que os mercados têm adaptado o blockchain para começar a negociar investimentos totalmente digitais, como tokens (representações digitais de um ativo físico) de peças de arte ou até outras coisas. 

Uma empresa poderia dividir, de forma digital, uma obra de arte em tokens e negociar com investidores pelo mundo para gerar ganhos e lucros em caso de valorizações ou novas vendas. 

"Eu pego o ativo, divido ele em vários pedaços ou tokens e comercializo em blockchain, assim eu posso comprar um pedacinho de uma obra de arte. E esse modelo tem tido sucesso, pois é outro tipo de investimento que está muito alinhado ao investidor mais jovem, que é nativo digital e já abre uma conta inteiramente pela internet. Esse investidor é totalmente alinhado com esse comportamento digital e tem interagido bem com o blockchain", disse. 

Além disso, Teixeira explicou que o blockchain pode ser usado para fazer o rastreamento de um produto comprado no supermercado. Se uma pessoa quer saber a procedência de um tomate, ela poderia acessar uma base de dados a partir de uma QR Code contendo a tecnologia de blockchain que poderia informar todos os passos daquele produto. 

As informações poderiam repassar o dia de colheita, relatado pelo produtor, e outros detalhes da cadeia até chegar ao balcão do mercado, considerando revendedores, transportadores e outros agentes. 

"Se eu compro um tomate e quero saber de onde vem eu posso usar o blockchain, que é uma tecnologia de compartilhamento de dados. Eu posso tirar a foto de um QR code e ter informações desse item. O produtor vai gravar informações, o distribuidor vai gravar informações, o atacadista, o varejista e isso vai dando garantia através do blockchain. Ela entrar como essa base dados compartilhada", comentou. 

Potencial desconhecido

Considerando todas essas perspectivas, Teixeira especula que o blockchain poderá ter um impacto no mercado global ainda maior do que a internet. Ele projetou que o mundo estaria, em uma análise comparativa, ainda na década de 1990 em relação ao blockchain. 

No começo dos anos 1990, o mundo ainda não sabia todos os potenciais e funcionalidades que a internet poderia gerar, mas já havia várias interações e funcionalidades. Teixeira, contudo, projeta que há muito espaço para a evolução dessa tecnologia ainda. 

"Eu acho que o blockchain vai mudar muito mais a vida das pessoas do que a internet. São novas formas de interação entre pessoas, empresas e governos. É um caminho longo a percorrer, mas estamos vendo isso acontecer desde hoje", afirmou. 

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