Air France deve decidir voos no próximo mês
Fontes do setor avaliam que Capital cearense sai na frente em alguns pontos na disputa pelas novas frequências
A disputa entre os terminais de Fortaleza, Recife e Salvador para receber duas frequências para a Europa, uma para Paris e outra para Amsterdã, o que também deve ampliar os voos da Gol, deve chegar ao fim em breve. O grupo Air France KLM informou ontem (20), em nota, estar seguindo procedimentos internos padrões para abertura de novas rotas e que, apesar de não haver data para o anúncio, a expectativa é que ela seja tomada até o final de agosto.
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, César Ribeiro, afirma que o Ceará está muito bem posicionado na disputa e que prefere não falar sobre favoritismos. "O Estado fez o seu trabalho e estamos respeitando os procedimentos da empresa, que dará uma decisão até o fim de agosto", destaca, apontando que a Fraport, nova concessionária do aeroporto de Fortaleza, também participa das negociações.
Ribeiro ponderou ainda que os projetos da Air France KLM e da Latam, que cogita a implementação de um hub na região, têm tempos diferentes. "A Latam tem previsão de montar um hub, mas está avaliando ainda as questões de demanda, de saber o momento certo para implantar. Como é um investimento muito grande, tem que ser uma análise mais profunda", aponta o secretário.
Potencial
De acordo com Alessandro Oliveira, especialista do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Fortaleza é, entre as cidades candidatas a hub, a mais competitiva no momento não só por causa da concessão à Fraport, mas também por conta da densidade de tráfego que já existe naturalmente para a Capital. "A empresa aérea vai escolher um local onde já exista demanda pujante, não só a demanda latente", explica o especialista.
Mas é principalmente a concessão que garante grande vantagem competitiva ao terminal cearense, avalia Oliveira, destacando que, embora o Aeroporto de Salvador também tenha sido concedido, o Pinto Martins se sobressairia por ter uma localização geográfica diferenciada. "Bahia fica ali um pouco mais abaixo, mais perto do Sudeste. Ainda assim, todos os três (aeroportos) são igualmente interessantes - a vantagem fica nos detalhes", pontua ele.
Uma fonte do setor comenta que, considerando o fato de a Air France ser francesa, haveria uma pressão natural para que o acordo fosse fechado com Salvador, que será operado pela também francesa Vinci. Porém, com o entrave quanto a localização geográfica do terminal baiano, que impediria a empresa de ter conexões eficientes com pouco tempo em terra sem a perda da "janela" de operação do aeroporto no voo de retorno, as outras cidades acabam ganhando terreno na negociação.
Desafios
Pesa para Fortaleza, na avaliação dessa fonte, uma série de investimentos obrigatórios que a Fraport precisa realizar, que poderão afetar um pouco a qualidade da operação.
Ainda assim, pode fazer a diferença o fato de o governo estar apoiando o investimento, uma vez que eventuais dificuldades encontradas nesta degradação podem ser minimizados com a coordenação junto aos órgãos que compõem a autoridade aeroportuária.