Ceará na mira de empresas do setor químico da Austrália
A Austrália tem demonstrado interesse de realizar investimentos no Ceará. De acordo com o secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE), Cesar Ribeiro, houve um primeiro contato para a formatação de uma agenda entre empresários australianos e cearenses. "A ideia inicial é uma visita à Embaixada da Austrália no Brasil para empresas fazerem negócios. Já houve um contato com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)", aponta o titular da SDE.
Ainda segundo ele, empresas do setor químico e metalúrgico estariam interessadas em conhecer as potencialidades do Ceará. "É tudo muito inicial. Ainda não existe uma agenda para os encontros e não sabemos quais seriam essas empresas", diz.
Além da Austrália, Ribeiro afirma que há uma aproximação do Consulado Britânico em Fortaleza com o governo cearense. "Eles também estão interessados em trazer investimentos para o Estado. Demonstraram uma aproximação maior".
O secretário da SDE também cita o Emirados Árabes como um dos potenciais investidores no Ceará. "Os Emirados estão no nosso radar para a captação de investimentos".
Austrália, Grã-Bretanha e Emirados Árabes, compõem a lista de próximos parceiros do governo cearense para futuros investimentos. O secretário reforça que há um esforço do Estado de trazer potenciais investidores para o mercado local. "Nós temos um fórum de atração de investimentos. A nossa dedicação atualmente é entregar os projetos que estão em andamento, mas sempre procurando novos parceiros para o Estado", diz.
Ambiente favorável
De acordo com José Dias, vice-presidente do Sindicato das Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Destilação e Refinação de Petróleo do Estado do Ceará (Sindquímica-CE), já existe no Ceará um ambiente favorável para os negócios do setor químico entre o Brasil e a Austrália. "O maior negócio é o da Nufarm aqui no Estado, que tem sede na Austrália. Hoje o Brasil é o principal negócio do grupo", observa.
A Nufarm é uma fabricante global de defensivos agrícolas localizada em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. De acordo com o ranking Melhores & Maiores, da revista Exame, a Nufarm está na 7ª posição entre os maiores grupos empresariais do Estado do Ceará.
Roterdã só em maio
Neste sentido de dar andamento aos projetos existentes, o secretário do Desenvolvimento Econômico se reuniu nos últimos dois dias com executivos do Porto de Roterdã para discutir os próximos passos da parceria com o Porto do Pecém. Ele diz que entre abril e maio vai entregar o projeto final ao governador Camilo Santana. "As expectativas têm sido muito boas. Nós tivemos três etapas desta última reunião, com a área técnica, que falta finalizar o projeto, passamos também por uma reunião executiva com a diretoria de Roterdã para alinhar as ações estratégicas e finalizamos com encontro com o governador em que foi alinhado os próximos encaminhamentos", esclarece.
Segundo ele, mais uma etapa para a concretização deve ser concluída até este primeiro semestre. "Ainda faltam laudos de empresas terceiras e avaliações técnicas. É uma negociação extremamente complexa. Quando você traz um novo parceiro, tem de serem feitas uma série de ajustes, como acordo com acionistas, por exemplo".
Ele também afirma que até março haverá uma nova reunião do Estado com os executivos de Roterdã. "Ainda não marcamos a data e não sabemos se este encontro será aqui no Ceará, em São Paulo ou em Roterdã".
O secretário diz que colocou à disposição dos executivos holandeses toda a equipe necessária. "Toda semana a gente fala com eles e nesta reunião eles reafirmaram o interesse na parceria".
Com a parceria com Roterdã, a meta é dobrar a movimentação de cargas nos próximos 10 anos. "Com o aumento da movimentação, você automaticamente tem novas cargas e novas indústrias. A gente espera que com Roterdã, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) tenha uma nova dinâmica e se desenvolva ainda mais", explica.
Segundo o secretário, se trabalha com uma participação do Porto de Roterdã no negócio entre 10% e 20%. "Eu particularmente acho 20% um bom número. Pelo Estado ser majoritário, a decisão final obviamente será do Estado", observa.