Arce registra 6.569 queixas dos serviços regulados no CE
Entra ano e sai ano e os serviços de fornecimento de energia, saneamento básico e de transportes prestados pelas concessionárias e empresas atuantes no Ceará continuam deixando a desejar e gerando milhares de reclamações do usuários, apesar dos reajustes anuais nos preços das tarifas. Relatório da Ouvidoria da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce), divulgado ontem, revela que no ano passado foram registradas 6.469 queixas, sendo 5.987 direcionadas à Companhia Energética do Ceará (Coelce), 339 à Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e 143 reclamações referentes ao setor de Transportes.
Ao longo de 2014, foram realizados 152.291 atendimentos, sendo 145.862 pedidos de informações, englobando esses três setores, regulados pela Arce. Doto tal de queixas feitas na Agência reguladora, a Coelce respondeu por 92,5%, a Cagece por 5,24% e o setor de transportes por 2,21% dos pedidos.
Maiores queixas
"Todas essas são reclamações que chegam à Ouvidoria porque não foram resolvidas pelas empresas", explica a ouvidora Geral da Arce, Daniela Cambraia, segundo quem, o número de problemas ainda pode ser maior, visto que muitas pessoas, sobretudo as residentes no interior do Estado, convivem com problemas de falta de energia, de água e de esgoto, e não reclamam.
Com relação à Coelce, a ouvidora informa que do total de reclamações, 1.087 foram decorrentes de problemas de interrupção no fornecimento de energia e outros 1.419, relativos a atrasos ou negativas de pedidos de ligação e extensão de rede elétrica. "Esse é um problema antigo, que vem desde 2012, e que só cresce a cada ano", ressalta Daniela Cambraia, lembrando que, por conta da recorrência, os problemas de prestação de serviços da Coelce estão sob discussão e análise pela Aneel.
Com relação à Cagece, a Arce registrou, no ano passado, 643 atendimentos, sendo 304 pedidos de informação e 339 reclamações. Desse total de queixas não atendidas pela Companhia, 95 foram por problemas de falta de água ou baixa pressão, 63 por solicitações de ligações não atendidas e 38, por fuga de esgoto na rede pública, do interior. Em Fortaleza, os serviços da Cagece são regulados pela Asfor.
Explicações
Sobre o relatório da Arce, a Coelce informa que, entre as empresas fiscalizadas pela agência, "é a que apresenta o maior número de clientes (cerca de 3,6 milhões) e é a única que está presente em todo o Ceará" e que "dos R$ 274,8 milhões investidos em 2014, cerca de 52%, foram destinados à conexão de novos clientes". Já a Cagece, diz que "busca atuar preventivamente para evitar descontentamento dos seus 1,7 milhão de clientes no Ceará.