Suzane Richthofen é nomeada gestora de herança milionária após morte de tio

Decisão judicial diz que o histórico criminoso dela não foi considerado no processo do inventário.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 12:32)
Colagem mostrando o rosto de Suzane em uma foto pessoal, e Miguel ao lado em outro momento.
Legenda: Suzane von Richthofen não tinha um bom relacionamento com o tio, que foi tutor legal da herança dos pais dela e de Andreas.
Foto: Reprodução.

Condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os próprios pais, Suzane von Richthofen agora foi nomeada pela Justiça de São Paulo como inventariante da herança de um tio, o médico Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em janeiro.

A decisão judicial diz que o histórico criminoso dela não foi considerado no processo do inventário do patrimônio de R$ 5 milhões

"Esclareço que o histórico criminal da herdeira não tem relevância jurídica nestes autos e, considerada a falta de manifestação de interesse por parte do outro herdeiro, é ela a única pessoa apta ao múnus [com o dever legal]", afirmou a juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões, na decisão. As informações são do portal g1.

Suzane disputava a gestão do inventário com Silvia Magnani, prima de primeiro grau do falecido e companheira dele por mais de uma década. Ambas solicitaram o direito de administrar os bens do médico até a conclusão da partilha da herança.

A disputa pode mudar de rumo caso exista um testamento.

Pela legislação brasileira, metade dos bens pode ser destinada livremente, enquanto a outra parte é reservada aos herdeiros legais.

Como Miguel não tinha filhos, pais ou irmãos vivos, os sobrinhos aparecem à frente dos primos na linha sucessória. Sem testamento, a herança, em tese, ficaria com Suzane e o irmão dela, Andreas.

A decisão da Justiça de São Paulo em nomear Suzane como inventariante não a torna automaticamente herdeira. Ela fica responsável por gerenciar os imóveis, contas e o carro deixado por Miguel, sob supervisão judicial, sem poder vender ou transferir nada.

O médico Miguel Abdalla Netto era irmão de Marísia, mãe de Suzane. Ele havia sido tutor de Andreas após o assassinato dos Richthofen. Os dois, no entanto, romperam anos depois.

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Morte suspeita

Miguel foi encontrado morto dentro de casa, no Campo Belo, zona sul de São Paulo, na madrugada de 10 de janeiro. Um vizinho estranhou a falta de contato por cerca de dois dias, subiu no muro e viu o corpo sentado em uma poltrona no quarto. A Polícia encontrou o cadáver em avançado estado de decomposição.

A Polícia Civil trata o caso como morte suspeita e aguarda laudos periciais. O IML apontou que a principal hipótese é infarto fulminante, devido ao inchaço do coração e à ausência de sinais aparentes de violência.

Casa na disputa

A tensão também envolve a casa onde Miguel morava. Tanto Silvia quanto Suzane procuraram, em momentos diferentes, o vizinho que está com a chave do imóvel. Ele afirmou que só entregará o acesso mediante ordem judicial.

Durante os anos de convivência com Silvia, Miguel demonstrava desconfiança em relação à sobrinha e temia manobras para acesso ao patrimônio da família, inclusive aos bens de Andreas, que herdou sozinho cerca de R$ 10 milhões após Suzane ser considerada indigna de receber a herança dos pais. Esse receio voltou à tona quando Suzane tentou liberar o corpo alegando agir para proteger os bens do filho, tentativa que não teve sucesso.

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