Passista que teve braço amputado contesta versão de que teria sido alertada sobre riscos

Conforme declaração, exames realizados antes da cirurgia não apontaram problemas

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 20:54)
passista, rio de janeiro, braço amputado
Legenda: Alessandra dos Santos Silva, de 35 anos, passista da Grande Rio teve parte do braço esquerdo amputado
Foto: Reprodução/TV Globo

A passista e cabeleireira Alessandra dos Santos Silva, que teve parte do braço esquerdo amputado após ir ao hospital realizar a retirada de mioma no útero, contestou nota da Secretaria da Saúde do Rio de Janeiro, divulgada nesta terça-feira (25). As informações são do O Globo.  

Veja também

Segundo o texto, no Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart, Alessandra foi informada sobre os riscos da cirurgia. A passista não concorda com essa informação. 

"Perguntei se havia outro risco [além de perder o útero]. Mas ele [o médico] alertou apenas que poderia haver sangramento. A única coisa que me disseram sobre risco foi isso. Agora, de perder o braço ninguém falou nada. Se disseram algo desse tipo é mentira. Não havia como dar complicação nenhuma porque não sou alérgica a medicamento nenhum", relatou a paciente, que disse ter conversado com um único médico.

Ela continuou a declaração afirmando que os exames pré-cirurgia não apontaram problemas. “Querem dizer que me alertaram do risco da cirurgia para eu ficar com uma culpa que não é minha”. 

Alessandra conta ainda que ao deixar o hospital foi preciso realizar uma limpeza na barriga, pois, de acordo com ela, a região estava “infectada e com pele morta”. 

A passista da Grande Rio planeja pedir indenização ao Estado, porque era ela quem mantinha o sustento da casa com seu trabalho, já que a mãe teve câncer de mama e o pai é aposentado. Hoje, a família vive apenas com dinheiro de uma vaquinha virtual organizada pelos amigos. 

"Eu era trancista implantista. Precisava do meu braço para trabalhar. Daqui para a frente vou precisar de ajuda do estado para me manter. Tem que me dar uma indenização, já que psicologicamente e fisicamente não vão conseguir me restaurar. Não consigo nem me olhar no espelho. Era noiva e nem sei se ainda sou. Sonhava ser mãe e destruíram isso. Era uma passista vaidosa. Não me vejo mais nem sambando sem o meu braço", disse. 

A família registrou queixa na 64ª Delegacia de Polícia.

Respostas

A Acadêmicos do Grande Rio se posicionou sobre o caso e diz estar acompanhado a situação da passista. "Nos uniremos ao esforço de buscar justiça diante do ocorrido", diz o texto. 

O Estado também deu sua reposta acerca do assunto:

"Apesar de todo empenho da equipe, lamentavelmente, a evolução clínica da paciente foi desfavorável". Ainda segundo o Estado, no pós-operatório, foi identificada uma hemorragia interna. Para salvar a vida da paciente, segundo o texto, foi necessária a retirada do útero, transfusão sanguínea e administração de doses elevadas de medicamentos "que provocam o estreitamento dos vasos sanguíneos para manter a pressão arterial, mas que podem causar uma oclusão arterial como efeito adverso".

Levantamento preliminar do caso aponta que foi isso que aconteceu no braço da paciente, informou a nota.

Relembre o caso 

Alessandra dos Santos Silva, de 35 anos, teve parte do braço esquerdo amputado após ir ao hospital retirar miomas no útero. O caso ocorreu no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano, e foi divulgado nesta semana.

Conforme noticiado pelo g1, Alessandra não lembra como os fatos se sucederam após a cirurgia. "Só lembro mesmo de acordar em outro hospital sem o braço", disse.

Foram meses na fila de espera e só em fevereiro deste ano a passista recebeu uma ligação a convocando para a cirurgia de retirada do mioma.

A Secretaria da Saúde do Rio de Janeiro e a Polícia Civil apuram o caso. Uma sindicância será aberta para investigar o que aconteceu no Hospital da Mulher Heloneida Studart.

Veja a nota na íntegra 

A Fundação Saúde, que administra o Hospital da Mulher Heloneida Studart (HMulher), lamenta o ocorrido e informa que abriu sindicância para apurar o caso.

A direção do HMulher informa que a equipe da ginecologia da unidade definiu, em conjunto com a paciente, esclarecendo pros e contras, o procedimento necessário ao caso em questão. A paciente tinha um volumoso mioma uterino.

Apesar de todo empenho da equipe, lamentavelmente, a evolução clínica da paciente foi desfavorável. No pós-operatório, foi identificada uma hemorragia interna. Para salvar a vida da paciente, foi necessária a retirada do útero, transfusão sanguínea e administração de doses elevadas de aminas vasoativas, que provocam o estreitamento dos vasos sanguíneos para manter a pressão arterial, mas que podem causar uma oclusão arterial como efeito adverso. Levantamento preliminar do caso aponta que foi isso que aconteceu no braço da paciente.

Com a estabilização da paciente, foi possível a transferência para o Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (IECAC), unidade com equipe de cirurgia vascular, para o seguimento adequado do caso. Após esclarecimentos à família sobre a necessidade da amputação para salvar a vida da paciente, o procedimento foi realizado.

A direção do HMulher manteve contato constante com a direção do IECAC para acompanhar a evolução da paciente. Após a alta, a equipe do HMulher fez contato com familiares e foi agendada consulta para acompanhamento ambulatorial.

Assuntos Relacionados