Marcelinho Carioca deve indenização de R$ 690 mil à família de jovem que morreu em sítio há 28 anos

Ex-jogador se nega a pagar valores aos famíliares, que lutam na Justiça pelo direito desde 1998.

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Redação producaodiario@svm.com.br
foto do jogador Marcelinho Carioca em entrevista ao Sportv.
Legenda: Ex-atleta disse que jovem "morreu por culpa dele mesmo".
Foto: Reprodução/Sportv.

A família do jovem Cristiano Donizeti Machado de Campos, que morreu pisoteado por um cavalo no sítio do ex-jogador Marcelinho Carioca, luta há décadas na Justiça para receber uma indenização fixada hoje em R$ 690 mil.

Desde a morte de Cristiano, em 1998, os familiares recorrem ao sistema judiciário pelos valores, mas o ex-atleta se nega a pagar, segundo o jornal Folha de S. Paulo. 

À época, o jovem executava serviços gerais de pintura e manutenção no sítio de Marcelo. Ele era menor de idade e trabalhava na propriedade sem carteira assinada.

No dia da tragédia, Cristiano foi ordenado a recapturar um cavalo que havia fugido da propriedade, mesmo sem ter treinamento para lidar com o animal.

O cavalo correu na direção do jovem assim que foi laceado e pisoteou o adolescente. Ele não resistiu aos ferimentos.

Jogador se nega a pagar a indenização

Desde a morte de Cristiano, Marcelinho Carioca nunca apareceu, revelou a família em entrevista à Folha de S. Paulo.

"Nem ao funeral o Marcelinho compareceu", afirmou Servio, pai de Cristiano. Nem mesmo com os custos do enterro a família pôde contar com o ex-atleta. Foi aí que os pais do jovem decidiram processar Carioca.

Segundo a publicação, a ação foi ajuizada três meses depois da morte e pediu que o então atleta fosse condenado a pagar R$ 137 mil ao pai de Cristiano pela a morte do filho.

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"Morreu por culpa dele mesmo", teria dito Marcelinho

O ex-jogador, à época vestindo a blusa do Corinthians, contestou a família, alegando não ter responsabilidade sobre o acidente nem sobre a contratação do jovem.

Marcelo chegou a afirmar à Justiça que o adolescente havia morrido por culpa dele mesmo, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Segundo ele, a vítima havia sido admitida na propriedade pelo caseiro. Apesar das alegações, foi derrotado em todas as instâncias do Poder Judiciário.

A Justiça, porém, mudou o valor da indenização: o valor caiu de R$ 415.327,58, em valores já corrigidos pela inflação, para mil salários mínimos após o julgamento em segundo grau.

O ex-atleta tentou recorrer, mas sem sucesso, e o caso foi definitivamente encerrado em dezembro de 2011. A execução dos valores devidos já começou em julho do ano seguinte.

Segundo a família, a indenização nunca foi paga por Marcelinho desde então. A demora no pagamento fez a dívida aumentar de R$ 145 mil para R$ 690 mil, valor fixado hoje pela incidência de juros e correção monetária.

No início desde ano, Servio, pai de Cristiano, pediu a penhora dos créditos a que Carioca tem direito e teve a solicitação deferida pela Justiça.

O que diz a defesa de Marcelinho Carioca

À Folha, a defesa de Marcelinho alega não ter sido comunicada sobre a penhora, mas disse que o ex-atleta "permanece à inteira disposição da Justiça para cumprir todas as determinações que venham a ser fixadas, demonstrando respeito às instituições e às decisões judiciais".

Sobre o incidente envolvendo a morte de Cristiano, a defesa sustenta que o jovem "nunca foi funcionário de Marcelinho" e que os advogados que representaram o jogador na época conduziram o caso de forma equivocada.

A nota diz ainda que "Marcelo manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e que não há qualquer compensação capaz de reparar a perda de um jovem" e entende, como pai, "a dimensão da dor enfrentada pela família, solidarizando-se profundamente com todos os envolvidos".

A família diz acreditar na decisão da Justiça brasileira. "O Cristiano morreu trabalhando. Éramos todos pequenos. Eu tinha 8 anos quando ele se foi", disse um dos irmãos da vítima, Fernando Machado, hoje com 36 anos.

Thiago Campos, também irmão de Cristiano, demonstra preocupação e questiona se os pais receberão a indenização ainda em vida. "Quanto tempo a mais eles têm?", pergunta.

Os filhos sonham em ver os pais "sossegados, com uma vida tranquila na casa própria e cuidando da vida na roça, longe do serviço pesado das ruas".

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