CPI da Covid-19 ouve depoimento do presidente da Anvisa Antonio Barra Torres

Os senadores esperam que ele fale sobre o processo de autorização do uso de vacinas contra o novo coronavírus

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, participa de oitiva, nesta terça-feira (11), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura possíveis omissões do Governo Federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19. A reunião está marcada para iniciar às 10h.

Os senadores esperam que ele fale sobre o processo de autorização do uso de vacinas contra o novo coronavírus. Inicialmente, o depoimento estava previsto para acontecer no dia 6 de maio, mas teve que ser adiado. 

SIGA DEPOIMENTO Do presidente da anvisa EM TEMPO REAL

  

A liberação de imunizantes teve início em janeiro, com o fornecimento da autorização emergencial para a vacina CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.  

Até agora, a Anvisa já aprovou o uso de quatro imunobiológicos: além da CoronaVac, as vacinas da Janssen, da Oxford/Astrazeneca e da Pfizer. Somente as duas últimas têm registro definitivo, enquanto as outras se baseiam em autorização emergencial. 

Mês passado, a agência reguladora foi criticada por negar o registro do imunizante russo Sputnik V, alegando falhas no processo de produção. O episódio motivou um dos quatro requerimentos que convocou Barra Torres à Comissão.   

Os senadores desejam que seja esclarecida a recusa, através da apresentação das atas e gravações em vídeo das reuniões em que foi tratada sobre a vacina.  

  

Para o vice-presidente da CPI Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Barra Torres precisa explicar por que houve “atraso e omissão” na compra de imunizantes.   

“Só foi possível chegar a essa situação catastrófica por conta dos inúmeros e sucessivos erros e omissões do governo no enfrentamento da pandemia da covid-19 no Brasil”, justifica. 
 

Antonio Barra Torres frente à Anvisa  

Barra Torres foi oficializado na chefia da agência reguladora brasileira em novembro de 2020, em plena pandemia. Assim como vários membros do primeiro e segundo escalão do governo Bolsonaro, ele é militar contra-almirante da Marinha.     

Alinhado a Bolsonaro, participou, em abril de 2020, das manifestações antidemocráticas a favor do presidente e não usou máscara. 

Pouco tempo após assumir o cargo, interrompeu os testes da Coronavac, episódio que causou questionamentos sobre a independência da Anvisa.     

Outras oitivas na CPI   

Dois ex-ministros da Saúde do governo Bolsonaro já foram ouvidos no Plenário do Senado na semana passada.  

Luiz Henrique Mandetta foi a primeira testemunha a participar da comissão, em 4 de maio, e em um depoimento que durou quase 8 horas o ex-ministro detalhou como foi sua gestão frente ao MS.    

O oncologista Nelson Teich foi ouvido no dia 5 e também falou sobre os bastidores dos 29 dias em que foi titular da pasta.    

O atual ministro da pasta, Marcelo Queiroga também foi convocado. Na oitiva de quinta-feira (6), ele se negou a emitir opinião sobre o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 e disse que vacinar a população é a principal medida do MS no combate à doença.  

AGENDA DA semana  

  • terça-feira (11): diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres.  
  • quarta-feira (12): ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fábio Wajngarten 
  • quinta-feira (13): presidente da subsidiária brasileira da Pfizer, Marta Díez. 
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