Marcelo Queiroga diz que objetivo do Ministério da Saúde é vacinar população contra Covid

Ouvido em CPI no Senado Federal, o ministro driblou perguntas sobre atuação de Bolsonaro na pandemia

ministro marcelo queiroga, senador randolfe rodrigues e senador renan calheiros
Legenda: O ministro Marcelo Queiroga (à esquerda) foi ouvido pelos senadores nesta quinta-feira (6)
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o principal objetivo da pasta é a "imunização da população brasileira como um todo", por meio da vacinação. O cardiologista participa, nesta quinta-feira (6), de oitiva durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar as ações e possíveis omissões do Governo Federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19

Evitando responder perguntas sobre a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na pandemia, o ministro chegou a irritar senadores membros da CPI. Ele é o terceiro gestor da pasta na gestão Bolsonaro a comparecer à CPI. Na terça (4), foi ouvido o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta e, nesta quarta (5), o ex-ministro Nelson Teich.

A meta, reforçou, é que toda a população acima de 18 anos esteja vacinada até o fim do ano "desde que todas as doses contratadas cheguem".

"A luta por mais doses é diária. O senhor pode acreditar que nós não temos descanso de 1 minuto. Eu chego ao Ministério às 7h30 e às vezes saio meia-noite. Eu estou procurando fazer a minha parte. Não depende só de mim", disse o ministro.

Hidroxicloroquina e cloroquina

Durante a sessão, Queiroga foi questionado por diversos senadores sobre qual é sua opinião em relação à prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus. E respondeu de forma evasiva, evitando revelar se é a favor ou contra o uso do medicamento. 

O remédio foi amplamente divulgado, ao longo da pandemia, pelo presidente Jair Bolsonaro como tratamento para a doença. A cloroquina é ineficaz contra a Covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O ministro respondeu que não recebeu nenhuma orientação de Bolsonaro referente ao uso da hidroxicloroquina, mas se recusou a avaliar a posição do presidente em defesa do medicamento. "Todos nós estamos aguardando a resposta. Não tem três palavras, só tem uma: 'sim' e 'não'", disse o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). "Até minha filha de 12 anos falaria 'sim' ou 'não'", completou.

Queiroga, que é médico, também se recusou a dar sua própria avaliação sobre o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. Afirmou que a instância adequada para analisar essa questão seria a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), da qual faz parte, que está elaborando um protocolo.

"Segundo o decreto-lei que regulamenta a Conitec, eu sou instância final decisória. Então, eu posso ter que dar um posicionamento acerca desse protocolo, de tal sorte que eu gostaria de manter o meu posicionamento final acerca do mérito do protocolo quando o protocolo for elaborado", disse.

Posteriormente, ele reconheceu que a hidroxicloroquina pode causar arritmias cardíacas, embora ressalte que são seguros. "A instância própria é essa. Esta é a instância", reagiu o relator, Renan Calheiros.

Antes de assumir o cargo de ministro, Queiroga era presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Sob sua gestão, a organização ressaltou a importância da imunização em massa e recomendou que a cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina não fossem usadas contra a doença.

Atuação do ministro

O ministro da Saúde não soube dar certeza a respeito de ações de sua pasta para a distribuição de cloroquina para estados e municípios, apenas disse que não tinha conhecimento. "Eu não autorizei distribuição de cloroquina na minha gestão. Eu não tenho conhecimento de que esteja havendo distribuição de cloroquina na nossa gestão", disse Queiroga, após ser questionado.

Em diversos momentos do depoimento, Queiroga disse que não faria "juízo de valor" e assim evitou responder diretamente a perguntas feitas pelos parlamentares. O ministro deu essa resposta, por exemplo, quando perguntado se concordava com a declaração de Bolsonaro de que poderia editar decreto contra política de isolamento social.

Após a insistência na pergunta, apenas respondeu que o presidente pensa em preservar a liberdade das pessoas e com isso ele concordava. Por outro lado, reconheceu que não foi consultado pelo Palácio do Planalto a respeito de uma medida nesse sentido, apesar de sua pasta estar no centro das discussões.

Em uma rara opinião sobre falas do presidente Jair Bolsonaro, Queiroga disse que desconhece "indícios de guerra química na China". No dia anterior, o presidente havia levantado essa possibilidade.

"É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?", disse o presidente em evento no Palácio do Planalto. "Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês."

Vacinas contratadas

O ministro da Saúde também foi questionado sobre a quantidade de vacinas contratadas pelo País e se confundiu ao dizer o número. Inicialmente, ele falou que houve contratação de 563 milhões de doses de imunizantes, mas foi corrigido por um assessor e alterou para 430 milhões a quantidade. A diferença entre os números são referentes a doses que a Fiocruz produzirá.

 

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