CPI da Covid-19 discute nesta semana compra e chegada de vacinas ao Brasil; veja agenda

O diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres, e a presidente da Pfizer no país, Marta Díez, serão alguns dos ouvidos

Omar Azis e Randolfe Rodrigues em CPI da Covid-19
Legenda: A comissão apura possíveis omissões do Governo Federal no enfrentamento da pandemia causada pelo novo coronavírus
Foto: Agência Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura possíveis omissões do Governo Federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19 volta a se reunir nesta semana. As audiências terão como foco investigar a chegada das vacinas no Brasil

Nesta terça-feira (11), será ouvido o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, ele será a primeira oitiva da semana. A agência regulatória é responsável por fornecer a aprovação para uso dos imunizantes no País. 

A liberação de vacinas teve início em janeiro, com a autorização emergencial para o imunizante CoronaVac, desenvolvido pelo Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac.

Até agora, a Anvisa já aprovou o uso de quatro imunobiológicos: além da CoronaVac, as vacinas da Janssen, da Oxford/Astrazeneca e da Pfizer. Somente as duas últimas têm registro definitivo, enquanto as outras se baseiam em autorização emergencial.

Mês passado, a agência reguladora foi criticada por negar o registro do imunizante russo Sputnik V, alegando falhas no processo de produção. Os senadores desejam que seja esclarecida a recusa, através da apresentação das atas e gravações em vídeo das reuniões em que tratou sobre a vacina. 

Barra Torres foi oficializado na chefia da Anvisa em novembro de 2020, em plena pandemia. Assim como vários membros do primeiro e segundo escalão do governo Bolsonaro, ele é militar contra-almirante da Marinha. 
  
Inicialmente, o depoimento de Barra Torres estava previsto para acontecer no dia 6 de maio, mas teve que ser adiado após os senadores decidirem que não finalizariam a tempo a oitiva com o ministro da Saúde Marcelo Queiroga.  

Recusa de 70 milhões de doses da Pfizer 

A comissão ouve a presidente da subsidiária brasileira da farmacêutica norte-americana Pfizer, Marta Díez. Recentemente, a empresa entregou ao Ministério da Saúde cerca de 1 milhão de doses, mas revelou que já negociava com o governo brasileiro desde o ano passado. 

Segundo a Pfizer, o Governo Federal rejeitou a oferta de 70 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 em agosto de 2020, de um total de três propostas. O imunizante desenvolvido pela farmacêutica foi a primeira a obter registro definitivo na Anvisa, no final de fevereiro.

Do total de doses prometidas, 3 milhões estavam previstas para serem entregues até fevereiro, conforme o jornal Folha de S. Paulo. O número é equivalente a cerca de 20% das doses já distribuídas no país até agora.

Também sobre as negociações entre o governo brasileiro e a Pfizer, a CPI ouve o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, na quarta-feira (12). 

Ele deixou o cargo no início de março e, em uma entrevista concedida semanas depois, atribuiu ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello a responsabilidade pelo encerramento das negociações com a farmacêutica norte-americana.

Pazuello será ouvido pela CPI no próximo dia 19. Seu depoimento seria na semana passada, mas foi adiado após ele informar que teve contato com casos confirmados de Covid-19.

Cronograma 

  • terça-feira (11): diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres. 
  • quarta-feira (12): ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fábio Wajngarten
  • quinta-feira (13): presidente da subsidiária brasileira da Pfizer, Marta Díez. 
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