A Rússia realizou um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia desde o início da guerra, nesta quinta-feira (28), deixando pelo menos 14 pessoas mortas, incluindo três crianças, na capital Kiev. A informação foi divulgada pelas autoridades locais e o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que acusou Moscou de preferir "continuar matando" ao invés de negociar por paz.
Segundo o Ministério da Defesa russo, a investida bélica teve como alvo "empresas do complexo militar-industrial e bases aéreas militares" do País vizinho. No entanto, conforme a agência de notícias AFP, os drones e os mísseis atingiram uma escola e um centro comercial.
Segundo o Exército ucraniano, a Rússia utilizou 598 drones e 31 mísseis, incluindo dois supersônicos Kinzhal, no segundo maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início da invasão, em fevereiro de 2022.
Equipes de emergência e vários moradores atuaram para retirar os escombros do centro de Kiev depois da investida.
'Massacre deliberado de civis'
Correspondentes da AFP em Kiev viram um míssil abatido e ouviram explosões potentes, além de drones sobrevoando a cidade, enquanto os moradores corriam para os abrigos subterrâneos e estações de metrô em busca de proteção, alguns deles com seus animais de estimação.
O edifício da missão da União Europeia (UE) na capital ucraniana foi atingido pelo ataque russo, afirmou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que destacou que o bloco "não se deixará intimidar" pela Rússia. O escritório do British Council também foi "gravemente danificado" no bombardeio, informou a instituição no Facebook.
Os governos da França e do Reino Unido condenaram o novo ataque russo. "629 mísseis e drones em uma noite contra a Ucrânia. Está aí a vontade de paz da Rússia. Terror e barbárie", disse o presidente francês, Emmanuel Macron.
Putin está matando crianças e civis, e sabotando as esperanças de paz. Este banho de sangue deve terminar."
Zelensky chamou o ataque de um "massacre horrível e deliberado de civis" e afirmou nas redes sociais que "os russos não estão escolhendo terminar a guerra, e sim atacar novamente".
"Pela rejeição do cessar-fogo e pelas tentativas constantes da Rússia de evitar as negociações, são necessárias novas sanções severas", acrescentou o gestor, que citou em particular os aliados da Rússia, como China e Hungria.
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Negociações para fim do conflito
O ataque contra Kiev ocorre após três anos e meio da invasão russa e com as negociações de paz bloqueadas, apesar da pressão americana.
O Kremlin afirmou nesta quinta-feira que a Rússia "continua interessada" nas negociações de paz com a Ucrânia, mas que continuará atacando o país enquanto não alcançar seus "objetivos".
"As Forças Armadas russas estão cumprindo sua missão. Continuam atacando alvos militares e paramilitares", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov. "Ao mesmo tempo, a Rússia continua interessada em prosseguir o processo de negociação para alcançar seus objetivos por meios políticos e diplomáticos", acrescentou.
Na véspera dos bombardeios, a Rússia rejeitou a possibilidade de um encontro em breve entre Zelensky e o presidente russo, Vladimir Putin. Kiev considera a reunião crucial para romper o impasse sobre como acabar com a guerra.