Rússia faz um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia e deixa mortos em Kiev

Drones e mísseis russos atingiram diversas estruturas e prédios, entre eles uma escola e um centro comercial

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(Atualizado às 10:14)
Imagem mostra socorristas ucranianos realizando uma operação de busca e resgate em torno de um edifício residencial gravemente danificado durante um ataque russo com mísseis e drones contra Kiev, na Ucrânia
Legenda: Equipes de emergência e vários moradores lutam para retirar os escombros do centro da Capital após a investida de Moscou
Foto: GENYA SAVILOV / AFP

A Rússia realizou um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia desde o início da guerra, nesta quinta-feira (28), deixando pelo menos 14 pessoas mortas, incluindo três crianças, na capital Kiev. A informação foi divulgada pelas autoridades locais e o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que acusou Moscou de preferir "continuar matando" ao invés de negociar por paz.

Segundo o Ministério da Defesa russo, a investida bélica teve como alvo "empresas do complexo militar-industrial e bases aéreas militares" do País vizinho. No entanto, conforme a agência de notícias AFP, os drones e os mísseis atingiram uma escola e um centro comercial

Segundo o Exército ucraniano, a Rússia utilizou 598 drones e 31 mísseis, incluindo dois supersônicos Kinzhal, no segundo maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início da invasão, em fevereiro de 2022.

Equipes de emergência e vários moradores atuaram para retirar os escombros do centro de Kiev depois da investida. 

'Massacre deliberado de civis'

Correspondentes da AFP em Kiev viram um míssil abatido e ouviram explosões potentes, além de drones sobrevoando a cidade, enquanto os moradores corriam para os abrigos subterrâneos e estações de metrô em busca de proteção, alguns deles com seus animais de estimação.

O edifício da missão da União Europeia (UE) na capital ucraniana foi atingido pelo ataque russo, afirmou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que destacou que o bloco "não se deixará intimidar" pela Rússia. O escritório do British Council também foi "gravemente danificado" no bombardeio, informou a instituição no Facebook.

Os governos da França e do Reino Unido condenaram o novo ataque russo. "629 mísseis e drones em uma noite contra a Ucrânia. Está aí a vontade de paz da Rússia. Terror e barbárie", disse o presidente francês, Emmanuel Macron.

Putin está matando crianças e civis, e sabotando as esperanças de paz. Este banho de sangue deve terminar."
Keir Starmer
Primeiro-ministro britânico

Zelensky chamou o ataque de um "massacre horrível e deliberado de civis" e afirmou nas redes sociais que "os russos não estão escolhendo terminar a guerra, e sim atacar novamente".

"Pela rejeição do cessar-fogo e pelas tentativas constantes da Rússia de evitar as negociações, são necessárias novas sanções severas", acrescentou o gestor, que citou em particular os aliados da Rússia, como China e Hungria.

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Negociações para fim do conflito

O ataque contra Kiev ocorre após três anos e meio da invasão russa e com as negociações de paz bloqueadas, apesar da pressão americana.

O Kremlin afirmou nesta quinta-feira que a Rússia "continua interessada" nas negociações de paz com a Ucrânia, mas que continuará atacando o país enquanto não alcançar seus "objetivos".

"As Forças Armadas russas estão cumprindo sua missão. Continuam atacando alvos militares e paramilitares", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov. "Ao mesmo tempo, a Rússia continua interessada em prosseguir o processo de negociação para alcançar seus objetivos por meios políticos e diplomáticos", acrescentou.

Na véspera dos bombardeios, a Rússia rejeitou a possibilidade de um encontro em breve entre Zelensky e o presidente russo, Vladimir Putin. Kiev considera a reunião crucial para romper o impasse sobre como acabar com a guerra.

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