Quais os crimes de Nicolás Maduro alegados no indiciamento dos EUA?

Acusações apontam que o presidente da Venezuela e a primeira-dama teriam participado de esquemas de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Imagem mostra Nicolás Maduro focado em segundo plano, olhando para militares da Venezuela, embaçados em primeiro plano.
Legenda: Maduro é acusado pelos EUA de narcoterrorismo, entre outros crimes.
Foto: Juan Barreto/AFP.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, foram indiciados pela Justiça dos Estados Unidos sob acusações de conspiração para narcoterrorismo e para importação de cocaína, posse de metralhadoras e artefatos destrutivos e conspiração para uso dos armamentos contra os EUA.

A informação foi divulgada neste sábado (3) pela procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, em declaração publicada na rede social X

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Um dos principais eixos da acusação norte-americana envolve o chamado Cartel de los Soles, classificado pelos EUA como organização terrorista. O país acusa Maduro de liderar o grupo, que atuaria no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA.

Segundo o governo estadunidense, o cartel teria como objetivo não apenas enriquecer os integrantes, mas “inundar” os Estados Unidos com cocaína, causando danos à sociedade americana, conforme noticiado pelo g1 e pela CNN Brasil.

A interpretação, contudo, é contestada por pesquisadores especializados em crime organizado. De acordo com o InSight Crime, organização que estuda o narcotráfico nas Américas, o Cartel de los Soles não é uma organização centralizada, com uma liderança única.

Trata-se, segundo a instituição, de uma “rede de redes”, formada por militares e atores políticos venezuelanos que se beneficiam do tráfico de drogas. 

O pesquisador Jeremy McDermott, cofundador do InSight Crime, explica que o termo “Cartel de los Soles” foi cunhado pela imprensa venezuelana nos anos 1990 para descrever oficiais da Guarda Nacional envolvidos com o tráfico.

O nome faz referência às insígnias militares usadas por generais venezuelanos. O termo passou a designar atividades de narcotráfico enraizadas no Estado e foi incorporado pelo Departamento de Justiça dos EUA nas acusações contra Maduro.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que os Estados Unidos bombardearam uma instalação na Venezuela que seria usada para a produção de cocaína, embora não tenha apresentado provas nem detalhes sobre o ataque.

Fontes ouvidas pela CNN relataram que a CIA teria realizado um ataque com drone contra uma instalação portuária supostamente utilizada pela organização criminosa Tren de Aragua para armazenar drogas destinadas à exportação.

Interesse no petróleo e busca por Maduro

O aumento da pressão dos EUA sobre o governo Maduro teve início em agosto de 2025, quando a Casa Branca elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano. As informações são do g1.

À época, o governo norte-americano também reforçou a presença militar no Mar do Caribe, sob a justificativa oficial de combate ao narcotráfico internacional.

As autoridades americanas afirmavam que a mobilização militar tinha caráter exclusivamente antidrogas.

Com o passar do tempo, no entanto, fontes ouvidas sob anonimato pela imprensa dos EUA indicaram que o objetivo final poderia ser a derrubada do governo Maduro.

Além disso, os EUA demonstram interesse estratégico nas reservas de petróleo da Venezuela, consideradas as maiores do mundo, o que reforça a dimensão geopolítica do conflito entre Washington e Caracas.

Nas últimas semanas, segundo a CNN Brasil, forças estadunidenses apreenderam navios petroleiros venezuelanos e realizaram operações na região.

O então presidente norte-americano Donald Trump chegou a conversar por telefone com Maduro em novembro, mas os contatos não avançaram, diante da resistência do líder venezuelano em deixar o poder.