O que se sabe sobre o roubo cinematográfico de peças da coroa francesa no Museu do Louvre
A ação aconteceu neste domingo (19) e durou apenas sete minutos
Um roubo audacioso no Museu do Louvre, em Paris, que teve como alvos joias históricas da monarquia francesa, segue sem desfecho claro. Até o momento, segundo informações de agências estrangeiras, a coroa da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, fui recuperada, mas com danos.
A ação aconteceu neste domingo (19) e durou apenas sete minutos. Um grupo de três a quatro criminosos experientes, armados e organizados utilizaram equipamentos de construção pesada para invadir o local.
Além da coroa de diamantes e esmeralda já mencionada, outras baixas registradas no museu são a tiara e o colar de safiras das rainhas Marie-Amélie e Hortense, além de brincos das mesmas coleções.
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Também desapareceram o colar de esmeraldas e o par de brincos da imperatriz Maria Luísa, bem como o broche relicário, a tiara e o laço de corpete da imperatriz Eugênia. As peças têm valor histórico incalculável.
Como aconteceu o crime?
De acordo com a polícia francesa, o crime teve início por volta das 9h30 (4h30 no horário de Brasília). O grupo chegou ao entorno do museu em um caminhão guindaste, posicionando-se em uma área que está em obras, na parte voltada para o Rio Sena.
Utilizando o veículo e um elevador de carga, os ladrões conseguiram acessar o interior do prédio e seguir até a Galeria de Apolo, onde estão expostas às joias da coroa francesa.
Os criminosos usaram pequenas esmerilhadeiras angulares — ferramentas elétricas de corte — para abrir janelas e vitrines. Em questão de minutos, duas delas foram arrombadas, e as peças retiradas.
Segundo o Ministério do Interior francês, o grupo estava armado, mas não houve registro de feridos. A fuga foi feita em scooters, em uma ação cronometrada que durou cerca de sete minutos.
As peças foram recuperadas?
Horas depois do crime, uma das joias roubadas – a coroa da imperatriz Eugênia – foi encontrada danificada em uma rua próxima ao museu, segundo a agência AFP.
A peça, composta por 1.354 diamantes e 56 esmeraldas, havia sido criada pelo ourives Alexandre-Gabriel Lemonnier para impressionar os visitantes da Feira Mundial de Paris de 1855.
A coroa foi localizada sob forte esquema policial, após um alerta de transeuntes que avistaram um objeto metálico reluzente em meio a entulhos.
Uma fonte ligada às investigações confirmou à AFP que a joia estava “seriamente danificada”, mas ainda íntegra o suficiente para permitir sua identificação.
De acordo com o jornal Le Parisien, uma segunda joia também foi recuperada, embora as autoridades não tenham divulgado qual seria.
O Ministério Público de Paris informou que a investigação segue em andamento e que a extensão das perdas ainda está sendo avaliada.
Segundo fontes ligadas à perícia, os criminosos teriam levado nove peças ao todo, incluindo colares, tiaras e broches.
As imagens das câmeras de segurança estão sendo analisadas pelas autoridades, que também investigam a possibilidade de ligação do grupo com outros roubos de arte ocorridos na Europa nos últimos anos.
Repercussão
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou o caso como um “grande roubo” e reconheceu uma “grande vulnerabilidade nos museus franceses”.
A ministra da Cultura, Rachida Dati, declarou à TV francesa que um dos itens roubados foi encontrado embaixo do próprio museu, possivelmente deixado para trás durante a fuga apressada.
Em nota oficial, o Museu do Louvre informou que o prédio foi evacuado logo após o crime e permanecerá fechado durante o domingo.
Histórico de roubos dos Louvre
O roubo reacende um histórico de episódios semelhantes enfrentados pelo museu.
O Louvre, que abriga mais de 33 mil obras de arte e recebe cerca de 30 mil visitantes por dia, já foi alvo de furtos emblemáticos, incluindo o desaparecimento da Monalisa em 1911, quando o pintor Vincenzo Peruggia escondeu a obra por dois anos antes de ser preso.
Décadas mais tarde, em 1976, três ladrões invadiram o museu ao amanhecer e roubaram uma espada cravejada de diamantes pertencente ao rei Carlos X. Em 1983, duas armaduras renascentistas foram levadas e só recuperadas quase quarenta anos depois.
A Galeria de Apolo, local do crime deste domingo, foi originalmente concebida pelo rei Luís XIV, o “Rei Sol”, e abriga algumas das joias mais preciosas da história francesa.
Entre os destaques da coleção está o diamante Regent, de 140 quilates, encontrado na Índia em 1698, e que, segundo o Louvre, permanece em segurança.