O presidente Donald Trump ordenou, nessa quarta-feira (7), a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais. Conforme decreto assinado pelo estadunidense, as instituições "já não servem aos interesses" nacionais.
O documento anuncia a saída dos EUA de 31 organizações das Nações Unidas e 35 entidades que não pertencem à ONU, segundo um comunicado publicado no X.
Além disso, Trump retirou o país de um importante tratado climático, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), do principal órgão de avaliação do aquecimento global, decisão que foi duramente criticada pela União Europeia nesta quinta-feira (8).
"A decisão tomada pela maior economia do mundo e segundo maior emissor de gases de efeito estufa de se retirar desta convenção é lamentável e infeliz", disse Wopke Hoekstra, comissário europeu para a ação climática.
A ordem executiva também exige a retirada dos Estados Unidos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, a principal autoridade em ciência climática, bem como de outras organizações envolvidas na proteção do planeta, como a Agência Internacional de Energia Renovável, a União Internacional para a Conservação da Natureza e a ONU-Água.
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Governo Trump e as questões climáticas
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, o governo norte-americano impõe o slogan "A América em primeiro lugar", fortalecendo a política interna dos combustíveis fósseis e negando abertamente questões ligadas ao aquecimento global pela atividade humana.
Em setembro do ano passado, Trump provocou uma polêmica ao discursar em sessão da Assembleia Geral da ONU, chamando o aquecimento global de "a maior farsa da nossa história" e elogiando o carvão como "limpo e bonito".
Decisões similares foram executadas por Trump em seu primeiro mandato, quando ele decidiu retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), à qual Washington havia retornado durante o governo de Joe Biden.
Em um comunicado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusou as organizações de promoverem uma "ideologia progressista", denunciando especificamente "campanhas pela 'igualdade de gênero' e pela ortodoxia climática".
O presidente republicano também cortou significativamente a ajuda externa americana, reduzindo drasticamente os orçamentos de diversas agências da ONU.