EUA avaliam uso de força para tomar a Groenlândia, admite Casa Branca
O Governo Trump trata o território como prioridade de segurança nacional e provoca reação imediata da Europa e da Otan.
A Casa Branca confirmou, nesta terça-feira (6), que o governo dos Estados Unidos discute “uma série de opções” para adquirir a Groenlândia — inclusive o uso das Forças Armadas.
Em declaração à rede britânica BBC, o governo classificou a possível anexação do território, hoje uma região semi autônoma da Dinamarca, como uma prioridade de segurança nacional.
A fala reforça declarações recentes de Donald Trump, que voltou a dizer que os EUA “precisam” da Groenlândia por razões estratégicas.
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Sinalização provoca forte reação na Europa
Líderes de seis países aliados divulgaram uma declaração conjunta em apoio à Dinamarca, afirmando que a Groenlândia pertence ao seu povo e que qualquer decisão sobre o território cabe exclusivamente a Copenhague e aos groenlandeses.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, chegou a alertar que um eventual ataque americano colocaria em risco a própria existência da Otan.
O governo dos EUA, no entanto, manteve o tom duro. Segundo a Casa Branca, todas as opções estão sobre a mesa, já que o presidente, como comandante-em-chefe, pode recorrer às forças militares.
Assessores próximos a Trump foram ainda mais diretos: Stephen Miller afirmou que a posição oficial do governo é que a Groenlândia “deveria fazer parte dos Estados Unidos” e minimizou a possibilidade de resistência internacional.
A escalada ocorre em um contexto de crescente disputa geopolítica no Ártico, impulsionada pelo interesse de Rússia e China na região, favorecido pelo derretimento do gelo e pela abertura de novas rotas comerciais.
Quem controla a Groenlândia?
Com cerca de 57 mil habitantes, a Groenlândia tem ampla autonomia desde 1979, mas defesa e política externa seguem sob responsabilidade da Dinamarca. Apesar de parte da população defender a independência, pesquisas indicam rejeição quase total à ideia de anexação pelos EUA.