'Bebê mais velho do mundo' quebra recorde ao nascer a partir de embrião congelado em 1994

Thaddeus Daniel Pierce nasceu no último 26 de julho. Os pais dele "adotaram" o embrião de uma americana que já não poderia gerar os próprios filhos

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 13:13)
Pés de bebê recém-nascido enrolado em manta verde
Legenda: O bebê nasceu em Ohio, nos Estados Unidos
Foto: Vad-Len/Shutterstock

Um bebê nasceu no último fim de semana em Ohio, nos Estados Unidos, e quebrou o recorde de "mais velho do mundo". Isso porque ele se desenvolveu a partir de um embrião congelado há mais de 30 anos.

O recorde anterior pertencia a gêmeos nascidos em 2022 a partir de embriões armazenados em 1992.

O que aconteceu

Segundo o jornal O Globo, a história do novo recorde começou nos anos 90, quando Linda Arched, hoje com 62 anos, tentou engravidar, sem sucesso, e decidiu, junto ao marido, experimentar a fertilização in vitro (FIV) — uma tecnologia até então nova, que coleta óvulos e espermatozoides e os fecunda em laboratório.

Médico congela material genético em laboratório
Legenda: Os embriões foram gerados com a técnica de fertilização in vitro, que congela material genético
Foto: DuxX/Shutterstock

Em 1994, o casal conseguiu gerar quatro embriões com a técnica e um deles foi transferido com sucesso para Linda, que teve uma filha. Hoje, a menina tem 31 anos e também é mãe de uma filha, de 10.

Os outros três embriões ficaram congelados. Linda, a princípio, queria utilizá-los para gerar novos bebês, mas seu esposo não queria mais filhos. Eles acabaram se divorciando, mas a mulher conseguiu na Justiça a custódia dos embriões e decidiu, com o próprio dinheiro, mantê-los armazenados para gerar um novo herdeiro no futuro.

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Devido à menopausa, Linda não conseguiu mais gerar filhos e começou a sentir que pesava financeiramente manter os embriões congelados — custava mais de US$ 1 mil por ano. 

Em entrevista à revista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ela disse que não queria descartá-los nem doá-los para pesquisas ou casais anônimos, por ser seu DNA. "Veio de mim, é irmão da minha filha", disse.

Nesse período, a americana descobriu um tipo de doação em que a pessoa que gera o embrião conhece o casal de "adotantes" e pode decidir para quem vai entregá-lo. 

Foi assim que Linda conheceu Lindsey e Tim Pierce, que tentavam engravidar há sete anos, sem sucesso. Todo o processo foi acompanhado pelo médico John Gordon, responsável pela clínica Rejoice Fertility.

Mesmo com dificuldades devido ao "tempo" do embrião, os materiais de Linda foram descongelados e dois deles foram transferidos para o útero de Lindsey, em novembro do ano passado. Um deles gerou um feto, o pequeno Thaddeus Daniel Pierce. Ele nasceu no último 26 de julho.

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A mãe de Thaddeus, Lindsey, compartilhou que a família não tinha intenção de quebrar nenhum recorde.

"A primeira coisa que notei quando Lindsey me enviou fotos dele foi o quanto ele parece com minha filha quando bebê. Peguei meu álbum e comparei lado a lado, e não há dúvida de que são irmãos", emocionou-se Linda.

A geradora do embrião, no entanto, ainda não planeja encontrar a criança.

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