Amigos rezam por estudante

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Redação producaodiario@svm.com.br
Grupo chegou a reunir cerca de 100 pessoas que fizeram uma corrente para que João Felipe seja encontrado

Amigos do estudante cearense João Felipe Martins de Melo, de 17 anos, que caiu no mar durante um passeio da escola na Nova Zelândia se reuniram, na noite de ontem, na Praia de Iracema, para rezar pelo aparecimento do jovem. A manifestação ocorreu no momento em que os bombeiros retomaram as buscas pelo garoto e mais dois desaparecidos no litoral de New Plymouth.

Amigos do jovem desaparecido após queda de penhasco fizeram um apelo para que as autoridades da Nova Zelândia continuem as buscas FOTO: NATINHO RODRIGUES


O grupo de oração, que foi organizado por meio de uma rede social, chegou a reunir cerca de 100 pessoas entre conhecidos e curiosos que frequentavam a praia. Na ocasião, os amigos, que se disseram muito abalados e otimistas, fizeram um apelo para que as autoridades neozelandesas não parem as buscas.

"Estou muito esperançoso. Não vamos parar de rezar. O Felipe é um cara esperto que pratica esportes, surfa e nada muito bem. O instrutor que pulou para ajudá-lo também é muito experiente", declarou o estudante Felipe Viana, de 21 anos.

Esperançosos, os amigos disseram que a próxima reunião do grupo vai ser uma festa para comemorar e agradecer pelo retorno de Felipe a Fortaleza.

"Nós esperamos encontrar não apenas o Felipe, mas os três. Nós oramos por todos", disse o estudante Bruno Matos, de 25 anos de idade.

Outras manifestações

Ontem, o primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key, disse que o seu coração está com as famílias dos desaparecidos e prometeu providências.

Além do apoio do premiê, cerca de mil pessoas se reuniram em New Plymouth, em vigília à luz de velas para rezar e tentar encontrar o estudante cearense João Felipe de Melo, o seu instrutor John Bryce Jourdain e o colega Stephen Lewis Kahukaka-Gedye. Amigos do cearense enviaram mensagens de apoio nas redes sociais dando forças ao jovem desde o desaparecimento dele na região de Taranaki.

Buscas

As buscas por João Felipe foram retomadas ontem, mas a Polícia da Nova Zelândia informou que não tem esperanças de encontrar o jovem e os outros dois desaparecidos com vida.

Segundo a porta-voz da Polícia, Victoria Evans, as condições do mar e o fato de o acidente já ter ultrapassado 24 horas levam a essa avaliação. As fortes ondas impediram os mergulhadores de realizar as buscas próximo ao monte Paritutu.

Além de Evans, o inspetor responsável pelas buscas, Frank Grant, declarou que as condições climáticas têm prejudicado o resgate. "A realidade é que as buscas estão se transformando em uma operação de recuperação dos corpos", disse ele.

De acordo com o jornal NZ Herald, da Nova Zelândia, um helicóptero de resgate completou as buscas aéreas. Um grupo de salvamento formado por policiais e voluntários, além do esquadrão de mergulho nacional, estavam em New Plymouth, mas não entraram na água barrenta. Cerca de 50 policiais trabalham nas buscas. A operação conta ainda com cinco botes infláveis, barcos da marinha e helicópteros.

Ainda não há informações sobre os detalhes do acidente, inclusive se haviam equipamentos de segurança. A direção do colégio Spootswood, responsável pelo passeio, disse que está prestando assistência aos alunos e às famílias dos desaparecidos. Os funcionários devem prestar depoimento sobre o caso.

Enquanto as autoridades da Nova Zelândia afastam a possibilidade de sobreviventes, a Embaixada do Brasil no país diz que ainda há esperança. "Nós temos fé e esperança que serão encontrados vivos", diz o comunicado. "A embaixada tem seguido o caso desde o começo e está em permanente contato com as autoridades e a família do brasileiro", informou. Segundo a Embaixada, as equipes de resgate "estão fazendo o melhor" nas buscas pelos desaparecidos.

João Felipe desapareceu no litoral da cidade de New Plymouth, no Norte do país, na quarta (8). O jovem cearense fazia escalada com um grupo de treze estudantes quando caiu do penhasco Paritutu no mar.

O monte Paritutu é uma formação vulcânica de 156 metros de altura, cerca de metade do tamanho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. A área na qual está localizada o parque é considerada uma das regiões de beleza natural mais ricas do país. No local, houve um vulcão ativo há mais de 2 milhões de anos.

Retorno a casa

Segundo o pai do garoto, Célio Fernando Bezerra Melo, o jovem planejava voltar para Fortaleza em outubro. Célio e sua família receberam a notícia pela empresa que administra a bolsa.

Célio disse que a família espera que ele esteja em uma ilha aguardando resgate. "Ele nada bem. Ele é um cara danado. Ele tem 17 anos, mas ele é forte", afirma o economista.

Operação

01 helicóptero
50 botes salva-vidas
50 policiais
1.000 pessoas envolvidas no resgate
05 botes infláveis
01 barco da marinha

JULIANNA SAMPAIO
REPÓRTER