'A guerra em Gaza precisa acabar agora', pede ONU em comunicado a Israel

Comunicado faz referência à recente decisão de Israel de assumir o controle da Cidade de Gaza

Escrito por
Paulo Roberto Maciel* e AFP producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 09:12)
Imagem de uma cidade destruída por um desastre, com prédios parcialmente colapsados e tutores de emergência no local, refletindo uma situação de calamidade.
Legenda: Conflito entre Israel e Palestina completa dois anos em 7 de outubro
Foto: BASHAR TALEB/AFP

A Organização das Nações Unidas (ONU) publicou, nessa quarta-feira (8), uma apelação para que a ocupação israelense na Cidade de Gaza seja encerrada definitivamente. O texto foi assinado por Volker Türk, chefe da comissão de Direitos Humanos na entidade.

Türk acusa Israel de desrespeitar a decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) que determina a retirada dos militares de Gaza "o mais rápido possível". Ele também afirma que, com a escalada do conflito, deve-se esperar mais mortes e "destruições sem sentido".

A guerra em Gaza precisa acabar agora. E israelenses e palestinos precisam ter o direito de viver lado a lado em paz. Em vez de intensificar esta guerra, o governo israelense deveria concentrar todos os seus esforços em salvar as vidas dos civis de Gaza, permitindo o fluxo total e irrestrito de ajuda humanitária.
Volker Türk
Chefe dos Direitos Humanos na ONU

Ao fim do comunicado, o comissário pede que ambas as partes do conflito libertem os prisioneiros. "Os reféns devem ser libertos imediata e incondicionalmente pelos grupos armados palestinos. Os palestinos detidos arbitrariamente por Israel também devem ser libertos imediata e incondicionalmente", finaliza Türk.

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O apelo de Volker Türk veio em resposta ao recente plano do gabinete de segurança de Israel para que as forças armadas do País assumam o controle de Gaza.

Segundo comunicado divulgado pelo gabinete à imprensa, nessa quinta-feira (7), a operação faz parte da "proposta para derrotar o Hamas" e será acompanhada do fornecimento de ajuda humanitária à população que estiver fora das zonas de combate.

A ação, porém, vai resultar na retirada de 800 mil moradores das zonas que serão ocupadas. Isso diminui a área onde a população de Gaza, atualmente com 2 milhões de pessoas, terá permissão para ficar. Vale pontuar que, desde o início do conflito, o número de habitantes mortos chegou a mais de 60 mil.

Representantes de diversas nações repercutiram negativamente a decisão de Israel. A China expressou "sérias preocupações" sobre o plano de Israel. "Gaza pertence ao povo palestino e é uma parte inseparável do território palestino", disse um porta-voz do ministério das Relações Exteriores à AFP.

Em nota pública, a ministra de Segurança Energética do Reino Unido, Miatta Fahnbulleh, afirmou que espera que Israel "reconsidere sua decisão de assumir o controle da Cidade de Gaza. Ela corre o risco de agravar uma situação já intolerável e atroz".

Hamas repudia Israel

Por um breve comunicado divulgado nessa quarta-feira (8), o Hamas classificou como um "novo crime de guerra" o novo anúncio de Israel.

"A aprovação pelo gabinete sionista dos planos de ocupar a Cidade de Gaza e evacuar seus moradores constitui um novo crime de guerra que o exército de ocupação pretende cometer contra a cidade", afirmou o grupo. "Advertimos a ocupação criminosa que esta aventura criminosa lhe custará caro e não será uma jornada fácil".

*Estagiário sob supervisão do jornalista Felipe Mesquita

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