Prosopagnosia: entenda condição relatada por Brad Pitt que dificulta reconhecimento de rostos
Conhecido como “cegueira facial”, distúrbio neurológico atinge uma em cada 33 pessoas.
O ator Brad Pitt revelou ter prosopagnosia, condição neurológica popularmente conhecida como “cegueira facial”, que dificulta o reconhecimento de rostos.
O astro de Hollywood afirmou que o transtorno já causou situações desconfortáveis ao longo da vida, principalmente porque muitas pessoas interpretam o quadro de saúde como arrogância, frieza ou desinteresse.
Em entrevistas, Pitt contou que frequentemente não consegue reconhecer conhecidos apenas pela fisionomia e que gostaria de encontrar outras pessoas que convivem com o mesmo problema. “Ninguém acredita em mim. Quero conhecer outros”, declarou à revista GQ.
A prosopagnosia é um distúrbio neurológico que afeta a capacidade do cérebro de identificar rostos e associá-los a pessoas conhecidas. Diferente do que muitos imaginam, a condição não está ligada a problemas de visão ou perda de memória. Pessoas com o transtorno enxergam normalmente, mas têm dificuldade em interpretar características faciais e reconhecer identidades.
Em casos considerados leves, o paciente pode apresentar dificuldade apenas para identificar pessoas pouco familiares ou reconhecer alguém fora do contexto habitual. Já em quadros mais severos, a condição pode impedir o reconhecimento de amigos próximos, familiares e até do próprio rosto no espelho.
O que causa a prosopagnosia?
Segundo um estudo publicado em 2023 na revista científica Cortex, realizado por pesquisadores da Harvard Medical School (HMS) e do VA Boston Healthcare System, aproximadamente uma em cada 33 pessoas pode apresentar algum grau de prosopagnosia. O levantamento também apontou que uma em cada 47 pessoas convive com formas leves da condição, enquanto uma em cada 108 possui manifestações graves do distúrbio.
Especialistas apontam que a prosopagnosia pode ser congênita, quando a pessoa nasce com a condição, ou adquirida ao longo da vida após lesões cerebrais. Entre as causas mais comuns estão acidentes vasculares cerebrais (AVCs), traumatismos cranianos e danos em áreas específicas do cérebro ligadas ao reconhecimento facial, como o giro fusiforme e regiões do lobo occipital.
De acordo com a Rede D'Or, muitas pessoas convivem durante anos sem diagnóstico porque acabam criando mecanismos alternativos para reconhecer indivíduos. Entre as estratégias mais comuns estão identificar alguém pela voz, pelo corte de cabelo, pelas roupas, pela postura corporal ou pelo jeito de andar.
A neurologista Jerusa Smid, da Academia Brasileira de Neurologia, explica que a prosopagnosia é um sintoma neurológico que pode estar associado a outras doenças, embora também possa surgir de forma isolada. Segundo a especialista, os pacientes costumam perceber dificuldade em reconhecer pessoas do próprio círculo social, o que leva à busca por avaliação médica e realização de testes neuropsicológicos.
Existe tratamento para a “cegueira facial”?
O diagnóstico da prosopagnosia nem sempre é simples. Em muitos casos, os pacientes passam anos sem compreender que possuem um transtorno neurológico, principalmente porque aprendem a contornar a dificuldade usando pistas não faciais para identificar as pessoas ao redor.
Atualmente, não existe cura específica ou medicamento para tratar a prosopagnosia. O acompanhamento costuma envolver orientação neuropsicológica e desenvolvimento de estratégias compensatórias que ajudem o paciente a minimizar os impactos da condição na rotina.
Especialistas alertam ainda que o distúrbio pode provocar consequências emocionais e sociais importantes. Pessoas com prosopagnosia frequentemente enfrentam constrangimentos em situações cotidianas, como não reconhecer colegas, amigos ou familiares, o que pode gerar isolamento, ansiedade e sensação constante de insegurança social.
Para pacientes com a condição, familiares e amigos também desempenham papel importante ao se apresentarem verbalmente ou criarem outras formas de identificação que facilitem a convivência e reduzam os impactos da chamada “cegueira facial”.