Peso ideal da mochila escolar: diretrizes para a saúde da coluna

Pediatra alerta que excesso de carga pode causar dores, fadiga e maus hábitos posturais em crianças e adolescentes.

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Redação producaodiario@svm.com.br
A orientação é que a mochila escolar não ultrapasse 10% do peso da criança.
Legenda: A orientação é que a mochila escolar não ultrapasse 10% do peso da criança.
Foto: FreePik.

Em meio à volta às aulas, o peso da mochila escolar segue como um dos principais pontos de atenção quando o assunto é saúde da coluna de crianças e adolescentes. O excesso de carga, aliado ao uso inadequado, pode gerar dores, desconforto e alterações posturais que impactam o dia a dia dos alunos. Segundo a pediatra Yuka Araújo, a regra mais segura é simples e bem estabelecida na literatura médica: a mochila não deve ultrapassar 10% do peso corporal da criança.

“A Academia Americana de Pediatria admite um limite máximo de até 15%, especialmente em adolescentes maiores, mas o valor de 10% é considerado mais seguro, sobretudo para crianças menores”, explica a médica.

Quando esse limite é ultrapassado, o corpo tende a acionar mecanismos de compensação, como inclinar o tronco para frente, elevar os ombros ou deslocar o peso para apenas um lado, situação comum quando a mochila é usada em um ombro só.

Essas adaptações forçadas, segundo a especialista, provocam sobrecarga em músculos, articulações e ligamentos, levando a dor e fadiga. “É importante destacar que mochilas pesadas não costumam causar escoliose estrutural, mas podem provocar contraturas musculares, hábitos posturais inadequados e agravar desconfortos em crianças que já têm alguma predisposição ou condição ortopédica prévia”, afirma Yuka.

A recomendação muda conforme a idade?

De acordo com a pediatra, não há diferença nas orientações baseada em idade ou altura. O critério mais adequado continua sendo a porcentagem do peso corporal. “Para os menores, devemos ser ainda mais cautelosos e manter o limite de 10%. Já os adolescentes até conseguem suportar um pouco mais de carga, especialmente os meninos, mas ainda assim se beneficiam de levar menos peso, principalmente quando percorrem longas distâncias ou utilizam transporte público”, pontua.

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Sinais de alerta no dia a dia

Pais e educadores podem observar alguns sinais claros de que a mochila está pesada demais. Entre eles estão queixas frequentes de dor nas costas ou nos ombros, marcas profundas das alças na pele, dificuldade ou resistência da criança em colocar a mochila e alterações na forma de andar, como postura inclinada para frente. “Mudanças comportamentais, como irritação excessiva ao chegar da escola ou um cansaço desproporcional, também merecem atenção”, alerta a médica.

Como reduzir o peso da mochila

Para Yuka Araújo, a solução passa por uma responsabilidade compartilhada entre famílias e escolas. Em casa, ela recomenda pesar periodicamente a mochila e a criança, organizar o conteúdo para levar apenas o necessário, posicionar os itens mais pesados próximos às costas e ajustar corretamente as alças.

Já no ambiente escolar, algumas medidas fazem diferença, como o uso de armários, a organização semanal das aulas para evitar material desnecessário, o compartilhamento de itens em sala e a preferência por cadernos de uma matéria, mais leves que os modelos grandes e únicos.

Mochila de rodinhas é sempre melhor?

As mochilas de rodinhas podem ser uma alternativa para reduzir a carga direta sobre a coluna, mas não são isentas de riscos. “Em locais com escadas, calçadas irregulares ou corredores estreitos, a criança acaba levantando ou puxando a mochila de forma assimétrica, o que pode gerar torções do tronco e sobrecarga nos ombros e braços”, explica a pediatra.

Por isso, a escolha deve levar em conta o ambiente escolar e o trajeto diário, e não apenas o peso do material. Recomendações do Ministério da Saúde, atribuídas à Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçam que a mochila não deve ultrapassar 10% do peso da criança e deve ser usada sempre nos dois ombros. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também defende campanhas educativas e destaca que, além do peso, é fundamental observar o ajuste e o tamanho corretos da mochila, incluindo alças reguláveis e, quando possível, cinta abdominal.

Já a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) orienta que a mochila fique bem ajustada ao corpo, com uso das duas alças e postura adequada ao caminhar, medidas que ajudam a reduzir a sobrecarga na coluna. Caso a opção seja pela mochila de rodinhas, a orientação é puxá-la com postura ereta, alternar as mãos sempre que possível e evitar torcer o tronco ao caminhar.