Trio é preso em Fortaleza suspeito de desviar R$ 1 milhão de servidores públicos

Foram feitas vítimas no Ceará, no Piauí, em Pernambuco, em Brasília e no Rio Grande do Sul.

(Atualizado às 16:58)
Itens apreendidos pela Polícia Civil dispostos sobre mesa da delegacia.
Legenda: Com os suspeitos, a Polícia apreendeu celulares, cartões e documentos referentes às aberturas de contas.
Foto: Divulgação/SSPDS.

Dois homens e uma mulher foram presos no último dia 27 de abril, em Fortaleza, suspeitos de integrar um grupo criminoso especializado em fraudes financeiras contra servidores públicos e desviar ao menos R$ 1 milhão.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), os criminosos utilizavam documentos virtuais de terceiros — como identidade, CNH, contracheque e comprovante de endereço — para abrir contas bancárias, fazer empréstimos consignados e solicitar cartões

Pelo que se sabe até o momento, as vítimas são do Ceará, do Piauí, de Pernambuco, de Brasília e do Rio Grande do Sul.

Conforme documentos da investigação obtidos pelo Diário do NordesteLucas Vitor Costa Fontenele, 25, Amanda Rafaela Santos Coutinho, 26, e Rodrigo Matheus Muniz da Silva, 28, moradores de Viçosa do Ceará, no interior do Estado, responderão por furto qualificado, associação criminosa e falsidade ideológica. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos presos.

Quem são os suspeitos?

  • Lucas Vitor Costa Fontenele, 25: Natural de Fortaleza, mas mora em Viçosa do Ceará. É autônomo, mas disse já ter prestado serviço como monitor de transporte escolar para a Prefeitura de Viçosa. Conforme o relatório policial, é o responsável por recrutar mulheres para abrir contas fraudulentas em agências bancárias.
  • Amanda Rafaela Santos Coutinho, 26: Natural de Viçosa do Ceará e moradora da cidade. É responsável por abrir contas fraudulentas e realizar saques e empréstimos em nome de terceiros.
  • Rodrigo Matheus Muniz da Silva, 28: Também natural de Viçosa do Ceará, mas já morou em Brasília. Está desempregado. Dos três, é o único que admitiu ter antecedentes criminais por estelionato.

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Prisões

Os suspeitos têm entre 25 e 28 anos e foram localizados no bairro Carlito Pamplona, na capital cearense. O trabalho policial foi coordenado pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), com apoio dos núcleos Operacional e de Inteligência do Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri).

Segundo a Polícia, no decorrer das investigações, foi identificado que integrantes do grupo estavam praticando fraudes e contratações de empréstimos em instituições financeiras de Fortaleza. "Tendo conhecimento dos delitos, agentes da DRF e da Depatri diligenciaram os locais indicados, logrando êxito no ato flagrancial contra os alvos", disse o órgão.

Com os presos, foram apreendidos cartões de créditos, documentos referentes à abertura de contas e diversos aparelhos celulares.

Além disso, um homem de 43 anos, condenado em janeiro deste ano pelo crime de invasão de dispositivo informático, também integrava o bando.

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Entenda o esquema

Conforme os depoimentos dos suspeitos à Polícia, um suposto líder, identificado como "TH", que seria vinculado ao Comando Vermelho, enviava de outro estado aparelhos celulares que continham acesso liberado à plataforma Gov.Br de terceiros, além de CNHs digitais, contracheques e comprovantes de residência falsificados ou em nome das vítimas.

Lucas era o responsável por recrutar as mulheres que se passariam pelas titulares dos documentos em visitas às agências bancárias — Amanda era uma dessas pessoas.

Nas agências, as mulheres apresentavam os documentos digitais em seus celulares e abriam contas correntes fraudulentas, inclusive, com cadastro de biometria. Depois disso, o grupo contratava empréstimos consignados de alto valor — alguns casos chegaram a R$ 90 mil — e realizavam saques em espécies, transferências e compras com cartões virtuais.

"TH" ficaria com cerca de 60% dos valores obtidos ilegalmente, enquanto o restante do dinheiro era rateado entre Lucas, Rodrigo e a mulher que abriu a conta.

Uma outra suspeita de integrar o esquema é investigada, mas ela não foi presa. Conforme documentos que a reportagem teve acesso, a mulher teria se apropriado sozinha do dinheiro obtido pelas fraudes e não teria feito o repasse aos colegas, o que teria causado a sua expulsão do grupo e supostas ameaças de morte por parte de "TH".

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