Polícias do Ceará e do Rio de Janeiro fazem operação contra chefes de facção na Rocinha
Armas de guerra foram apreendidas, segundo o governador do Rio de Janeiro. Um policial foi baleado no pescoço
As polícias do Ceará e do Rio de Janeiro realizaram uma operação na comunidade da Rocinha, naquele Estado, na manhã deste sábado (31), para capturar chefes de uma facção criminosa que ordenam crimes em território cearense. Um policial foi baleado no pescoço.
[Atualização, às 14h19] Apenas um suspeito, com mandado de prisão em aberto, foi capturado. A operação terminou no início da tarde. "A ação foi conduzida por tropas do Comando de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar do Rio, com apoio das forças de segurança do Ceará e atuação conjunta dos Ministérios Públicos dos dois estados e resultou na apreensão de armas de guerra, munição e uma prisão", resumiu o Governo do Rio de Janeiro, em nota.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, publicou, nas redes sociais, que "uma operação integrada entre as Forças de Segurança do Rio e do Ceará busca lideranças criminosas do estado nordestino que estão escondidas na Rocinha. Desde as primeiras horas da manhã, monitoro a ação diretamente do Quartel da PM".
Informações dos setores de inteligência de ambos os estados identificaram que lideranças criminosas do Ceará estariam comandando da Rocinha o crime organizado do estado nordestino. As lideranças estão sendo alvo de uma resposta rápida e coordenada e mandados de prisão estão sendo cumpridos neste momento."
Castro afirmou que não irá permitir "que o Rio de Janeiro seja usado como refúgio para criminosos". O Diário do Nordeste noticia que chefes do crime organizado que atuam no Ceará têm utilizado o Rio de Janeiro como esconderijo desde, pelo menos, março de 2024.
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Em seguida, o governador publicou os primeiros resultados da operação: a apreensão de quatro armas longas (as quais Castro classificou como "armas de guerra"), duas pistolas, um revólver e um radiocomunicador.
O Governo do Rio de Janeiro acrescentou que uma quantidade de droga que ainda será contabilizada e um fuzil de airsoft (que dispara munição não letal) também foram apreendidos.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) confirmou apenas que, "a partir de uma investigação da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), relacionada a suspeitos cearenses que integram um grupo criminoso do Rio de Janeiro e que estão foragidos naquele estado, foi desencadeada uma operação pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), neste sábado (31). A investigação conta com o apoio do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ)".
O Governo do Rio detalhou que, "entre as autoridades que acompanham a operação no Rio de Janeiro estão os secretários de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, e do Ceará, Roberto Sá; o comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Marcelo Menezes; o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira; e o subprocurador-geral de Justiça do Ceará, Plácido Rios".
Policial é baleado no pescoço
Um policial que participa da operação na Rocinha foi baleado no pescoço e levado ao Hospital Miguel Couto, segundo informações do g1. O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou que o agente está fora de risco de morte.
Ainda segundo a publicação, os policiais do Ceará e do Rio de Janeiro tentam 29 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão.
A operação afetou o funcionamento de pelo menos três unidades de saúde da região. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS), a Clínica da Família Maria do Socorro está fechada para atendimento; o Centro Municipal de Saúde Albert Sabin está funcionando, mas as atividades externas estão suspensas; e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da Rocinha atenderá apenas os pacientes prioritários.