Justiça solta médico, enfermeira e advogado presos por tentativa de fraude em concurso da Polícia Civil
O juiz entendeu que apesar da gravidade do esquema criminoso, os autuados possuem bons antecedentes
Após audiência de custódia, a Justiça do Ceará mandou soltar nessa segunda-feira (4) o médico, a enfermeira, o advogado e o autônomo presos por tentativa de fraude no concurso da Polícia Civil do Estado (PCCE). O grupo, capturado no último domingo (3), foi solto mediante pagamento de fiança de cinco salários mínimos cada (cerca de R$ 7,5 mil), conforme a decisão obtida pela reportagem.
Jaime de Mendonça e Silva Neto, Cícero Leandro dos Santos Belém, Raphaely Leandro da Fonseca e Robson Leite Sampaio terão de cumprir algumas medidas para permanecerem em liberdade:
- Não se ausentarem da comarca onde residem, por mais de oito dias, sem informarem o local onde podem ser encontrados
- Comunicarem eventual mudança de endereço;
- Comparecerem a todos os atos processuais para os quais forem intimados
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Réus primários e com bons antecedentes
Segundo a decisão do juiz Tadeu Trindade, da Vara de Audiências de Custódia, apesar da gravidade do crime, os autuados em flagrante são réus primários, possuem bons antecedentes, residência fixa e profissões definidas.
Marido e esposa, Raphaely e Robson pagaram, os dois, dez salários mínimos, enquanto Jaime e Cícero pagaram cinco. Ainda conforme a Justiça, eles poderão ter os bens apreendidos restituídos, mas o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) poderá indicar quais devem permanecer em guarda judicial.
Segundo o documento de soltura, "Os fatos em apuração são concretamente graves já que relacionados a fraude em certame público para carreira da Polícia Civil, havendo indicativos de associação com a participação de maior número de pessoas e de utilização de equipamentos variados, alguns dele com certo aperfeiçoamento (ponto em ouvido)".
Como ocorreu o esquema?
O primeiro capturado foi Jaime de Mendonça e Silva Neto, autônomo, que fazia prova na Universidade Estadual do Ceará (Uece) e foi apontado por envolvimento em uma "possível ação para fraudar o referido concurso". Ao ser abordado fora da sala de prova, os policiais perceberam que o saco de pertences estava violado, e encontram dois celulares ligados e em pleno funcionamento.
A enfermeira Raphaely Leandro da Fonseca foi a segunda presa, mas em outro local de prova, no Instituto Federal do Ceará (IFCE), no bairro Benfica. Ela foi revistada no banheiro feminino e uma policial encontrou um equipamento transmissor em uma sacola plástica de supermercado, em meio a batatas fritas.
Momentos depois, já na Delegacia, um ponto eletrônico foi achado no ouvido da suspeita, com o auxílio de uma lanterna. Assim como Jaime, a mulher escolheu ficar em silêncio. Durante o interrogatório, entretanto, os policiais verificaram que ela morava em Juazeiro do Norte, mesma cidade de Jaime, e perguntaram se eles se conheciam.
O marido de Raphaely, o médico Robson Leite Sampaio, também foi preso, mas nas imediações do Complexo de Delegacias Especializada (Code), em um carro estacionado. O carro em que ele estava era visto trafegando as imediações dos locais de prova. Em depoimento, ele negou participar da fraude.
No entanto, admitiu conhecer a esposa de Jaime Mendonça, o autônomo e primeiro a ser preso. Porém, segundo a Polícia Civil, há uma conexão entre os suspeitos, pois Robson e Jaime são amigos nas redes sociais.
O advogado Cícero Leandro dos Santos Belém, que fazia prova na Universidade Federal do Ceará (UFC) Campus do Pici, foi preso após um chip quebrado ser encontrado no chão da sala de prova, e também após um fiscal escutar uma espécie de barulho durante a aplicação do exame. Essa suspeita fez a Polícia ser acionada para checar a ocorrência.