Ex-PM e comparsa que integravam grupo de extermínio de 'Joãozinho Catanã' são condenados à prisão
A dupla foi sentenciada a uma pena somada de 22 anos de prisão, por um assassinato ocorrido há 18 anos, em Fortaleza
Um ex-policial militar e um comparsa foram condenados à prisão, pela Justiça Estadual, por um homicídio ocorrido em Fortaleza, no ano de 2007 (há mais de 18 anos). A dupla também era acusada de integrar um grupo de extermínio liderado pelo PM João Augusto da Silva Filho, conhecido como 'Joãozinho Catanã', morto em 2015.
Em júri iniciado na tarde da última segunda-feira (4) e concluído na madrugada desta terça (5), na 1ª Vara do Júri de Fortaleza, o ex-PM Cícero Cláudio Rodrigues e o comparsa Antônio Marcos Cândido Alves, o 'Marquinhos do Frango', foram condenados pelo assassinato de Lucivando Borges de Queiroz, o 'Bodó'.
Cícero Cláudio foi sentenciado a 8 anos de reclusão, pela prática de homicídio qualificado (por motivo torpe). Já 'Marquinhos do Frango' foi condenado a 14 anos de reclusão, por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima).
A acusação contra os réus foi realizada pelo representante do Ministério Público do Ceará (MPCE) na 1ª Vara do Júri, o promotor de justiça Marcus Renan Palácio. O julgamento foi conduzido pelo juiz Antônio Edilberto Oliveira Lima.
A defesa dos réus não foi localizada para comentar a condenação no júri popular. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
'Joãozinho Catanã' chegou a ser condenado a 20 anos e 6 meses de prisão, na Justiça Estadual, em julho de 2009, pelo assassinato de 'Bodó'. Entretanto, ele foi assassinado, seis anos depois.
Segundo a denúncia do MPCE, 'Bodó' foi executado por um "acerto de contas", no bairro Otávio Bonfim, em Fortaleza, no dia 27 de fevereiro de 2007. Ele seria amigo de 'Marquinhos do Frango', mas eles teriam se desentendido. Os policiais militares 'Joãozinho Catanã' e Cícero Cláudio teriam participado da logística do crime.
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Grupo de extermínio liderado por PM
A dupla condenada à prisão é acusada de integrar um grupo de extermínio liderado pelo sargento da Reserva Remunerada da Polícia Militar do Ceará (PMCE) João Augusto da Silva Filho, o 'Joãozinho Catanã'.
O grupo de extermínio estaria ligado a vários homicídios ocorridos em Fortaleza, segundo as investigações da Polícia Civil do Ceará (PCCE). Além da morte de 'Bodó', 'Joãozinho Catanã' foi condenado, em 2012, pela morte de Joacir Nogueira de Sousa, ocorrida em junho de 1993.
Em abril de 2014, 'Catanã' foi liberado do Presídio Militar para cumprir as penas em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. No dia 28 de agosto de 2015, o militar foi baleado sete vezes, na frente de casa, no bairro Autran Nunes. Ele foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.