Ex-professor de medicina é preso por suspeita de assédio sexual contra aluna em Quixadá

O médico teria oferecido acesso a provas e pontos em trabalhos para assediar sexualmente a estudante.

Escrito por
Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
(Atualizado às 10:36, em 30 de Janeiro de 2026)
Homem com jaleco médico branco onde se lê 'Dr. Yuri Portela Médico', sorrindo para a câmera, com um emblema no braço.
Legenda: Médico usou sua posição de docente na instituição de ensino para constranger a aluna.
Foto: Arquivo pessoal.

O médico e ex-professor de medicina Yuri Silva Portela foi preso nesta quinta-feira (29) por suspeita de forçar uma aluna a manter relações sexuais oferecendo vantagens acadêmicas em uma instituição de ensino superior de Quixadá, no interior do Ceará. A captura ocorreu após pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE), que identificou os crimes de assédio sexual e violência psicológica. 

Segundo o Diário do Nordeste apurou com a Delegacia da Mulher de Quixadá, a prisão foi feita em um hospital do município, enquanto o profissional da saúde trabalhava.

Conforme a denúncia do MPCE, o médico usou sua posição de docente no curso de medicina e ofereceu acesso a provas e pontos em trabalhos para assediar sexualmente a estudante. 

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A operação Bisturi Acadêmico foi deflagrada pela 1ª Promotoria de Justiça de Quixadá e coordenada pelo promotor de Justiça Bruno Barreto. A força-tarefa teve atuação conjunta de equipes da Delegacia de Defesa da Mulher de Quixadá do Ceará, da Polícia Militar (PMCE) e da Polícia Penal.

Ainda segundo o MPCE, as investigações seguem em curso, pois há indícios de que o médico fez outras vítimas e teve "outras condutas possivelmente criminosas". 

"A medida cautelar foi necessária não apenas pela gravidade dos fatos, mas também para garantir a ordem pública, preservar o andamento das investigações e evitar novas abordagens ou intimidações à vítima", informou o MP do Ceará. 

Defesa pedirá habeas corpus  

Ao Diário do Nordeste, o advogado Antônio Carlos Fernandes Pinheiro Júnior, que faz a defesa do médico Yuri Portela, informou vai pedir um habeas corpus. 

Em nota, a defesa, realizada também pelo advogado Bruno Queiroz, informa que faz a "análise técnica e detalhada dos autos". 

Sobre a prisão, os advogados apontaram, em nota divulgada na manhã desta sexta-feira (30), que a fundamentação ocorreu por meio de "trechos isolados de conversas virtuais, cuja leitura foi realizada de forma descontextualizada". Segundo a defesa, as mensagens ainda passam por apuração técnica, sem conclusão pericial definitiva.

"Em toda a fase investigativa, não se imputou ao paciente o emprego de violência física, grave ameaça ou qualquer forma de coação direta, tratando-se de suposta conduta de natureza exclusivamente verbal e moral", argumentaram.

No mesmo texto, a defesa alegou que a prisão preventiva é "desnecessária e desproporcional".

MPCE pede que casos semelhantes sejam denunciados

O MPCE solicitou que novas vítimas ou pessoas que tenham informações do caso que gerou a prisão ou de casos semelhantes procurem a Promotoria de Justiça de Quixadá para agendar atendimento:

  • Endereço presencial: Av. Jesus Maria José, 31, bairro Jardim dos Monólitos
  • E-mail: 1prom.quixada@mpce.mp.br. 
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