MP abre procedimento para investigar venda de itens nazistas em Fortaleza

Medida vem após caso de adolescente que usou uma farda com apologias à ideologia supremacista no Rio Grande do Norte.

Escrito por
Milenna Murta* milenna.murta@svm.com.br
Predio do MPCE em Fortaleza. na frente, uma pessoa caminha. Na fachada, é possivel ler MPCE
Legenda: MPCE confirmou a informação ao Diário do Nordeste nesta quinta-feira (29).
Foto: Divulgação/MPCE

O Ministério Público do Ceará (MPCE) instaurou procedimento para apurar e investigar a venda de itens que tenham cunho nazista ou que façam referência à ideologia supremacista na cidade de Fortaleza.

Ao Diário do Nordeste, o órgão confirmou a medida nesta quinta-feira (29), que está em andamento através do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc).

A operação ocorre após um episódio registrado em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em que um adolescente usou uma farda contendo apologias ao regime totalitário para um baile de formatura. O caso ocorreu dia 10 de janeiro.

Conforme afirmado posteriormente pelo suspeito, a roupa teria sido comprada na capital cearense. Na época, o Diário do Nordeste tentou contato com a família do garoto, mas não obteve retorno.

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Para prosseguir com a operação, o órgão estadual disse, em nota, ter solicitado informações de possíveis investigações correlatas à denúncia para a Delegacia Geral da Polícia Civil do Ceará (PCCE).

Relembre o caso

Em 10 de janeiro, um sábado, um adolescente participou de um baile de formatura do curso de Medicina de uma faculdade particular com um traje que trazia referências ao nazismo. A festa ocorreu em Mossoró.

À época, imagens circularam pelas redes sociais, mostrando a roupa utilizada pelo garoto: um blazer cinza, calça em tom verde-acinzentado e botas pretas de cano alto. Juntas, elas se assemelham aos uniformes militares do regime nazista.

Além disso, o adolescente também contava com insígnias aplicadas no peito e nos ombros, símbolos em formato de cruz e uma águia estilizada.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recebeu inúmeras denúncias quanto ao caso e abriu procedimento extrajudicial para coletar informações preliminares, identificar os envolvidos e analisar as provas reunidas.

Desde 1989, está previsto em lei que qualquer ato de apologia ao nazismo é crime no Brasil, com pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. Sendo o suspeito um menor de idade, este caso é considerado um ato infracional análogo ao crime.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Lazari.

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