MP investiga denúncia de maus-tratos a animais em Jaguaretama

Cães estariam doentes e desnutridos em um galpão "insalubre". Prefeito nega.

Escrito por
Milenna Murta* milenna.murta@svm.com.br
(Atualizado às 10:50, em 29 de Janeiro de 2026)
Dois cachorros deitados em situação de magreza e sujeira.
Legenda: Eles foram recolhidos das ruas em setembro de 2025.
Foto: Reprodução.

Moradores denunciaram que cerca de 30 cães estariam em situação de maus-tratos na cidade de Jaguaretama, na região do Baixo Jaguaribe. Imagens registradas pela vereadora Samylla Férrer (PSDB) na última segunda-feira (26) mostram os animais em cenário de vulnerabilidade.

Conforme explica Samylla, a situação vem escalando desde setembro do ano passado, quando pelo menos 80 cachorros foram recolhidos das ruas e colocados em um abrigo. A ação foi realizada pela Prefeitura e buscava evitar novos acidentes e óbitos que ocorriam devido à presença de animais soltos.

O galpão em questão foi o ambiente escolhido pela Prefeitura como abrigo. Entretanto, conforme a denúncia, o local está com aparência de abandono e bastante sujeira. A vereadora relatou que, quando esteve no local, os portões estavam abertos e que não havia ninguém responsável presente.

"O local não tem água encanada para fazer a limpeza. Lá não tem luz. Esses cachorros, quando chega a noite, ficam tudo no escuro. Tem pessoas que vão colocar o alimento e a água, mas eu não sei quanto tempo essa pessoa passa lá. Nas vezes que eu já fui, não foi uma, nem duas, foram várias, e nunca encontrei ninguém para fazer uma pergunta nem nada. Praticamente, é abandonado"

De acordo com a Lei 9.605 de 1998, é considerado crime o ato de maus-tratos contra animais

Em nota, o Ministério Público do Ceará (MPCE) afirmou que "instaurou procedimento para apurar o caso e adotar as providências cabíveis", inclusive com o agendamento de uma reunião com a gestão responsável.

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Situação insalubre e animais agressivos

A vereadora denuncia que alguns cães do abrigo estão com cinomose, doença viral grave, altamente transmissível e fatal caso não seja tratada logo no início dos sintomas. Segundo Samylla, esses animais não têm assistência veterinária e estão "abandonados" em um "canto insalubre".

Esse local o qual eles arranjaram é um galpão que é do lixão. É onde faz a separação do lixão do Município [...] um canto que não deveria levar os animais, que tem muitas infecções, muito lixo. E aí começaram a recolher os animais, recolheram entre 80 e 100 animais, pegaram alguns animais muito valentes e colocaram soltos lá nesse galpão
Samylla Férrer
Vereadora

Um morador que cuidava de um dos cachorros recolhidos relatou que o animal foi morto por outro cão, que tinha comportamento agressivo, dentro do abrigo. "Levaram para lá para o bicho morrer", disse.

Conforme indicou a vereadora, apenas entre 24 e 30 cães continuam vivos, de um total resgatado que passava de 80. "A gestão adotou esses cachorros para cuidar e acabou que abandonou. Simplesmente está assim, está abandonado. A rua está tomada [novamente] de animais no meio da rua e todo dia tem acidente", concluiu.

Prefeitura rebate acusações

Ao Diário do Nordeste, o prefeito de Jaguaretama, Marcos Cunha, disse, já nesta quinta-feira (29), que as denúncias são "infundadas" e que a limpeza do local é realizada diariamente, pela manhã e pela tarde, para evitar doenças e carrapatos.

De acordo com Marcos, o estado de magreza extrema em que os animais foram registrados não é decorrente do período vivido no abrigo, mas, sim, são as sequelas de como eles foram encontrados na rua. "Ele chegou desnutrido, não saiu de lá desnutrido", esclareceu. O mesmo é válido para os cães com cinomose.

"A gente deixa esses cachorros em um local isolado. Infelizmente, é uma situação que a gente está ali praticamente como se fosse um hospital. E o hospital tem um paciente bom que está ali fazendo um exame, mas tem um paciente que também está doente", explicou.

Imagem aérea de um canil com vários cães.
Legenda: A Prefeitura diz realizar limpezas diárias e fornecer água, ração e vacinas.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Jaguaretama.

Ele também afirma que muitos animais foram abandonados no abrigo municipal no momento em que foi anunciada a abertura. Após o recolhimento, teriam sido realizadas castrações, vacinações e campanhas de adoção, na qual houve "uma adoção de mais de 10 animais".

A partir do momento que ele [o cachorro] está em fase final de vida, ele vai emagrecer, ele vai ficar deitado, cansado, porque, infelizmente, é um caminho natural. [...] A gente tem que receber, não tem como eu recusar esses animais doentes. Agora, eu garanto: veterinário, limpeza, comida, água, ração, vacinas, tudo foi feito. A gente agiu da melhor forma possível
Marcos Cunha
Prefeito de Jaguaretama

Questionado quanto à reunião agendada com o Ministério Público, o prefeito disse estar ciente e que ela deve ocorre na manhã desta quinta, com a presença do procurador do município e do secretário de meio ambiente, Hélder Pinheiro.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Lazari.

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