MP investiga denúncia de maus-tratos a animais em Jaguaretama
Cães estariam doentes e desnutridos em um galpão "insalubre". Prefeito nega.
Moradores denunciaram que cerca de 30 cães estariam em situação de maus-tratos na cidade de Jaguaretama, na região do Baixo Jaguaribe. Imagens registradas pela vereadora Samylla Férrer (PSDB) na última segunda-feira (26) mostram os animais em cenário de vulnerabilidade.
Conforme explica Samylla, a situação vem escalando desde setembro do ano passado, quando pelo menos 80 cachorros foram recolhidos das ruas e colocados em um abrigo. A ação foi realizada pela Prefeitura e buscava evitar novos acidentes e óbitos que ocorriam devido à presença de animais soltos.
O galpão em questão foi o ambiente escolhido pela Prefeitura como abrigo. Entretanto, conforme a denúncia, o local está com aparência de abandono e bastante sujeira. A vereadora relatou que, quando esteve no local, os portões estavam abertos e que não havia ninguém responsável presente.
"O local não tem água encanada para fazer a limpeza. Lá não tem luz. Esses cachorros, quando chega a noite, ficam tudo no escuro. Tem pessoas que vão colocar o alimento e a água, mas eu não sei quanto tempo essa pessoa passa lá. Nas vezes que eu já fui, não foi uma, nem duas, foram várias, e nunca encontrei ninguém para fazer uma pergunta nem nada. Praticamente, é abandonado"
De acordo com a Lei 9.605 de 1998, é considerado crime o ato de maus-tratos contra animais.
Em nota, o Ministério Público do Ceará (MPCE) afirmou que "instaurou procedimento para apurar o caso e adotar as providências cabíveis", inclusive com o agendamento de uma reunião com a gestão responsável.
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Situação insalubre e animais agressivos
A vereadora denuncia que alguns cães do abrigo estão com cinomose, doença viral grave, altamente transmissível e fatal caso não seja tratada logo no início dos sintomas. Segundo Samylla, esses animais não têm assistência veterinária e estão "abandonados" em um "canto insalubre".
Esse local o qual eles arranjaram é um galpão que é do lixão. É onde faz a separação do lixão do Município [...] um canto que não deveria levar os animais, que tem muitas infecções, muito lixo. E aí começaram a recolher os animais, recolheram entre 80 e 100 animais, pegaram alguns animais muito valentes e colocaram soltos lá nesse galpão
Um morador que cuidava de um dos cachorros recolhidos relatou que o animal foi morto por outro cão, que tinha comportamento agressivo, dentro do abrigo. "Levaram para lá para o bicho morrer", disse.
Conforme indicou a vereadora, apenas entre 24 e 30 cães continuam vivos, de um total resgatado que passava de 80. "A gestão adotou esses cachorros para cuidar e acabou que abandonou. Simplesmente está assim, está abandonado. A rua está tomada [novamente] de animais no meio da rua e todo dia tem acidente", concluiu.
Prefeitura rebate acusações
Ao Diário do Nordeste, o prefeito de Jaguaretama, Marcos Cunha, disse, já nesta quinta-feira (29), que as denúncias são "infundadas" e que a limpeza do local é realizada diariamente, pela manhã e pela tarde, para evitar doenças e carrapatos.
De acordo com Marcos, o estado de magreza extrema em que os animais foram registrados não é decorrente do período vivido no abrigo, mas, sim, são as sequelas de como eles foram encontrados na rua. "Ele chegou desnutrido, não saiu de lá desnutrido", esclareceu. O mesmo é válido para os cães com cinomose.
"A gente deixa esses cachorros em um local isolado. Infelizmente, é uma situação que a gente está ali praticamente como se fosse um hospital. E o hospital tem um paciente bom que está ali fazendo um exame, mas tem um paciente que também está doente", explicou.
Ele também afirma que muitos animais foram abandonados no abrigo municipal no momento em que foi anunciada a abertura. Após o recolhimento, teriam sido realizadas castrações, vacinações e campanhas de adoção, na qual houve "uma adoção de mais de 10 animais".
A partir do momento que ele [o cachorro] está em fase final de vida, ele vai emagrecer, ele vai ficar deitado, cansado, porque, infelizmente, é um caminho natural. [...] A gente tem que receber, não tem como eu recusar esses animais doentes. Agora, eu garanto: veterinário, limpeza, comida, água, ração, vacinas, tudo foi feito. A gente agiu da melhor forma possível
Questionado quanto à reunião agendada com o Ministério Público, o prefeito disse estar ciente e que ela deve ocorre na manhã desta quinta, com a presença do procurador do município e do secretário de meio ambiente, Hélder Pinheiro.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Lazari.