De granada em casa a venda de armas: policiais são investigados no Ceará

Um dos PMs foi preso em flagrante.

Escrito por
Emanoela Campelo de Melo emanoela.campelo@svm.com.br
A imagem mostra a fachada da Controladoria Geral de Disciplina, na Praia de Iracema e uma viatura do órgão na frente.
Legenda: As investigações na seara administrativa seguem em andamento.
Foto: Fabiane de Paula

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) instaurou conselhos de disciplina para apurar condutas de policiais militares suspeitos de crimes, como, o comércio ilegal de arma de fogo e manter sob sua guarda armas, munições ou acessórios de uso restrito sem autorização.

As portarias foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE) dessa quinta-feira (22). Em ambos os casos os agentes investigados são cabos da Polícia Militar do Ceará (PMCE), que também respondem a processos na esfera criminal.

Um dos militares é Eliosmar Gomes da Silva, que "supostamente praticara crime de comércio ilegal de arma de fogo juntamente com o indivíduo identificado como Francisco Fábio Rodrigues da Silva, pelo menos entre os anos de 2020 a 2023".

A dupla foi denunciada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) no ano passado. Eles se tornaram réus quando a Justiça aceitou a acusação, no último mês de julho. As defesas dos denunciados não foram localizadas pela reportagem.

Veja também

ANÁLISE DE CONVERSAS

Francisco Fábio foi preso por posse ilegal de arma de fogo e teve o celular apreendido. Quando a Polícia analisou conversas registradas no aparelho, chegaram ao nome de Eliosmar como possível fornecedor de armas.

Em março de 2024, as autoridades compartilharam o relatório com a Delegacia de Assuntos Internos (DAI) da CGD. No documento constam diversas situações de compra e venda de material bélico (armas e munições).

Nas conversas, Fábio e Eliosmar negociavam os materiais, sendo que o PM "vendia e expunha a venda (de modo online) de armas e munições, ao passo que Fábio também adquiria ou oferecia para outros contatos". 

'MILÍCIA PRIVADA'

O cabo Marcelo Moreira Marcelino é investigado na seara administrativa "por ter praticado, em tese, o crime de possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar".

No dia 4 de dezembro de 2025, Marcelo foi preso em flagrante no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza, "em virtude de operação para cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido".

Na casa do policial militar foram encontradas uma granada, munições de diversos calibres, uma pistola Glock cal.40 e três carregadores.

Outros quatro PMs são investigados no mesmo processo de Marcelo. Todos eles são alvos de operação do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) deflagrada para desarticular a "constituição de milícia privada".

O grupo foi identificado a partir da oitiva de um preso identificado como Lucas Bastos de Sousa "que prestou informações no sentido da existência de uma possível organização criminosa formada por agentes da Segurança Pública do Estado do Ceará e informantes".

Em 2021, Lucas foi preso e com ele apreendida a arma que estava em nome de um policial penal. Quando interrogado, o suspeito teria afirmado que atuava como colaborador de um 'grupo miliciano' (termo utilizado por ele), após ser torturado por policiais que fazem parte do referido grupo".

O objetivo da 'milícia privada', segundo o MP, seria "o cometimento de diversos crimes, notadamente extorsão. Assim, a presente medida cautelar se faz necessária para a colheita de maiores indícios de autoria e materialidade para subsidiar a futura exordial acusatória".

"Durante a deflagração da operação, o investigado Marcelo Moreira Marcelino foi conduzido à autoridade competente, em face de haver sido encontrado uma granada de efeito moral, bem como diversas munições de menos letais, em sua residência, necessitando assim da adoção das medidas cabíveis"

O MP pediu ao subcomando-geral da PMCE que suspendesse temporariamente as funções públicas do suspeito.

Outro PM suspeito nesta investigação é  Igo Jefferson Silva de Sousa, o 'Igo Negão', acusado de estar por trás de uma série de crimes na região do Grande Pirambu.

Segundo o Ministério Público do Ceará, 'Igo Negão' atuaria em conjunto em 'grupo de extermínio e extorsões contra criminosos e também estava a frente de crimes como tráfico de drogas e comércio de armas de fogo.

As defesas deles também não foram localizadas.

VENDA DE BICICLETAS

No Diário Oficial do Estado (DOE) dessa quinta-feira (22) foram instaurados outros processos administrativos disciplinares contra mais policiais. 

Um dos casos também apurado pela reportagem é o do policial penal Claudson da Rocha Etelvino, investigado porque "teria realizado a venda de bicicletas de alumínio doadas pela Polícia Civil do Estado do Ceará, em 26 de maio de 2023, para o 'Projeto Vida que Segue', implantado na Unidade Prisional Francisco Hélio Viana de Araújo, apesar da proibição constante do termo de doação".

Este conteúdo é útil para você?
Assuntos Relacionados