Como a Polícia chegou a uma quadrilha suspeita de roubar carros de luxo em Caucaia

Ministério Público denunciou dois homens por integrarem o grupo criminoso.

Escrito por
Messias Borges messias.borges@svm.com.br
A foto mostra uma viatura da Polícia Militar do Ceará, nas cores preto e branco, estacionada.
Legenda: A dupla foi presa pela Polícia Militar quando se preparava para realizar outro assalto.
Foto: Divulgação.

Uma quadrilha especializada em roubos de veículos de luxo estaria agindo em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Dois suspeitos de integrar o grupo criminoso foram presos pela Polícia e denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE).

A denúncia da 11ª Promotoria de Justiça de Caucaia contra Francisco Evanildo de Oliveira da Silva e Washington Ferreira Morais, por roubo qualificado e associação criminosa, foi apresentada à Justiça Estadual, no último dia 16 de janeiro. Washington ainda foi denunciado pelo crime de resistência.

Conforme a denúncia, no dia 2 de dezembro do ano passado, os dois acusados, "em comunhão de esforços e unidade de desígnios com outros dois indivíduos não identificados previamente ajustados e armados, subtraíram, mediante grave ameaça e emprego de armas de fogo, um veículo automotor".

O crime teve como vítima um empresário e foi cometido na Rua Padre Aldredo Nessi, no bairro Jurema. Foram roubados uma caminhonete Ford Ranger, de cor branca; R$ 1,4 mil em espécie; e dois aparelhos celulares.

A defesa de Washington Ferreira Morais, representada pelos advogados Ícaro Pacífico e Rayanney Mourão, ressaltou que "a denúncia não se confunde com condenação. Trata-se de uma manifestação unilateral da acusação, cujos fatos e imputações serão devidamente analisados e contestados no curso do processo, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, garantias constitucionais asseguradas a todo cidadão" (confira a nota na íntegra abaixo).

A defesa técnica destaca que o Sr. Washington Ferreira Morais nega a prática dos fatos que lhe são atribuídos, inexistindo, até o presente momento, sentença condenatória ou reconhecimento judicial de culpa. Todos os esclarecimentos necessários serão prestados exclusivamente nos autos, respeitando-se o devido processo legal."
Ícaro Pacífico e Rayanney Mourão
Advogados de defesa

Já a defesa de Francisco Evanildo de Oliveira da Silva não foi localizada pela reportagem para comentar a denúncia. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

Ao ser interrogado pela Polícia Civil, Francisco Evanildo alegou que trabalhava como motorista por aplicativos, quando foi raptado e obrigado a dirigir para criminosos que cometeriam um assalto.

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Identificação dos suspeitos

O Sistema Agilis - o videomonitoramento da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) - identificou que um veículo Fiat Mobi foi utilizado como apoio, pelos criminosos, para roubarem a caminhonete Ford Ranger.

No dia 5 de dezembro último, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) recebeu informações que o Fiat Mobi estava no bairro Coité Pedreiras, para ser utilizado pela quadrilha no roubo de um novo automóvel - desta vez uma Toyota Hilux.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o carro Mobi foi seguido pelos policiais militares. Três homens se aproximaram do veículo, e os PMs realizaram a abordagem. Os suspeitos reagiram, e houve troca de tiros.

Washington Ferreira Morais foi baleado na perna e preso. O motorista por aplicativos Francisco Evanildo de Oliveira da Silva, que dirigia o Fiat Mobi, também foi detido. Pelo menos dois suspeitos fugiram e continuam a ser procurados pela Polícia.

Com Washington Morais, foi apreendido um bloqueador de sinal veicular "jammer", "equipamento sofisticado utilizado para impedir rastreamento de veículos, típico de organizações criminosas especializadas em furtos e roubos de automóveis", descreveu o MPCE.

O Ministério Público concluiu que Evanildo e Washington têm ligação com a quadrilha, "com vínculos entre o primeiro crime e outro planejado, em circunstâncias que demonstram habitualidade delitiva e associação estável e permanente entre os denunciados e outros indivíduos, voltada à prática reiterada de crimes patrimoniais mediante violência na região de Caucaia".

As prisões em flagrante dos suspeitos foram convertidas em prisões preventivas, pela Justiça Estadual.

Confira a nota da defesa na íntegra:

"O escritório Pacífico & Mourão Advogados, por meio de seus advogados Rayanney Mourão e Ícaro Pacífico, vem a público esclarecer que o Sr. Washington Ferreira Morais figura como acusado em denúncia recentemente oferecida pelo Ministério Público, a qual ainda se encontra em fase inicial de tramitação, sem qualquer decisão judicial de mérito.

É imprescindível ressaltar que denúncia não se confunde com condenação. Trata-se de uma manifestação unilateral da acusação, cujos fatos e imputações serão devidamente analisados e contestados no curso do processo, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, garantias constitucionais asseguradas a todo cidadão.

A defesa técnica destaca que o Sr. Washington Ferreira Morais nega a prática dos fatos que lhe são atribuídos, inexistindo, até o presente momento, sentença condenatória ou reconhecimento judicial de culpa. Todos os esclarecimentos necessários serão prestados exclusivamente nos autos, respeitando-se o devido processo legal.

Reforça-se, ainda, a importância de que a cobertura jornalística observe o princípio constitucional da presunção de inocência, evitando-se prejulgamentos que possam causar danos irreparáveis à honra, à imagem e à dignidade da pessoa humana.

O escritório Pacífico & Mourão Advogados confia plenamente na atuação do Poder Judiciário e reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética profissional e a defesa intransigente dos direitos e garantias fundamentais."

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