Comerciantes relatam furtos em sequência na Avenida Monsenhor Tabosa: 'Situação complicada'

Ao menos quatro casos de arrombamento em lojas da via foram registrados no último mês.

Escrito por
Mylena Gadelha mylena.gadelha@svm.com.br
Imagens de câmeras de segurança mostram, à esquerda, uma pessoa retirando uma grade metálica em área externa durante a noite e, à direita, o interior de uma loja com objetos nas prateleiras enquanto uma pessoa se move entre os balcões.
Legenda: Ao menos quatro furtos após arrombamentos foram registrados em estabelecimentos da Av. Monsenhor Tabosa nos últimos 20 dias.
Foto: Reprodução/Arquivo pessoal.

Um dos corredores comerciais mais tradicionais de Fortaleza, a Avenida Monsenhor Tabosa tem registrado furtos frequentes em lojas da região. Relatos de comerciantes apontam que ao menos quatro lojas da via foram invadidas no último mês, geralmente com métodos semelhantes: por meio de arrombamento em horários de pouco movimento, na madrugada ou em feriados. 

O caso mais recente, por exemplo, foi registrado nas primeiras horas desta quarta-feira (8), mas outros dois ocorreram nos últimos dias, um deles na madrugada de segunda (6) e outro na quarta-feira (8).

Veja imagens da ação registrada na quarta (8):

A sócia da loja invadida revelou que está reunindo informações sobre os danos. "Ele destruiu tudo daqui do escritório. Levou os celulares, o notebook, o tablet, vários outros eletrônicos e o dinheiro que tínhamos guardado", disse em entrevista ao Diário do Nordeste.

Também afetada, a proprietária do local furtado no início da semana define uma sensação de insegurança crescente. "Desligaram tudo no andar de cima da loja. Arrancaram os fios, os alarmes, puxaram os cabos da energia da loja. Foi uma situação bastante complicada. Até agora, no meio da semana, tem gente aqui arrumando", lamentou em entrevista ao Diário do Nordeste.

Sem se identificar, ela apontou que os envolvidos no crime não chegaram a entrar na loja, mas "mexeram em tudo" ao alcance. "A vendedora chegou na loja na segunda e a porta automática não estava abrindo, então já suspeitamos de algo assim", continuou. 

Já no feriado da Sexta-feira Santa, outra situação semelhante teve resultados diferentes. Por meio de um arrombamento, realizado às 5h, um homem adentrou em outra loja da avenida e conseguiu levar dinheiro e objetos de valor do local. 

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As filmagens do momento mostram a tranquilidade durante a prática do crime. Nelas, é possível vê-lo circulando pelo espaço, escolhendo os itens a serem levados, puxando eletrônicos e até subtraindo os valores da caixa registradora. 

"O alarme antifurto não disparou de início, mas eu acordei e vi tudo pelas câmeras. Então, imediatamente, acionei a empresa de segurança responsável pela loja. Ainda assim, ele conseguiu levar algumas coisas", relatou outra proprietária, também sem se identificar. 

Furtos frequentes e em sequência

No último mês, durante a tarde do feriado do dia 19 de março, outro estabelecimento sofreu com o mesmo problema, contabilizando prejuízo de R$ 25 mil. A ação resultou na perda de diversos equipamentos do Motolibre Bar, que precisou mobilizar uma rede de clientes para reabrir no dia seguinte ao furto.

Dennis Nunes, um dos sócios do espaço, expôs, à época, a indignação diante do ocorrido. "É muito "trampo" para uma pequena empresa, para fazer acontecer, para estruturá-la, conseguir empregar o máximo e o melhor que conseguimos para os nossos clientes. Daí, acontece isso", comentou nas redes sociais em apelo aos seguidores.

Segundo Márcia Oliveira, presidente da Associação dos Lojistas da Monsenhor Tabosa, a Almont, o problema não é recente. A proximidade da avenida com outras ruas, como a José Avelino, teria impactado na segurança, mesmo com policiamento frequente na via.

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"A avenida é segura durante seu horário comercial, mas à noite não funciona. E todos esses furtos estão ocorrendo na parte de trás, com os terrenos que existem; vários são de construtoras e esses terrenos têm muita mata, facilitando a passagem", exemplifica. 

Ela conta que a suspeita é de que um único homem seja o responsável por todas as ocorrências, mas ele ainda não teria sido identificado. Além disso, as lojas contariam com segurança particular, mas as ações de criminosos não têm sido coibidas, mesmo com o reforço. 

"É uma coisa assim bem pontual. Inclusive, todas as lojas têm segurança eletrônica, têm câmeras. A segurança chega, até chegou no momento do último furto, quando o meliante estava dentro da loja, mas não conseguiu pegar. O que a gente pede ao poder público é um posicionamento em relação a esses terrenos, porque é um problema que sempre vai acontecer", pontua. 

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) relatou que investiga as circunstâncias do furto registrado na última segunda (6) em um dos estabelecimentos do bairro.

"O caso foi comunicado por meio de Boletim de Ocorrência (BO) e está a cargo da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, unidade que investiga ações criminosas na região", diz o posicionamento, reforçando a necessidade do registro de todos os casos. 

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