Ataque em comunidade: Justiça mantém prisão de 7 membros de facção acusados de duplo homicídio
Os réus disseram acreditar que estavam indo a um terreiro de umbanda.
Sete acusados de promover um ataque a tiros na Comunidade do Sossego, em Fortaleza, devem continuar presos. A Justiça do Ceará decidiu que permanecem os elementos que justificam a segregação cautelar dos réus presos no último mês de maio pelas mortes de dois jovens.
Kauã Vitor Alves Nascimento e Francisco Lianderson de Brito Guedes foram assassinados a tiros enquanto dormiam, dentro de uma casa, no bairro Quintino Cunha. De acordo com a acusação, as vítimas eram membros do Comando Vermelho (CV) e foram alvos dos criminosos que participam do Primeiro Comando da Capital (PCC) e da Massa Carcerária.
Sara Vitória Campelo Alves, Miguel Sousa dos Santos, Watila Souza da Silva, José Wellington da Silva, Antônio Cyro Regis Duarte da Silva, Francisco Samael Lima de Moura e João Victor Sousa Freitas foram presos em flagrante e denunciados por homicídio qualificado, adulteração de sinal de veículo automotor e por integrar organização criminosa. As defesas não foram localizadas pela reportagem.
"Uma equipe da Polícia Militar compareceu ao local e por meio de informações uma pessoa da comunidade conseguiram os nomes e características dos suspeitos de terem praticado o crime, bem como lhes foi dito que o ataque na Comunidade do Sossego teria sido um ataque do PCC e Massa contra o CV e as vítimas, Kauã Vitor Alves Nascimento e Francisco Lianderson de Brito Guedes, eram do CV".
Já neste mês de dezembro, os juízes da 6ª Vara do Júri decidiram manter as prisões preventivas "para garantia da ordem pública e por conveniência da instrução criminal" e redesignaram a audiência de instrução para o dia 24 de fevereiro de 2026, às 9h.
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LOCALIZAÇÃO DO VEÍCULO
Os investigadores conseguiram rastrear o carro usado no crime por meio da ferramenta Agilis ("sistema capaz de integrar inúmeros bancos de dados aliado na identificação de veículos automotores que tenham sido utilizados em práticas criminosas ou que tenham ligação com alguma pessoa em conflito com a lei").
Logo após identificarem o automóvel modelo Etios sedan, cor cinza, os policiais verificaram as imagens e viram o momento no qual o bando entrou em uma casa: "pararam o veículo na entrada da comunidade, desceram do veículo e invadiram a residência onde as vítimas estavam e, em concurso, efetuaram diversos disparos". Instantes depois o veículo foi abandonado.
De acordo com documentos que a reportagem teve acesso, os suspeitos disseram que acreditavam que estariam indo a um local onde funcionava um terreiro de umbanda, o que foi negado pela Polícia.
Lianderson chegou a ser socorrido, mas morreu. Já Kauã morreu ainda no local do crime.
Junto aos suspeitos, policiais também apreenderam uma submetralhadora, outras três armas de fogo, além de um artefato supostamente explosivo.