Agressão contra PM e acusado por 'pirataria': veja histórico de processos do Henrique CDs, filmado batendo em mulher

A reportagem entrou em contato com o empresário, que negou as acusações

Escrito por
Emanoela Campelo de Melo emanoela.campelo@svm.com.br
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Legenda: O suspeito foi filmado agredindo a secretária da ex-esposa dele, na casa onde o casal morou, no bairro Bela Vista, em Fortaleza. O momento foi registrado pelo circuito das câmeras de segurança instalado na residência.
Foto: Reprodução

Antes de ser filmado agredindo uma mulher na última semana, o empresário musical Jorge Henrique de Lima Dias, conhecido como Henrique CDs, já respondia a outros processos. O Diário do Nordeste apurou junto a documentos que Henrique foi acusado por crimes, como: direção perigosa, resistência, desobediência e violação de direito autoral.

Contra o empresário segue tramitando a ação penal relacionada ao dia que ele, segundo o Ministério Público do Ceará (MPCE), furou uma blitz, não obedeceu a ordem de parada dos policiais militares e ainda teria agredido fisicamente um dos agentes com um soco no rosto, resistindo à voz de prisão. Questionado sobre os fatos e o posicionamento dele sobre cada uma das acusações, Henrique nega ter cometido crimes e sugere que postaria nas redes sociais críticas à abordagem da reportagem. 

Na versão do empresário, ele diz ter sido coagido e agredido pelos PMs durante o episódio ocorrido em 2021, no bairro Praia de Iracema. O acusado acrescenta que morava perto de onde a blitz estava e dobrou para 'entrar em casa'. Então, foi seguido por um policial que disse que ele teria 'furado o cerco'. 

"Eles invadiram a minha resistência, me agrediram lá dentro. Eu tenho testemunhas. Furtaram meu celular e até hoje não apareceu, me autuaram como desacato e mentiram", disse Henrique. 

No entanto, a ex-mulher do empresário, que anos depois deu entrada em um pedido de medida protetiva contra ele, disse que no dia do fato, o esposo teria fugido da blitz porque o carro estava em situação irregular.

Henrique CDs foi levado ao 2º Distrito Policial e teve liberdade restituída ficando durante meses sujeito a medida cautelar de comparecimento à sede da Central de Alternativas Penais.

A reportagem também apurou que em 2007, Jorge Henrique de Lima Dias foi denunciado pelo Ministério Público por violação de direito autoral. Policiais militares estavam em ronda no 'Beco da Poeira', no Centro de Fortaleza, e recolheram 132 CDs pirateados e o responsável pelo material seria 'Henrique CDs'.

"O meu sistema é de show ao vivo, não é pirataria... isso aí não deu em nada. A banda autorizava a gente a gravar os shows ao vivo"
Jorge Henrique de Lima Dias

Com relação ao caso envolvendo a pirataria, os três homens envolvidos foram absolvidos, em 2009, na 18ª Vara Criminal. O Ministério Público recorreu da decisão, mas ao ser analisado pelos desembargadores, a punição dos envolvidos foi extinta por prescrição da pretensão punitiva estatal. 

"Julgo prejudicada a análise do mérito recursal e declaro a extinção da punibilidade dos recorridos Cláudio Ferreira da Silva Júnior, Jose Carneiro Monteiro Sobrinho e Jorge Henrique de Lima Dias, pela prescrição da pretensão punitiva, nos termos art. 107, inciso IV, primeira figura,c/c 109, IV, ambos do Código Penal Brasileiro e art. 61 do Código de Processo Penal". 
Francisca Adelineide Viana
Relatora

AGRESSÃO FOI FILMADA

O suspeito foi filmado agredindo a secretária da ex-esposa dele, na casa onde o casal morou, no bairro Bela Vista, em Fortaleza. O momento foi registrado pelo circuito das câmeras de segurança instalado na residência.

No vídeo, é possível ver Henrique ao lado da ex-esposa e da funcionária na área externa da residência, próximo a uma piscina. Eles começam a discutir e na sequência o empresário desfere socos contra a secretária. 

Um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado. Em nota, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) afirmou que apura as circunstâncias de uma ocorrência.

"Na ocasião, uma mulher foi agredida pelo ex-companheiro com um tapa no braço em uma residência particular. Duas funcionárias da vítima também foram agredidas com socos e empurrões. A mulher registrou a ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Fortaleza e solicitou medidas protetivas de urgência. A unidade da Polícia Civil investiga a ocorrência"
PCCE

Henrique CDs afirmou à reportagem que esteve na casa para falar sobre a compra de um celular feita pela ex-esposa. Ele negou ter cometido agressão e disse que, ao tentar deixar o ambiente durante a discussão, teve a camisa rasgada pela funcionária. O empresário acrescentou ainda que a assistente já teria histórico de confusões.

Em decisão do último dia 13 que a reportagem teve acesso, o Poder Judiciário deferiu o pedido de medida protetiva. Conforme o documento, o Juízo do Plantão Judiciário do Crime afirma que "o relato produzido pela ofendida, através da Autoridade Policial, possui verossimilhança, em que pese a necessidade de comprovação das alegações".

"Há que se analisar o caso concreto, compreendendo a necessidade e a urgência das medidas protetivas para as mulheres em situação de risco, o que se revela no caso, considerando as ameaças e agressões sofridas pela vítima (art. 7º, I e II, da Lei nº 11.340/06). Isso posto, defiro as medidas protetivas requeridas à pág. 2, pela ofendida [...] determinando ainda que o agressor mantenha distância da vítima no limite de 100 metros.
Valência Maria Alves de Sousa
Juíza de Direito titular da 6ª Vara do Júri - Plantonista do Plantão Judiciário do Crime

A magistrada determinou o encaminhando da cópia da decisão ao Grupo de Apoio às Vítimas de Violência (GAVV) e, caso seja necessário, a vítima poderá solicitar apoio policial. O caso segue em análise pelo Poder Judiciário estadual. 

 

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