Lula rebate críticas ao desfile que o homenageou no Carnaval 2026: ‘Não sou carnavalesco’
A escola Acadêmicos de Niterói sofreu críticas de setores da oposição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu críticas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que o homenageou no Carnaval deste ano. Em entrevista neste domingo (22), o petista afirmou que a agremiação teve autonomia para montar a apresentação.
“Eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”, disse.
Desde antes da apresentação, no último domingo (15), a escola passou a ser alvo de críticas de opositores do presidente e de representações judiciais.
Uma das polêmicas envolveu uma ala que representava “neoconservadores” em latas de conserva.
A alegoria gerou reação de um segmento dos evangélicos — grupo com o qual o PT enfrenta dificuldades de aproximação eleitoral. Outra acusação foi a de que o samba-enredo configuraria propaganda eleitoral antecipada.
“Cabia ao presidente da República aceitar se ele queria ser homenageado ou não e eu aceitei e sou muito grato à escola, muito grato”, afirmou.
Para além das disputas judiciais, a escola de samba acabou rebaixada na quarta-feira (18). Com apenas duas notas dez, a agremiação ficou em último lugar e voltará, no próximo ano, ao grupo de acesso.
Lula disse que não é sua função “dar palpite” sobre o desfile, mas afirmou que, para ele, a homenagem teve como foco sua mãe, Dona Lindu.
“É uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe. É a saga dela de trazer a gente para São Paulo”, completou.
Entenda o caso
Estreante no Grupo Especial do carnaval carioca, a Acadêmicos de Niterói levou para a avenida o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que relembra a trajetória do ex-metalúrgico que se tornou presidente da República.
Os partidos Novo e Missão apresentaram pedidos de liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Lula, o PT e a escola de samba. As siglas pediam multa aos responsáveis e aos homenageados.
As legendas alegaram que o desfile extrapolava o caráter cultural de homenagem e configuraria propaganda eleitoral antecipada. Pouco antes da apresentação, no entanto, o TSE rejeitou, por unanimidade, os pedidos.