Em nova ida à CPI, presidente da APS volta a negar participação em motim de PMs e critica deputados

Cleyber Araújo reclama da continuidade da prestação de contas aos parlamentares mesmo após ter enviados "uma vasta documentação para a CPI"

Escrito por Alessandra Castro, Felipe Azevedo,

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Cleyber Barbosa  CPI Assembleia
Legenda: A nova convocação de Cleyber Barbosa foi apresentado pelo deputado Marcos Sobreira (PDT), que integra a Comissão, sendo aprovado pelo colegiado
Foto: Felipe Azevedo

Em meio ao arrastar das investigações da Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) das Associações Militares, que apura a suposta participação das entidas no financiamento do motim de policiais e bombeiros militares em 2020, o presidente da Associação dos Profissionais da Segurança do Ceará (APS), Cleyber Araújo, voltou a negar a participação no ato e criticou o tratamento recebido dos deputados, nesta terça-feira (7).

Essa é a segunda vez que Cleyber depõe na CPI, tendo sido o primeiro a ser ouvido pelo colegiado, em abril deste ano.

"Ratifico que a APS não financiou, não motivou, não participou, não colaborou com a paralisação de fevereiro de 2020. Esperamos que hoje a gente tenha uma certa transparência e consiga passar isso, e que os deputados, principalmente o relator,  tenham mais responsabilidade e tratem a todos, principalmente eu que estou aqui como convidado, com mais dignidade, com mais respeito, porque da última vez fizeram várias acusações e simulações", disse Cleyber, antes do início da sessão.

Para o novo interrogatório desta terça, a expectativa dos parlamentares é questionar a liderança da APS sobre informações obtidas em documentos coletados nas investigações e em depoimentos que sucederam o dele, em abril. Todavia, a abordagem da Comissão à APS não tem agradado Araújo.

"A CPI, desde o início, na nossa avaliação, é uma CPI política. Da APS, hoje, já é o quinto depoimento. É a única associação que teve quatro pessoas depondo, sendo o presidente hoje chamado novamente pra depor. No depoimento, como deixei claro, estou aqui pra colaborar desde o começo. A gente enviou uma vasta documentação para a CPI. A gente aguarda que, hoje, com mais esse depoimento, a gente chegue a tirar qualquer dúvida em relação à documentação, ao trabalho da associação", frisou.

Ele aponta, ainda, ilegalidade na abertura da investigação da CPI, o que teria levado a APS a entrar na Justiça contra a Comissão. À época de seu primeiro depoimento, em abril, o relator do colegiado na Casa, deputado Elmano de Freitas (PT), indagou sobre o saque de R$ 2,3 milhões "na boca do caixa" pela APS nos últimos 5 anos. Essa abordagem, inclusive, é alvo de críticas de Cleyber, que questiona a necessidade de prestar contas aos parlamentares.

"Nós não devemos prestar contas com deputados. Essa prestação de contas é feita anualmente com os nossos associados, nós temos o conselho fiscal. Se nós tivermos essa obrigação de prestar contas com deputados, eles deveriam participar anualmente da nossa assembleia geral e assim prestaremos contas. Então assim, segundo o nosso estatuto, seguindo a legislação, nós não devemos. Uma vez que está aberta a CPI, logicamente através da CPI essa prestação de contas é realizada", finalizou.

Convocação

A nova convocação de Cleyber Barbosa foi apresentado pelo deputado Marcos Sobreira (PDT), que integra a Comissão, sendo aprovado pelo colegiado. 

A comissão é composta pelos deputados Salmito Filho (PDT), presidente do colegiado; Elmano Freitas (PT), relator da CPI, além do vice-presidente, Queiroz Filho (PDT), e dos membros titulares Augusta Brito (PT), Soldado Noelio (União), Romeu Aldigueri (PDT), Nizo Costa (PT), Davi de Raimundão (MDB) e Marcos Sobreira (PDT).