Deputada leva bebê para sessão na Câmara em meio a protestos contra prisão de Bolsonaro
Ação aconteceu durante a tentativa de sessão presencial ocorrida na noite dessa quarta-feira (6)
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) carregou a filha de quatro meses durante uma sessão na Câmara dos Deputados, na noite dessa quarta-feira (6). Ela também sentou com o bebê na cadeira da Presidência da Câmara, e pousou para uma foto acompanhada de outras parlamentares de oposição.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra Zanatta no Congresso, minutos antes do início da sessão, com a criança no colo enquanto é escoltada pela Polícia Judiciária. O local está desde a última terça-feira (5) ocupado por parlamentes que protestam contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O gesto da deputada foi visto por críticos como uma maneira de se proteger contra possíveis represálias. Nas redes sociais, ela admitiu que utilizou a criança como escudo.
"Os que estão atacando minha bebê não estão preocupados com a integridade da criança (nenhum abortista jamais esteve), eles querem é inviabilizar o exercício profissional de uma mulher usando, sim, uma criança como escudo. Canalhas!", escreveu.
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Deputado do PT aciona Conselho Tutelar contra Zanatta
Devido à repercussão do caso, o deputado federal Reimont (PT-RJ) informou, ainda na noite dessa quarta, que acionou o Conselho Tutelar de Brasília contra Júlia Zanatta. A decisão foi compartilhada no X (antigo Twitter).
Na denúncia, Reimont descreve o acontecimento como "possível exposição de criança a situação de risco" e afirma que a menina foi exposta a um ambiente de "instabilidade, risco físico e tensão institucional".
Ainda segundo o deputado, que também preside a Comissão de Direitos Humanos na Câmara, as ações de Zanatta contrariam os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Visando garantir o pleno cumprimento dos direitos da criança envolvida, consideramos pertinente e necessária a atuação do Conselho Tutelar”, acrescenta o ofício.
Em resposta, Zanatta afirmou, em entrevista ao jornalista Paulo Capelli, do Metrópoles, ser "lamentável" a conduta do colega parlamentar. "Abortista nunca está preocupado com crianças. O que ele quer é impedir o exercício regular do meu direito. Isso é lamentável", disse.
Quem é Júlia Zanatta?
Formada em Jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Júlia Zanatta começou no campo político como assessora de imprensa. Em 2020, tentou se candidatar à prefeitura de Criciúma, mas ficou em terceiro lugar com 6.953 votos.
Ela só conseguiu um cargo político dois anos depois, quando foi eleita deputada federal por Santa Catarina com 111.588 votos. Desde então, Zanatta se utiliza do espaço na Câmara e nas redes sociais para falar sobre maternidade, proteção às crianças e ser oposição ao governo.
Zanatta também possui um longo histórico de polêmicas. Em 2023, ela foi denunciada ao Supremo Tribunal Federal (STF) por utilizar uma camiseta que sugeria atirar na mão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em julho desse ano, a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com um pedido de investigação contra Zanatta por ela, supostamente, promover campanha antivacina na Câmara. Segundo a denúncia, a deputada apresentou dois projetos de lei que visam retirar a obrigatoriedade da vacinação infantil.
À imprensa, Zanatta se defendeu dizendo que "se um parlamentar não pode opinar e propor leis, então não há razão para a existência do mandato".
*Estagiário sob supervisão do jornalista Felipe Mesquita