Plano energético: Estado terá no mínimo R$ 160 mi
Valor vem dos R$ 186 bilhões anunciados ontem pelo governo no Plano de Investimento em Energia Elétrica
Fortaleza/Brasília. O Ceará deve contar com recursos de, pelo menos, R$ 160 milhões dos R$ 186 bilhões anunciados ontem pela presidente Dilma Rousseff e o ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) ao lançarem o chamado Programa de Investimento em Energia Elétrica (PIEE). O Estado deve ser contemplado, conforme sinaliza o governo federal, em obras de transmissão e geração de energia, com destaque para novos parques eólicos e usinas solares.
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O primeiro cruza o município de Milagres, na fronteira com Paraíba e Rio Grande do Norte e promete uma tensão entre 230Kv e 500kv. A obra toda é orçada em R$ 4,1 bilhões e visa uma linha de transmissão de 2,9 mil quilômetros, ligando João Câmara II e III, no Rio Grande do Norte, até Rio das éguas, na Bahia, além de outros três trechos menores: dois na Bahia (de Juazeiro a Ourolândia e Gentio do Ouro a Bom Jesus da Lapa) e um no Piauí (de Ribeiro Gonçalves a Gilbés).
O segundo é a linha de transmissão que deve "escoar a energia eólica da área norte da Região Nordeste" e tem orçamento estimado em R$ 2,6 bilhão. Nesta obra, existem trechos interligando as usinas cearenses de Pecém II, Acaraú III, Tianguá e Ibiapina II a Parnaíba III (PI), Bacabeira (PA), São João do Arraial II e Chapadinha (ambos no PI). A tensão para a obra também varia de 230Kv a 500Kv.
Prazos
De acordo com o divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), todas linhas de transmissão funcionam por concessão e têm duração estimada de 30 anos, porém, ainda não possuem prazo de execução.
Geração renovável
Já no que diz respeito aos projetos de geração de energia, o Ceará surge na apresentação do PIEE como alvo de empreendimentos eólicos e solares. Consultada pela reportagem, a assessoria do MME não soube estimar o investimento para estes projetos, que devem ser contratados de agosto deste ano até dezembro de 2018. Para a geração eólica, a capacidade contratada visada é de 4 mil a 6 mil megawatts (MW), enquanto a solares devem representar de 2 a 3 mil megawatt-pico (MWp).
Investimento
Todo o investimentos de R$ 186 bilhões até 2018 em energia elétrica, do qual o Ceará terá parte, considera empreendimentos já planejados e anunciados anteriormente, sendo R$ 81 bilhões gastos até aquele ano e R$ 105 bilhões a partir de 2019.
Do total, serão R$ 116 bilhões para geração e R$ 70 bilhões para transmissão de energia Esses investimentos representam um implemento de geração de 25 mil megawatts (MW) a 31,5 mil MW, além de 37,6 mil quilômetros em novas linhas de transmissão. "O Brasil dará respostas que a economia e o povo brasileiro tanto esperam do governo. Estamos conseguindo superar os desafios que a natureza e as circunstâncias colocaram à nossa frente. Temos assegurado a entrega da energia", afirmou o ministro Eduardo Braga.
"Precisamos de um setor cada vez mais robusto, com fontes limpas e custos compatíveis", completou. Conforme o vídeo institucional apresentado na cerimônia, o objetivo do PIEE é manter a matriz energética limpa e a custos declinantes, para que os custos da eletricidade 2018 cheguem a patamares compatíveis com o mercado internacional. "Vamos avançar para promover a competitividade necessária para nossos produtos", afirmou.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Ação não apresenta novidade
Não consegui enxergar nenhuma novidade no Plano de Investimento em Energia Elétrica. Isso porque grande parte do investimento é privada, tanto os de transmissão quanto os de geração de energia. E os números divulgados são muito parecidos com os do PDE (Plano Decenal de Energia) 2023, divulgado há dois anos (pela Empresa de Pesquisa Energética, EPE) e que estimava os investimentos no setor em uma década.
Não vi o Plano (de Investimento em Energia Elétrica) na íntegra. Busquei, mas só vi divulgada uma apresentação que, com certeza, traz os projetos atrasados de geração.
Para se ter uma ideia, a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) tem um observatório do setor elétrico e verificou, em dezembro de 2014, que existem 272 obras em atraso no Brasil, representando uma perda de 10.376 megawatts (MW).
Jurandir Picanço
Presidente da Câmara Setorial de Energias Renovávels