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Personalização faz indústria ótica do Ceará ganhar mercado

Produzindo peças para linhas próprias e também outras grifes, marcas locais têm crescido no Estado

Escrito por
Carol Kossling - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: A produção da Di Poly é feita de maneira artesanal no Jardim das Oliveiras, em Fortaleza, e é de 500 peças por mês. Sendo que 60% são destinados para armações de grau e 40% solares
Foto: Fotos: Bruno Gomes

O mercado de produção de óculos no Ceará está se reinventando. As primeiras indústrias, que se instalaram no Estado nas décadas de 70 e 80 e abasteciam todo País, principalmente o Norte e Nordeste, sofreram nos anos 2000 com a avalanche dos produtos "made in china" e, agora, mesmo com a atual situação econômica, encontraram novos nichos para sobreviver e voltar a expandir.

Entre eles, a personalização de óculos, grande aposta do setor, e a produção para outras marcas colocarem suas etiquetas, sistema conhecido no mercado como private label. Um exemplo é a Di Poly, fundada pelo italiano Pasquale Dallo, no final dos anos 70, que foi a primeira indústria de óculos das regiões Norte e Nordeste. Pasquale, mais conhecido como Poly, desenvolveu uma nova estratégia para a marca, a exclusividade dos seus produtos, alinhada à qualidade e a materiais mais nobres. "Produzimos algo que os outros não fazem. Todo mês lançamos uma novidade, são produtos personalizados", destaca. Atualmente mais ligado ao departamento de produção, ele cria novos modelos e associa ao acetato, principal matéria-prima utilizada na confecção do acessório, itens inusitados, como renda, palha de coqueiro, flor de jambo, pena de pavão, coco seco e glitter, entre outros.
 
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Expansão e e-commerce

A responsável pelo marketing da empresa e filha de Poly, Mila Brasil Dallo, ressalta que o cliente pode ir até a ótica e escolher o modelo e os materiais para a feitura do óculos, que sai personalizado. "Este é o nosso diferencial. Hoje, 35% da nossa produção é voltada para Di Poly", ressalta. A empresa estuda, ainda para este ano, um e-commerce voltado à personalização. Na loja virtual, o cliente poderá montar o óculos de acordo com o seu gosto.

"O nosso foco está na marca Di Poly. Este ano, queremos aumentar a produção em 15% e fidelizar nosso nome, além de expandir no Nordeste. Também queremos participar de feiras", diz Mila. Atualmente, a produção, feita de maneira artesanal no Jardim das Oliveiras, em Fortaleza, é de 500 peças por mês. Sendo que 60% são destinados para armações de grau e 40% solares. Em relação especificamente à loja, Poly afirma que não pretendem ampliar, apenas manter as cinco próprias - três em Fortaleza, uma em Eusébio e mais uma em Taíba.

A inovação planejada é produção de armações solares com um material chamado Psai, um poliestireno de alto impacto que é mais leve e barato do que o acetato. Mas, até o momento, só está disponível na cor branca. "Em abril, iremos a São Paulo tentar novas cores", comenta.

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