Quanto vão custar as passagens aéreas partindo de Fortaleza com a alta de 55% no querosene?
O Diário do Nordeste fez uma simulação considerando os principais destinos partindo Capital.
As passagens aéreas com saída do Aeroporto de Fortaleza para os cinco destinos mais demandados podem ficar até 16,5% mais caras, o que representa uma alta de até R$ 162 por bilhete, após o reajuste no preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras. Os dados são de levantamento feito pelo Diário do Nordeste.
A simulação foi feita com base em estudos de precificação de companhias aéreas realizados pelo Núcleo de Economia do Transporte Aéreo do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (Nectar-ITA), a partir do preço médio das tarifas.
Os valores levam em conta o impacto do aumento do combustível sobre o custo final das passagens, considerando dois cenários: a alta imediata de 18%, válida para abril, e o reajuste total de 55% anunciado pela estatal.
Nos dois casos, os percentuais de acréscimo sobre as tarifas são fixos: 5,4% no primeiro cenário e 16,5% no segundo, para qualquer destino. O que muda é o valor em reais, já que as tarifas base são diferentes.
Os dados permitem apenas estimar o quanto o aumento do queresone pode se refletir no custo final das passagens, mas o peso real para o passageiro depende de diversos fatores.
Veja valores por destino
Manaus registrou a maior elevação em valores absolutos. A tarifa média de R$ 984,39 pode chegar a R$ 1.037,55 no cenário de alta de 18% no QAV, um aumento de R$ 53,16. No cenário de reajuste integral de 55%, o bilhete pode chegar R$ 1.146,81, com aumento de R$ 162,42.
Por outro lado, Belém registrou a menor variação. A tarifa média de R$ 392,84 pode subir para R$ 414,05, um acréscimo de R$ 21,21, no cenário de 18%, ou chegar a R$ 457,66, com alta de R$ 64,82, no reajuste integral de 55%.
Veja, na tabela a seguir, as simulações para as cinco rotas.
Entenda a alta do querosene da aviação
No dia 1º de abril, a Petrobras informou um reajuste médio de 55% no valor do QAV, em meio à escalada no preço do barril do petróleo influenciada pela guerra no Irã.
A empresa disponibilizou um termo de adesão para que as distribuidoras paguem um aumento de apenas 18% em abril e parcelem a diferença em seis vezes, a partir do próximo mês de julho.
Dados mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), referentes ao último mês de janeiro, mostram que as rotas com a maior demanda naquele mês foram:
- Brasília: 28.083 passageiros
- Belém: 18.853 passageiros
- Confins: 13.109 passageiros
- Manaus: 10.503 passageiros
- Foz do Iguaçu: 661 passageiros.
Como é calculado o custo da passagem
Um dos principais custos das companhias aéreas, o aumento no combustível pode ter reflexo no preço final pago pelos viajantes.
“O peso do querosene de aviação está em torno de 30%, e, segundo a associação das companhias aéreas, pode chegar a 40%. Claro que varia de acordo com o dólar, com o preço do petróleo, da política da Petrobras e do imposto”, explica o docente.
Essas simulações consideraram o repasse para o valor final proporcional à participação de 30% do combustível na composição da tarifa.
A projeção do repasse do aumento é uma hipótese baseada em estudos passados realizados pelo Nectar-ITA. O professor explica que a mudança anunciada pela Petrobras não implica um “reajuste linear”, uma vez que a precificação de passagens aéreas é complexa e outras estratégias podem ser adotadas.
“A empresa vai reduzindo o número de tarifas promocionais ou a frequência com que elas aparecem para os passageiros e, na média, os preços sobem. Mas faz isso de acordo com a demanda. E, no limite, claro, ela corta o voo. Tem toda essa complexidade”, contextualiza.
Além disso, o perfil das rotas e dos passageiros influencia os custos. “Se for uma rota mais longa, vai aumentar proporcionalmente o combustível e outros custos: com tripulação, com manutenção de aeronaves. É o que se espera. Mas a tendência é que o percentual seja maior em rotas mais longas, onde queima mais combustível, dado que ele é o principal item de custos”, complementa.
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Outro ponto destacado por Alessandro Oliveira é que os preços trabalhados em análises e simulações são os de tarifa média, diferente do que o consumidor pode encontrar ao comprar a passagem. O caso específico de uma rota “super barata”, por exemplo, pode triplicar de preço.
“A tendência é que haja repasse, e cada caso é um caso, porque cada rota tem sua densidade de tráfego própria, tem sua pujança da demanda, tem a questão da distância, o perfil do passageiro, se tem muitos concorrentes. Se a concorrência for forte, o reajuste pode ser até mais alto do que nas rotas mais monopolistas em que a empresa já cobra muito caro”, complementa.
Medidas para conter alta do combustível de aviação
Na última segunda-feira (6), o Governo Federal anunciou um conjunto de medidas emergenciais para mitigar os impactos do aumento no preço dos combustíveis, incluindo ações para preservar a oferta de voos e reduzir a pressão sobre as passagens.
Um desses anúncios foi que será publicado um decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o QAV, o que deve gerar uma redução direta de cerca de R$ 0,07 por litro do combustível.
Além disso, será disponibilizada uma linha de financiamento, por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), voltada à aquisição de combustível e será criada uma linha de crédito para capital de giro no valor de R$ 1 bilhão.
O professor Alessandro Oliveira avalia que as medidas anunciadas pelo Governo Federal podem ter impactos para conter o aumento das tarifas, apesar de as empresas atuarem conforme as demandas de mercado.
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Sobre o mecanismo de transição anunciado pela Petrobras, que permite o parcelamento do reajuste no preço do combustível, o professor avalia que não há impacto significativo na precificação.
“Pode até ser que sirva como um alento no início, porque as companhias aéreas têm muitas passagens já vendidas, mas ela já vai pensando nos próximos feriados, nas próximas férias, nos próximos eventos”, pondera.