Profissões no Ceará perdem até R$ 850 no salário de entrada; veja ranking
Queda entre os valores de 2024 e 2025 chegou a quase 27%.
Algumas profissões registraram reduções no salário inicial no Ceará em 2025, na comparação com o ano anterior. As quedas variam de 6,50% a 26,80% e, em valores, podem chegar a R$ 852,50, o equivalente a 56,16% de um salário mínimo.
Os dados são de levantamento feito Diário do Nordeste a partir de informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
A profissão de Técnico de Vendas apresentou a maior redução salarial, proporcional e absoluta, de 26,81% (R$ 852,70), passando de R$ 3.180,68 para R$ 2.327,98.
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A segunda maior queda, também proporcional e absoluta, foi vista no salário de Escriturário de Banco, que passou de R$ 3.722,88 para R$ 2.877,13. Nesse caso, a redução foi de 22,72% (R$ 845,75).
Em seguida, levando em consideração a porcentagem dos decréscimos, aparecem as profissões Operador de Negócios (13,52%), Economista Financeiro (12,35%) e Supervisor de Manutenção Elétrica de Alta Tensão Industrial (10,57%).
Já em relação ao valor absoluto da redução salarial, o terceiro lugar no ranking é ocupado pela profissão de Médico Clínico, com uma diferença de R$ 734,44. A remuneração desse cargo passou de R$ 11.292,65 em 2024 para R$ 10.558,21 em 2025, representando uma variação negativa de 6,5%.
Profissões com maiores reduções salariais no Ceará entre 2024 e 2025
| Profissão | Salário 2024 | Salário 2025 | Redução % | Redução R$ |
| Técnico de Vendas | R$ 3.180,68 | R$ 2.327,98 | 26,81% | R$ 852,70 |
| Escriturário de Banco | R$ 3.722,88 | R$ 2.877,13 | 22,72% | R$ 845,75 |
| Auxiliar de Serviços de Importação e Exportação | R$ 1.390,79 | R$ 1.102,43 | 20,73% | R$ 288,36 |
| Operador de Negócios | R$ 2.602,67 | R$ 2.250,76 | 13,52% | R$ 351,91 |
| Economista Financeiro | R$ 3.789,88 | R$ 3.321,95 | 12,35% | R$ 467,93 |
| Supervisor de Manutençao Elétrica de Alta Tensão Industrial | R$ 3.665,07 | R$ 3.277,63 | 10,57% | R$ 387,44 |
| Enfermeiro | R$ 3.756,09 | R$ 3.390,91 | 9,72% | R$ 365,18 |
| Técnico em Secretariado | R$ 2.457,76 | R$ 2.221,95 | 9,59% | R$ 235,81 |
| Comerciante Varejista | R$ 1.843,47 | R$ 1.671,42 | 9,33% | R$ 172,05 |
| Médico Clínico | R$ 11.292,65 | R$ 10.558,21 | 6,50% | R$ 734,44 |
O que explica as reduções salariais no Ceará?
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida, essa dinâmica é explicada por uma série de fatores, como:
- Ajuste pós-crescimento econômico, em que empresas passam a revisar estruturas e otimizar despesas;
- Aumento da oferta de mão de obra qualificada, impulsionado pela expansão do ensino superior, o que pressiona salários para baixo;
- Avanço da tecnologia, automação e inteligência artificial, que tem reduzido a demanda por algumas funções operacionais e administrativas;
- Modelos mais flexíveis de contratação, como a "pejotização" e a informalidade, que contribuem para a compressão salarial, ao permitir a contratação por valores menores.
Na visão do especialista, os setores administrativo, comercial e financeiro estão entre os mais impactados, especialmente em funções como vendas, operações e rotinas de escritório, "que têm sido fortemente afetadas pela automação e digitalização".
Além desses, o setor de serviços e comércio varejista também sofre com a informalidade e a terceirização. Wandemberg reflete, ainda, que mesmo áreas tradicionalmente mais estáveis, como enfermagem, economia e engenharia, já apresentam sinais de retração salarial, ainda que de forma mais moderada.
“O cenário atual revela uma redução nos salários de entrada especialmente em ocupações de nível intermediário e que exigem qualificação. Há uma clara descompressão salarial na base do mercado de trabalho, com novos profissionais ingressando com remunerações menores. Além disso, observa-se uma substituição de profissionais mais experientes por perfis mais baratos, o que indica uma reconfiguração estrutural do mercado, marcada por maior competitividade e foco em redução de custos”
O que esperar para 2026?
Apesar desse cenário, o presidente do Corecon-CE acredita que a tendência é que os salários de entrada não continuem caindo no mesmo ritmo, mas sigam enfrentando perda real, especialmente em áreas mais saturadas.
Para ele, o mercado deve continuar priorizando perfis mais especializados, sobretudo em áreas ligadas à tecnologia, dados e gestão aplicada.
“É esperado um avanço de modelos de trabalho mais flexíveis, como da pejotização e da informalidade, o que pode manter a pressão sobre os salários iniciais. Por outro lado, profissionais com maior qualificação técnica e capacidade de adaptação tendem a se destacar em um mercado cada vez mais seletivo”, argumenta.
Entenda a metodologia do levantamento
Para o estudo, foram consideradas apenas as ocupações com pelo menos 100 profissionais em cada ano, a fim de evitar distorções causadas pelo cálculo da média com poucos profissionais.
Também foi aplicado um procedimento estatístico para identificar e corrigir valores extremos que poderiam distorcer os resultados. Os valores dos salários foram checados por ocupação e por ano e foram removidos os registros muito acima do padrão da categoria, pois esses casos estavam inflando artificialmente a média.
Ou seja, no caso de uma profissão apresentar uma maioria de trabalhadores que recebia entre R$ 1.400 e R$ 1.700 por mês, mas ter um registro isolado superior a R$ 2 milhões, tal informação foi descartada, devido à possibilidade de indicar um possível erro de preenchimento.