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Momento fez marca local retomar produção

Depois de oito anos sem atividade no mercado, a Ferrovia mantém, hoje, uma fabricação de 5 mil óculos mensalmente

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: 80% das peças são para as 44 lojas próprias da marca, sendo 34 no Ceará; duas em Manaus; duas em Belém; cinco no Piauí e uma no Maranhão
Foto: Fotos: Bruno Gomes

Umas das mais tradicionais marcas de óculos do Ceará, a Ferrovia, há quase trinta anos no mercado local, que chegou a produzir, em bons momentos, 34 mil peças, também foi afetada pela entrada dos produtos chineses no Brasil na última década e decidiu, na época, parar a produção por oito anos. "Comecei a importar e revender. Mas há 5 anos (em 2011) comecei a produzir, em Horizonte, caixas de óculos para atender uma demanda reprimida e, há cerca de três anos e meio, voltei a confeccionar os óculos", conta José Beserra Lima, fundador e sócio-majoritário da Ferrovia.

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Atualmente, a produção dos 5 mil óculos por mês da linha própria divide as etapas de montagem localizadas entre as cidades de Horizonte e Fortaleza. Cerca de 80% do volume é destinado às 44 lojas próprias - três destinadas ao atacado - da marca, sendo 28 em Fortaleza, seis no interior; duas em Manaus; duas em Belém; cinco no Piauí e uma no Maranhão.

Neste ano, a Ferrovia dobrou os investimentos em marketing e está com um garoto-propaganda em evidencia nacional, o cantor Wesley Safadão. Ainda assim, os três primeiros meses deste ano registram resultados negativos no faturamento. "Já sentimos uma queda enorme, de cerca de 30%", calcula Beserra.

Saídas

Para reverter o quadro, o empresário irá manter a abertura de três novas lojas - duas em Fortaleza, a serem instaladas no shopping Rio Mar Presidente Kennedy e outra no Grand Shopping, em Messejana, e a última em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. O investimento necessário apenas para a montagem das lojas é de aproximadamente R$ 300 mil.

"Ainda estamos estudando uma quarta no (shopping) Maraponga Centro", revela. Para todas essas novas lojas confirmadas serão contratadas em torno de 30 novos funcionários.

O maior volume de venda da empresa ainda é registrado pelas unidades de Fortaleza, nas lojas próprias, multimarcas, representantes e revendedoras de atacado, que representam 40% do mercado para a Ferrovia. Já presente em quase todo o Norte e Nordeste, o desafio admito pela empresa é trabalhar ainda mais e melhor estas regiões. A Ferrovia também fabrica óculos de sol, em formato private label, para marcas como Florinda e Rosamango, entre outras, e armações de graus para óticas locais.

Cenário

Beserra se considera otimista por natureza, mas se diz bastante preocupado com o cenário econômico e político do País. "Este é o ano para gente enxugar bastante. As inaugurações previstas vamos manter, até porque temos contrato com shoppings e temos que mantê-las, mas não é um ano de pensarmos em novos investimentos", afirma Beserra. Ele também não vislumbra aportes para marca em 2017 e enfatiza a necessidade de prudência, "fazer o dever de casa" e otimizar processos.

"Vamos ver como vai ficar a questão política econômica. Nós queremos e gostamos de trabalhar, mas é preciso que deixem a gente trabalhar. Não estamos conseguindo. O alto índice de desemprego preocupa todo mundo, pois a pessoa desempregada não compra", lamenta-se.

Ele ainda destaca que, mesmo com os preços das matérias-primas dobrando o valor de um ano para cá - 80% dos materiais vem de fora -, optou por manter os preços dos produtos sem aumento, reduzindo a margem de lucro e fazendo promoções para contrapor e manter o investimento no ponto de venda e no treinamento dos lojistas.

Linha própria e consertos

Entre os novos lançamentos da marca, a grande aposta da marca está na Linha Terra, exclusiva, antialérgica e biodegradável, que utiliza acetato de celulose extraído da madeira e de vegetais como o algodão nas armações e lentes com proteção contra os raios UVA e UVB. Ela pode ser utilizada como óculos de grau e, também solar, com lentes espelhadas, polarizadas ou fumê, a gosto de cada cliente.

"A aceitação do mercado foi excelente. O óculos de acetato de celulose representa 70% da venda geral do mercado atualmente", diz Bezerra.

Desde outubro, o setor de mão de obra da empresa, que realiza reparos nos óculos, ganhou 30% de reforço em virtude do aumento na procura por consertos de óculos. Normalmente, eram entre 20 e 30 por mês e agora dobrou.

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