Dessalinização: 2 grupos habilitados a realizar estudos
Consórcios liderados por uma empresa sul-coreana e outra espanhola têm 150 dias para concluir trabalhos
Os dois grupos estrangeiros interessados em apresentar estudos para instalação de uma planta de dessalinização de água marinha para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) foram habilitados, ontem, pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). O anúncio, aguardado durante todo o dia, só foi feito à noite pela estatal.
O resultado de avaliação das propostas relativas ao Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) habilita os dois consórcios que haviam manifestado interesse em participar: o primeiro, liderado pela empresa sul-coreana GS Inima Brasil e o segundo grupo, liderado pela espanhola Acciona Água S/A.
O edital previa que mais de uma empresa poderia ser habilitada. Contudo, apenas o material que for utilizado pela Cagece será remunerado. Ou seja, ambas podem ter retorno e prejuízos dentro do processo, de acordo com o que for escolhido pela Companhia cearense para ser utilizado na execução do projeto da planta de dessalinização. A avaliação das propostas contou com o suporte da Fundação Getúlio Vargas.
Agora, os dois consórcios têm até 150 dias para desenvolver e apresentar os estudos. O governo do Estado estima ter de investir aproximadamente R$ 500 milhões na planta, que só deverá operar no ano de 2020. Apenas com a conclusão dos estudos feitos por GS Inima e Acciona Águas é que se poderá ter valores e prazos mais precisos.
A utilização da água do mar, através da instalação de uma planta de dessalinização de água para consumo humano na Região Metropolitana de Fortaleza, visa o incremento de água para o sistema integrado de abastecimento da região, diante das dificuldades hídricas pelas quais o Estado vem passando nos últimos cinco anos, potencializados pela falta de chuva e consequente redução de capacidade dos reservatórios cearenses.
"A instalação de uma planta de Dessalinização de Água Marinha para a Região Metropolitana de Fortaleza tem por objetivo incrementar a oferta de água para o sistema integrado de abastecimento e garantir segurança hídrica para os municípios atendidos pelo sistema. A planta de dessalinização vai gerar inicialmente 1m³ (1.000 litros) de água dessalinizada por segundo. O incremento vai significar aumento de 12% na oferta de água, beneficiando cerca de 720 mil pessoas", informou a Cagece, em nota oficial.
Um ponto a ser ainda esclarecido com os estudos das empresas habilitadas é o custo da água dessalinizada para a população.
Fontes costumeiramente ouvidas pela reportagem afirmam sempre que a instalação da usina dessalinizadora envolve o investimento inicial e o custo de manutenção, considerados fixos, além dos gastos necessários para a operação do empreendimento, que seriam variáveis.
Por isso, todos esses valores devem acarretar em um acréscimo a ser pago na conta de água do consumidor. Entretanto, este aumento ainda não possui qualquer estimativa. O governo indica, porém, que o custo de operação da planta seria variável pois ela deve entrar em atividade apenas em momentos de seca.
Entre os estudos e projetos que serão desenvolvidos pelas empresas selecionadas estão Diagnóstico e Estudos de Demanda; de Impacto Ambiental; de Viabilidade; Estrutura de Financiamento e Garantias; Plano de Comunicação; etc.
Os estudos vão balizar um projeto de Parceria Público-Privada (PPP) que definirá qual empresa deve comandar a usina por, pelo menos, cerca de 25 anos. O prazo estimado é para amortizar o futuro investimento e ainda garantir um preço justo no fornecimento de água.
Quando concluídos os estudos, o governo poderá lançar um outro edital, dessa vez para convocar empresas interessadas em investir na construção da usina de dessalinização.
Risco
Em agosto, a executiva de novos negócios da Acciona Agua no Brasil, Virginia Sodré, havia dito que entendia o risco de elaborar os documentos e não ter remuneração mas que acreditava na qualificação da empresa para superar a concorrência.
"Nós enxergamos que a dessalinização tem crescido muito, é uma matriz fundamental. Várias regiões do mundo no que tem densidade hídrica baixa tem optado por isso", disse ela à reportagem à época.
"A dessalinização é como o seguro de saúde: você não entra nele quando está com a doença. Ela está sendo provida para reduzir a vulnerabilidade relacionada à água", comparou Virginia Sodré, naquela ocasião.