Ceará lidera em mercado de empresas juniores no Nordeste

Levantamento da Brasil Líder aponta que, dos 204 modelos de negócio registrados na região em 2019, 20,5% se concentram no Estado. No ano passado, as empresas movimentaram R$ 1,2 milhão no Ceará

Legenda: No primeiro semestre, foram movimentados R$ 930 mil no Estado através de serviços e atendimentos prestados pelos estudantes

O Ceará é o estado do Nordeste com maior número de empresas juniores - associações civis sem fins lucrativos, formada e gerida por alunos de curso superior para fomentar o aprendizado dos universitários e aproximar a Academia do mercado. Das 204 empresas juniores existentes na região, 20,5% se concentram no Estado, com 42 empresas em atuação hoje

E os negócios têm prosperado: de acordo com dados da Brasil Júnior, instituição que representa as empresas juniores do País, o segmento faturou R$ 1,2 milhão no ano passado. Juntas, essas empresas já realizaram, no primeiro semestre de 2019, 85% do volume de serviços prestados a clientes em todo o ano 2018.

"O Ceará tem crescido no movimento, apresentando alto engajamento dos empresários e transformando esse engajamento em impacto econômico no mercado. Acompanhado da Bahia e Pernambuco, que também são grandes polos, são as três regiões que apresentam melhores performances do Nordeste (no segmento)", aponta Umberto Bezerra, diretor da Brasil Júnior.

No primeiro semestre, foram movimentados R$ 930 mil no Estado através de serviços e atendimentos prestados pelos estudantes. "Se a gente fizer um comparativo, só no meio deste ano, já fizemos, em média, 80% do faturamento do ano passado", diz.

O diretor explica que esse modelo de negócio se tornou uma forte tendência no mercado não só do Ceará, mas em todo o País. "Hoje, o Brasil se tornou a maior concentração de empresas juniores do mundo. E o único que é regulamentado por uma lei", comenta.

De acordo com Bezerra, as empresas funcionam dentro das universidades e não têm fins lucrativos, sendo administradas e geridas por estudantes. Todo o faturamento é convertido em investimento e capacitação dos integrantes.

Um dos diferenciais do modelo de negócio é que o serviço prestado custa, em média, 40% do valor de mercado.

Crescimento elevado

"Somos uma empresa júnior que engloba os cursos de Administração, Economia, Contábeis, Ciências Atuariais, Secretariado Executivo e Finanças", apresenta Pedro Alves, presidente da Inova, que presta serviços de consultoria empresarial para pessoas físicas, além de pequenos e médios negócios. Fundada em 2003, a empresa se destacou no ano passado em relação às empresas juniores do Estado, faturando R$ 205 mil.

"No ano passado, conseguimos bater todas as nossas metas e tivemos muito engajamento de todos os estudantes. Neste ano, a expectativa é de alcançarmos R$ 274 mil de faturamento até o fim do ano, uma meta muito grande para o Estado. Atualmente, estamos com 40% desse objetivo alcançado", afirma.

O crescimento foi tão elevado que, hoje, a consultoria já atende até a empresas de grande porte.

"Prioritariamente, a gente atende pequenos e médios empresários. Mas conseguimos popularizar nossos serviços e trabalhamos com tanto empenho, que estamos conseguindo pegar empresas maiores. Já atendemos a empresas com mais de 180 funcionários. Trabalhamos com um diagnóstico mais ágil e isso tem surtido efeito. Temos casos de sucesso de empresas que trabalharam conosco", relata o presidente da Inova.

Ele explica que a experiência também torna os estudantes que passaram pela empresa mais atraentes para o mercado fora da Universidade. "Entra no ponto de a gente viver em um País que não é favorável ao crescimento, por isso, decidimos empreender com ideias. Esse movimento de empresas juniores é uma reação a isso. Durante o processo dos alunos na empresa, eles conseguem aprimorar habilidades técnicas e comportamentais. O mercado se interessa por esse tipo de profissional", comenta.

Experiências

Há seis anos no mercado, a empresa júnior Ejudi Soluções Jurídicas trabalha prestando serviços na área de advocacia preventiva. Ela atua com a realização de contratos, registro de empresas, estatutos e outros documentos.

No primeiro ano de atuação, em 2013, a Ejudi faturou apenas R$ 200. No ano passado, o valor saltou para R$ 40 mil. E entre janeiro a julho deste ano, já conseguiu faturar R$ 90 mil. "Do ano passado para cá, a gente mais que dobrou nossa média de faturamento. Estamos com uma média de mais de R$ 10 mil de receita líquida mensal. Tudo isso está sendo investido na capacitação dos membros", aponta Jorge Medeiros, presidente da empresa.

Atualmente, a equipe é composta por 30 estudantes de vários semestres do curso de Direito, que além de treinar práticas jurídicas, também aprendem noções de empreendedorismo e gestão de negócios. "No Ceará, a maioria dos alunos do curso quer prestar concursos públicos. Muitas vezes, as nossas melhores mentes ficam no mercado público e fazem falta no setor privado. Então, essa empresa nasceu para mostrar aos estudantes que também é legal fazer parte da iniciativa privada", comenta Medeiros.

Criada há 20 anos, a Consultec é voltada para a área de Engenharia Civil e Arquitetura e hoje conta com um time de 25 estudantes. A diretora comercial da empresa, Letícia Sampaio, comenta que alguns integrantes da equipe seguiram até ramos inesperados graças à oportunidade de fazer parte da equipe.

"Tivemos membros que seguiram na área da construção civil e hoje têm escritório. Mas também temos exemplos de pessoas que montaram seu próprio negócio e outras foram para outros ramos de gestão, que elas descobriram através da experiência", diz.

A empresa desenvolve projetos de reformas, decorações, instalações e planejamentos na construção civil e fechou o ano passado com 101 projetos realizados. A meta para 2019 é chegar a 158. Além do esforço dos estudantes, o crescimento da empresa é fruto da parceria entre arquitetos e engenheiros da Universidade Federal do Ceará (UFC), que auxiliam os alunos na orientação de projetos e na precificação dos serviços.

A diretora reforça que a prática dos conhecimentos adquiridos na faculdade por meio da empresa é válida para seu crescimento profissional. "A minha experiência ampliou a minha visão como futura arquiteta. Eu tive a oportunidade de viver muitas experiências, que eu não teria só na graduação", acrescenta.


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