BNDES seleciona fundos para ofecer até R$ 6 bilhões a pequenas empresas

Das 12 propostas iniciais, apenas 10 serão selecionadas definitivamente, mas ainda não há previsão do volume final de recursos e nem prazo para que o dinheiro chegue ao mercado.

Fachada do BNDES
Legenda: O banco calcula que já ter liberado mais de R$ 30 bilhões em créditos emergenciais após o início da pandemia, beneficiando 163 mil empresas.
Foto: Agência Brasil

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pré-selecionou 12 propostas para a oferta de crédito por fintechs, maquininhas de cartões ou sites de redes de varejo, em um programa para tentar ampliar as fontes de financiamento a pequenas e médias empresas no país.

O BNDES entrará com até R$ 4 bilhões e os fundos escolhidos têm potencial para emprestar até R$ 6,1 bilhões. Das 12 propostas iniciais, porém, apenas 10 serão selecionadas definitivamente. Não há ainda estimativa de qual o volume final de recursos nem prazo para que o dinheiro chegue ao mercado.

"O objetivo é ter esse dinheiro no mercado o mais rápido possível", disse o diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do banco, Bruno Laskowsky, em evento nesta segunda (3) para anunciar o nome dos selecionados.

O banco calcula que já ter liberado mais de R$ 30 bilhões em créditos emergenciais após o início da pandemia, beneficiando 163 mil empresas, mas a dificuldade de acesso aos recursos é uma das principais críticas de empresários às políticas federais de socorro durante a pandemia.

O programa de oferta de crédito por meios alternativos foi anunciado em maio, como uma das medidas de socorro a empresas atingidas pela crise, mas a ideia é que seja mantido após a pandemia, como iniciativa para diversificar as fontes de crédito no país.

Propostas

O banco recebeu 73 propostas, em um sinal, segundo o chefe do departamento de Gestão de Investimentos em Fundos, Filipe Borsato, de que há grande interesse pelos produtos.

O objetivo é criar dois tipos diferentes de fundos. Um deles, chamado de MPE, será administrado por empresas de investimentos e oferecerá empréstimos por platafomas próprias ou em parceria com fintechs. O outro, chamado originador, será gerido por empresas que já tem contato diário com os cientes, por administrarem market places ou meios de pagamento, como as maquininhas de cartões.

Entre os projetos selecionados, estão propostas de fundos feitas por gestoras de investimentos, como a XP, empresas de varejo, como B2W e Magazine Luiza e as operadoras de maquininhas Cielo, PagSeguro, Stone e Sumup.

"As propostas recebidas pelo BNDES foram avaliadas conforme critérios como menores custos e maiores prazos para o tomador final, além da quantidade de clientes beneficiados", disse o banco, em nota. "Com isso, destacaram-se os fundos que apresentaram as melhores condições para o cliente final, maior solidez e melhor perspectiva de retorno para o BNDES."

O BNDES entrará com parte dos recursos e, segundo Laskowsky, os fundos podem se retroalimentar: à medida em que os primeiros beneficiados paguem suas dívidas, o dinheiro pode ser usado para conceder novos financiamentos. O banco ainda não informou, porém, quais serão as condições financeiras dos empréstimos.

Os editais estabeleciam limites para os juros (3,5% ao mês para plataformas de negociação e operadoras de cartões e 4% ao mês para fintechs), mas o BNDES esperava que a competição melhorasse as condições. No lançamento do programa, em maio, Laskowsky disse entender que as condições são competitivas, considerando que o público alvo usa crédito rotativo ou de cartão de crédito.

"A iniciativa tem um componente grande de emergência, mas é estruturante. Se a gente olha a pizza de crédito no país, ela é ainda muito concentrada no ambiente tradicional", disse ele nesta segunda. "Isso é bom, mas a gente tem que estruturar novas alternativas."

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